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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Importam as causas e não os partidos: artigo de Hélio Paz discute mídia e ativismo

Algumas postagens relacionadas à discussão sobre mídia neste blog:
O 11/09 sobre outro olhar: Loose Change 2ª Edição
Manipulação de imagens, manipulação da memória
Memória e história: ditadura militar
Ainda o Tibet: um pouco de história
Cidadania e produção da informação
TV Pública
Imprensa, análise de discursos e o olhar crítico da história
Pontos de Vista
Imprensa e manchetes

Cinco mil dólares por segundo, custo da guerra que faz 5 anos
O sonho de alguns...

Foto de protesto contra o jornal La Nación, que fez campanha pelo Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, aprovado por pequena margem. Diz a pixação: "Nem se vende a pátria, nem se compra o La Nazion". NA COSTA RICA , no original sem créditos e sem data.


O texto a seguir traz uma série de discussões originais e algumas propostas guardam semelhanças com ações que já vem sendo praticadas em outras regiões do planeta, especialmente os boicotes orquestrados por
grupos que se opõe às manipulações e interesses defendidos pela mídia corporativa, que nos EUA cresceram muito após as mudanças no país e na mídia com o 11/09/2001.

RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA

Depois de tantos golpes do PIG, de tantas notícias horrorosas para o RIO GRANDE DO SUL, de tanta tristeza em relação à alienação da classe média e de tanto tentar me fazer entender ao bater na tecla da midiatização da sociedade (posso ter sido extremamente incompetente nesse sentido) e de tanta cegueira, miopia, idolatria e falsa satisfação de muitos militantes com as realizações significativas do Governo Lula, manifesto minha indignação contra os militantes baba-ovos.

O que esperar de uma politica de meio ambiente que permite que o país se transforme em uma roça de cana, em uma lavoura de eucalipto e permita a expansão da agropecuária na Amazônia?!

O Governo Lula, por ter como origem a indústria metalúrgica do ABC paulista, crê piamente que desenvolvimento e industrialização massiva são sinônimos.

MARINA SILVA, que, antes de 2003, acreditava ser a pessoa mais indicada do PT para suceder Lula entre a ala operária do partido e ALOÍSIO MERCADANTE, da ala pragmática, burocrática e burguesa são, cada um a seu modo, CANALHAS.

Lula não irá fazer um sucessor dentro do PT. Nem dentro de um partido de esquerda ou de centro com os quais o PT eventualmente se coliga. Tornou-se uma sigla fisiológica como qualquer outra.

O que interessa é votarmos na ideologia e em quem menos passou a borracha sobre o programa do partido.

Sei que há um monte de blogueiros, sindicalistas, professores, funcionários públicos, pequenos empresários e estudantes filiados ao PT. Mas, na atual circunstância, a política partidária moldada sob a lei que precisamos seguir é mesmo a mais adequada, a mais democrática e a menos nociva para a sociedade?

Vejam só: os moderados da direita tiveram que engolir Rigotto e Yeda, enquanto os fundamentalistas reacionários estouravam champanha. SIM! ELES TAMBÉM SE DIVIDEM! SIM! HÁ DIREITISTAS NÃO-REACIONÁRIOS E INTELIGENTES!!!

Por outro lado, os moderados da esquerda (assim como os fundamentalistas) tiveram que engolir MARIA DO ROSÁRIO agora. Tivemos (sim, também estou nessa barca) que engolir também os ministros do PMDB e do PP. O não-questionamento das fortunas das famílias ACM e SARNEY. A não-democratização dos meios de comunicação.

Isso é sinônimo de involução, de evolução ou, simplesmente, a lógica neoliberal midiatizada, por estar em tudo e em todos, não pode ser alterada nas ações e no pleito?

Não há mais a possibilidade de dar canetaços à esquerda: sem diálogo e sem interagir com as demandas das forças contrárias, não há estado, não há governo, não há democracia.

NEGRI e HARDT apontam, em MULTIDÃO, que a resistência deve dar-se a partir de DEMANDAS SOCIAIS PONTUAIS COMUNITÁRIAS E CLASSISTAS, DEMOCRÁTICAS, DESVINCULADAS A TODO E QUALQUER PARTIDO, CANDIDATO OU IDEOLOGIA.

Para militantes bastante antigos e para militantes de meia idade, é muito difícil esforçar-se para rever conceitos e referências práticas e teóricas de luta. Porém, ou atualizam-se, ou só ficarão discursando entre seus pares.

Sabem por que a audiência de nossos blogs é pífia? Não é apenas nem principalmente porque não fazemos parte da máquina da mídia corporativa, nem por causa do despreparo tecnológico: é porque não existe UNIDADE. A esquerda nunca teve unidade. Nem mesmo na prisão, contrariando a piada. E não adianta nada ninguém dizer que prefere qualidade a quantidade ou que realmente escreve para seus pares porque essa desculpa não cola: quanto maior a quantidade de simpatizantes e até mesmo de adversários, maior a massa crítica. A mensagem irá colar, de uma forma ou de outra, em pessoas para as quais nosso discurso realmente fará diferença.

Há de se ser contra as práticas não-humanistas, acríticas, espetacularizantes do neoliberalismo. Há de se lutar sempre pelo crescimento contínuo da educação, da saúde pública, da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico, da agropecuária de pequeno porte, SUSTENTÁVEL, da reforma agrária. TUDO PELO SOCIAL.

Há de se lutar contra a industrialização predatória, contra o peleguismo, contra a corrupção, contra o tráfico de influência.

Mesmo assim, é FUNDAMENTAL reconhecer o papel do empresário. Fiquei louco?! Não havia acabado de falar mal do emebeeísmo?! Não havia postado comentários em muitos dos posts de LA VIEJA BRUJA quando o autor citava os “MAURICINHOS DE MBA“? Hummm… Seria eu um mauricinho?! Estaria eu virando a casaca?!

DE FORMA ALGUMA: só acho que algumas lógicas de mercado são DECISIVAS para o futuro das mídias alternativas. Em primeiro lugar, se ser alternativo é apenas criticar a agenda da mídia corporativa, isso não irá mudar jamais e não iremos progredir: é o papel dela defender o seu e aos seus e há quem nela acredite que jamais irá acreditar em nós. Ela sempre irá existir. Devemos criticá-la? O trabalho de LA VIEJA e do PONTO DE VISTA são importantíssimos? SIM! SEM DÚVIDA! MAS PARA CONSCIENTIZAR A NÓS MESMOS SOBRE QUEM É A NOSSA CONCORRÊNCIA!!! Esse discurso NÃO PRODUZ A DIFERENÇA NA SOCIEDADE!!!

Do contrário, por que diabos o DOSSIÊ GLOBO do FAZENDO MEDIA, o clássico livro do recém falecido professor DANIEL HERZ chamado A HISTÓRIA SECRETA DA REDE GLOBO (que fala desde a bomba no RIOCENTRO até a manipulação pró-JAIR SOARES contra PEDRO SIMON feita pela RBS aqui no RS) NUNCA FORAM DEBATIDOS POR UM GRANDE PÚBLICO NEM FORA DAS UNIVERSIDADES?! A culpa não é da baixa tiragem nem da retirada do livro de circulação. Tampouco é do poder da empatia e do carisma dos âncoras dos telejornais ou da eloqüência dos colunistas bravateiros de jornais e revistas…

…É QUE NÃO DÁ PRA FORÇAR UMA GRANDE QUANTIDADE DE PESSOAS A ACREDITAREM EM TUDO O QUE A GENTE ACREDITA!!!

Precisamos aceitar patrocínios da iniciativa privada. Não precisam ser corporações, mas, sim, pequenas empresas locais, pontuais, que acreditem na causa. Basta investigar a idoneidade de pessoas físicas e jurídicas para aceitarmos esse investimento, que é uma relação ganha-ganha.

Também precisamos do auxílio de advogados, economistas e administradores. MÍDIA ALTERNATIVA precisa, sim, GERAR LUCRO PARA SE MANTER E PARA REMUNERAR DECENTEMENTE QUEM TRABALHA DURO PARA TORNÁ-LA CRÍVEL E GRANDE. Para isso, é preciso fazer o dinheiro trabalhar: deve-se comprar ações com um grupo de investidores de esquerda. É um investimento que se, gerido por gente competente, sempre serão compradas e vendidas ações de empresas de diversos portes onde, quando uma estiver mal das pernas, compra-se imediatamente as ações de outra empresa do mesmo porte que esteja em ascensão. A remuneração média anual gira em torno de 40% ao ano.

Ao mesmo tempo, há de se saber e de se aceitar que muitos ramos empresariais operam durante anos no vermelho antes de começarem a dar lucro. Isso explica o fato de os negócios serem mantidos: o fato de investir no mercado financeiro ao invés de investir-se na produção justifica esse movimento.

Mais uma polêmica para os fundamentalistas me alvejarem: digo que o MST também deveria investir no mercado financeiro e informatizar-se. Há um contingente considerável de pessoas de esquerda que poderiam ajudar o MST a fazer esse movimento. Não, não estou louco: chegou a hora de aprender a combater o inimigo como o inimigo age.

O MST poderia ocupar terras improdutivas com um dossiê que comprove esse estado a um número x de anos, dividi-la em lotes e investir em documentários que comprovassem que o latifúndio é a ruína da sociedade brasileira e que o minifúndio promove desenvolvimento sustentável e diversidade de produtos, melhorando a saúde da população.

Antes do advento massivo da TV DIGITAL, o PIG seria pago pra divulgar matérias sobre o MST. Caso se negasse, comunidades no ORKUT, uma enxurrada de indicações dos links que comprovassem tal hostilidade via TWITTER, os BLOGS e PODCASTS fariam uma enxurrada comunicacional tão grande que não poderia jamais ser ignorada nem pelo PIG, nem por seus macacos lobotomizados.

NÃO DÁ MAIS PRA SER ROMÂNTICO, PESSOAL!!! A RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA SE FAZ COM O AUXÍLIO DE TODAS AS FERRAMENTAS SOCIOTÉCNICAS DAS QUAIS A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA DISPÕE.

Vejamos: por que utilizamos notícias do PIG para combater as suas ações? Porque dentro do próprio PIG, HÁ SEVERAS CONTRADIÇÕES. Por que concordamos com significativa parcela do discurso do LUIZ CARLOS AZENHA, do PAULO HENRIQUE AMORIM e do ALON FEUERWERKER?! Por que ainda nos importamos com a verdade e com a farsa do OMBUDSMAN da FOLHA?! De onde tiramos argumentos para defender o lado bom do GOVERNO LULA e para afirmarmos que o PIG não sabe de nada em relação ao que seria o verdadeiro lado ruim do GOVERNO LULA?!

Na verdade, por mais difícil que seja compreender e aceitar isso, mesmo em desvantagem ou até mesmo sendo usados, PRECISAMOS INTERAGIR COM O PIG E COM AS FORÇAS CONSERVADORAS DO CAPITAL.

O que não podemos aceitar? Preconceito, tergiversações, mentiras, agressões, humilhação. Mas é preciso termos em conta que também agimos da mesmíssima forma em relação a eles.

Não proponho virar a casaca, deixarmos de ser da esquerda e virarmos centro. Nada disso: é uma questão de aprendermos que NÃO PODEMOS SER VEEMENTEMENTE CONTRA NINGUÉM, MAS SOMOS TOTALMENTE A FAVOR DE NOSSAS CAUSAS.

É difícil até pra mim lembrar disso. Mas é um esforço necessário.

Lembrem-se: A ESQUERDA PRECISA DEIXAR DE SER TECNOLOGICAMENTE IGNORANTE. E DEFENSORA DE CAUSAS, NÃO DE PARTIDOS.

É extremamente difícil escrever menos e também deixar de falar em capital, trabalho, burguesia e proletariado. Mas a sociedade, apesar de ainda possuir conflitos incessantes a partir dessas dicotomias, não quer saber de aprender ou de agir combatendo ou defendendo um lado ou o outro: o presenteísmo nos obriga a não termos mais essas dicotomias como discurso - apenas como forma de agir e de compreender a sociedade.

Mas não podemos nos prender apenas a isso: a sociedade é multicultural e multifacetada, de forma que os conflitos sociais ocorrem em graus diferentes, gerando demandas completamente diferentes às vezes para as mesmas agendas.

Compreendam, companheiros, que, de uma vez por todas, A REFLEXÃO SE DÁ ATRAVÉS DA MÍDIA! O BRASIL QUEIMOU A ETAPA DA ESCRITA: SAÍMOS DA ORALIDADE DIRETAMENTE PARA A CULTURA IMAGÉTICA.

Portanto, a articulação em torno das MÍDIAS ALTERNATIVAS deve-se efetuar, antes de mais nada, no sentido de privilegiar a INTERNET, deixando os caríssimos investimentos em imprensa escrita e televisada para locais onde não houver acesso à internet. O investimento em meio urbano para a culturação e conscientização de internautas das camadas mais baixas da população e da oferta de veículos diferentes para a classe média é muito mais necessário e decisivo, pois 80% da população vive nas grandes cidades.

A ESQUERDA PRECISA APRENDER COM OS TÉCNICOS PARA POUPAR TEMPO E DINHEIRO E PARA ATINGIR METAS COM MAIS EFICIÊNCIA.

*professor e pesquisador em Ciências da Comunicação com uma visão bastante crítica sobre a mídia corporativa que em suas palavras confundem fatos com opiniões:

OPINIÃO e FATO deveriam ser coisas diferentes, tratadas cada uma a seu tempo.
Opinião envolve achismos generalistas e contribuições de especialistas. No caso da mídia corporativa brasileira (RBS, GLOBO, RECORD, BAND, SBT, ABRIL, FOLHA, ESTADO e suas milhares de afiliadas espalhadas por todo o país cujos proprietários e associados são nada mais nada menos do que 1 a cada 6 parlamentares em Brasília), estes, via de regra, possuem sempre a mesma origem econômica, social, étnica e religiosa que reflete apenas UM LADO da questão. Quando posições divergentes dos interesses da agenda (isto é, daquilo que a mídia define se vai ser notícia ou não, quando e associada a mais o que) são confrontadas, a edição (cortes do material bruto da entrevista para algo que caiba no tempo definido para a duração do programa) sempre dá menos tempo ou descontextualiza a fala do lado que não contempla os interesses dos patrocinadores da mídia.

2 comentários:

Pedro Ayres disse...

Conceição
Estou aqui para lhe agradecer a gentileza de indicar o meu blog. Embora seja um pouco vaidoso e tenha gostado do nome que v. deu ao blog, por formação pessoal e profissional, se puder, gostaria de ter o nome original (Crônicas e críticas da America Latina).
O blog do Hélio é muito bom e esse post diz um bocado de verdades.
Sobre o 9/11 aconselho a ver o vídeo "Petróleo, humo y reflejos" no Quomodo.Tem bons depoimentos a respeito.

Grato e um abraço

é disse...

Caro Pedro,

não é gentileza alguma, seu blog presta serviço de utilidade pública ao trazer discussões sobre a América Latina que passam ao largo na mídia corporativa.
Já troquei o nome do blog, e vou olhar o vídeo indicado,
grande abraço
Conceição