Bem-vindo/a ao blog da coleção de História nota 10 no PNLD-2008 e Prêmio Jabuti 2008.

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quinta-feira, 17 de abril de 2008

Lápis 'cor da pele' da Faber Castell, apelidos e expressões racistas, o que nós educadores temos a ver com tudo isso?







"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”
(Nelson Mandela).



Esta postagem se compõem de três importantes textos recentes sobre as relações raciais na infância e adolescência, nosso papel de educadores na sala de aula como agentes responsáveis pela educação para a igualdade étnico-racial e por fazer valer a legislação que obriga o ensino da História e culturas africanas e afro-brasileira nos currículos escolares e, que embora alterada com a inclusão da obrigatoriedade da história e culturas indígenas pela Lei 11645/08, continua vigente e profundamente necessária.

Comecemos com um artigo sobre expressões preconceituosas e suas implicações para a cristalização do racismo na infância:

Expressões preconceituosas alertam para o racismo na infância

(Por Julia Dietrich, do Aprendiz)
Quando tinha uns seis anos de idade ouvi de vários colegas que eu tinha nascido na torradeira. Lembro de ter perguntado a minha mãe várias vezes de onde eu vim por ser diferente deles”,
conta a universitária M., hoje com cerca de 20 anos, que estudou em uma escola particular de São Paulo (SP), na qual os colegas eram predominantemente brancos.


Parece brincadeira, mas tenho medo de me expor a situações onde comentários desse tipo possam surgir”, complementa.

A situação vivida pela jovem negra, que preferiu não se identificar, não é exceção. Segundo os dados da tese de doutorado da socióloga Rita Fazzi, professora da Pontifica Universidade Católica de Minas Gerais, em discussões nas salas de aula, as crianças são capazes de reverberar extenso repertório racista, com xingamentos que vão de “tição” a “leite azedo” e poucas passam ilesas pelo período. No contexto internacional, segundo a Anti-Defamation League (em português, Liga Antidifamação) dos Estados Unidos, até os seis anos de idade cerca de 50% das crianças já apresentaram atitudes preconceituosas. Segundo os textos da organização, as práticas discriminatórias que começam cedo muitas vezes vêm disfarçadas de supostas brincadeiras, travestidas de uma certa inocência.

Para a psicóloga da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (Edac), Mariana Ticahuer, o valor do ato de apontar as diferenças está relacionado à idade da criança.

Quando uma criança é muito pequena e acontece algum episódio em que ela aponta uma diferença, como, por exemplo, ao entrar em um elevador, ela comenta
com a mãe que a vizinha ali presente é gorda, ela dificilmente sabe que está
agredindo ou magoando tal pessoa. Porém, as crianças mais velhas, que apontam as diferenças de forma pejorativa, por certo, têm consciência do mal que estão
fazendo, mesmo sem saber precisar a intensidade das suas ações”, explica.

De acordo com estudos internacionais, as crianças começam a perceber as diferenças raciais dos três aos cinco anos de idade e, ao passar do tempo, passam a julgá-las moralmente.Para a psicóloga Mariana, a educação e os valores que são passados em casa influenciam no modo com a criança se relaciona com o ambiente e com as pessoas que estão a sua volta.

Por isso o educador e a escola devem trabalhar com as diferenças mesmo antes que a discriminação aconteça. Explicar o porquê das diferenças e como é importante o contato com elas pode prevenir situações como a de M.”, explica.
Contudo, se a discriminação ocorre, é importante que haja o diálogo com a criança e muita orientação, além de uma importante conversa com os pais”, complementa.

Em discurso especial proclamado em 2006, o ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (NOU) Kofi Annan indicou que o combate ao preconceito começa cedo, antes mesmo que ele surja.

Nenhum de nós nasceu para odiar. A intolerância aprende-se e, portanto, é possível desaprendê-la. As garantias jurídicas são uma parte fundamental desta luta, mas a educação deve estar em primeiro plano. A educação pode favorecer a tomada de consciência e cultivar a tolerância. Deve começar em casa - onde, afinal de contas, têm origem muitas das atitudes racistas -, continuar na escola e ser integrada no nosso discurso público. Nesta luta contra a intolerância, os cidadãos devem ser simultaneamente professores e alunos”, concluiu.


Agora vamos conhecer o relato da mãe Denise Camargo sobre a situação vivenciada por seu filho na sala de aula:

Gostaria de contar-lhes a seguinte história:
Quando meu filho ingressou na escola de educação infantil, chegou aqui em casa certo dia dizendo que queria ser "cor de pele".
Gostaria de informar que somos negros. Meu marido é branco. Nosso filho, mestiço.
Não conseguimos entender o desejo dele, pois ele já era cor de pele - foi o que respondi: "Filho, você é cor de pele. Cor de pele negra".
Esse tema rondou a casa por semanas até que um dia fui à escola descobrir o que estava havendo. E, para minha surpresa, o fato era uma mistura de incompetência para a diversidade brasileira vinda da própria professora e, muito fortemente, saída também da Faber-Castell, que tem na sua caixa de lápis de 36 cores uma cor chamada PELE.
Que cor é essa? Um salmão, rosa-claro, rosinha a que o fabricante denomina PELE. Pele de quem, me pergunto? Pele branca, é claro.
Não seria legítimo em um país de maioria negra que houvesse também uma cor na caixa de lápis para quem não tem pele branca? Ressalto que, sim, embora as estatísticas camuflem esse dado, o Brasil é um país de maioria negra. E posso informar bibliografia consistente sobre o assunto, se necessário.
Ou insiram uma nova cor, que contemple a pele negra, ou mudem o nome dessa, por favor.
Meu filho está com sete anos agora e já faz tempo que sabe que é "marronzinho", como ele mesmo dizia. Mas entendeu nesse exato momento em que quis ser "cor de pele" que a Faber Castell o submeteu a um preconceito disfarçado. Camuflado em uma caixa de lápis que vemos nas propagandas cantantes, coloridas, sorridentes da marca.
O fato é que desde essa época - e faz tempo! tento por este canal (a autora se refere aos inúmeros mails que mandou à referida empresa), sem sucesso, um contato com a Faber-Castell. O fato é que semana passada, fazendo uma compra pude ver que a cor PELE continua na caixa de lápis fabricada por vocês (Faber Castell).
Quero uma resposta e providências em uma semana, por favor.
Porque hoje acordei cansada de ser ignorada.
Aproveito para informar que, desta vez, usarei todos os recursos necessários para que minha reclamação atinja os canais destinados a ela, bem como instituições que se preocupam com a questão no Brasil.
Atenciosamente, muito atenciosamente,
Denise Camargo
Denise Camargo, a mãe indignada com a Faber Castell e a inabilidade da professora pra lidar com a questão das relações étnico-raciais na sala de aula tem toda a razão.

É seríssimo este episódio e, infelizmente, não é algo esporádico, ao contrário, é muito comum.
Já fiz trabalho em oficinas pedagógicas na perspectiva de refletir criticamente sobre essa expressão 'cor de pele' para designar uma cor rosa-salmão de lápis de cor e a outras tão racistas quanto, como as que estão presentes na fala do brasileiro como: cabelo 'ruim' e 'bom' expressões comuns utilizadas para qualificar e hierarquizar texturas de fios de cabelo, menosprezando características fenotípicas de crianças e pessoas negras.

Felizmente já ouvi relatos de professoras conscientes sobre o trabalho que desenvolvem para se oporem a essa idéia de 'cor da pele' ao se falar de lápis de cor e a outras expressões racistas usuais em nosso modo de se expressar.

Presenciei outras narrativas de educadores que mostram a grande dificuldade das crianças negras ao se auto-retratarem, utilizarem cores escuras (preta, marrom) para colorirem seus desenhos. Dada a negatividade na linguagem de nossa cultura para os termos preto e negro – ‘a coisa tá preta; lista negra; humor negro’ entre outras expressões, embora seja explicável que as crianças negras não se sintam estimuladas a considerar positivamente tais cores, é inaceitável que continuemos a ignorar o quanto essas pequenas ações são danosas as nossas crianças brancas e negras (afinal se as crianças negras tem sua auto-estima prejudicada as crianças brancas estão aprendendo a perpetuar o racismo.

Em um trabalho na Faculdade de Educação/USP com o livro Menina bonita do laço de fita lido e discutido com crianças na creche da USP, as crianças negras inicialmente faziam seus desenhos pintando a si próprios com a tal 'cor da pele' da Faber Castell. Algumas depois da leitura do livro ficavam muito surpresas de a cor negra poder ser associada à beleza...

É urgente e necessário que nos envolvemos de corpo e alma neste cotidiano escolar para fortalecermos nossas crianças para que possam enfrentar o racismo, sem comprometer o desenvolvimento psíquico de nossas crianças negras com os constantes bombardeios racistas presentes nas expressões de nossa língua e cultura, evitando que elas diminuem sua auto-estima e ao mesmo tempo educarmos as crianças brancas para que não reproduzam o racismo.

Os dados divulgados por Eliane Cavalheiro no texto a seguir são alarmantes.
Não podemos deixar que a 10639/03 transformada na lei 11.645/08 caia em um vazio e retroceda os pequenos avanços que conseguimos ao logo desses cinco anos de sua implementação. Afinal, a 10639/03 (mesmo com seu substitutivo) não é oriunda de nenhum decreto de baixo pra cima, mas é resultado de uma conquista real de mudança curricular nascida de uma reivindicação pra lá de secular dos educadores negros de nosso país.

Denise Camargo pode contar com o blog da História em Projetos na divulgação de um processo ou até mesmo de uma campanha de boicote à Faber Castell e a seus produtos.

Acredito que a sociedade civil, comprometida com a construção de uma sociedade mais solidária precisa se organizar e encampar ações de denúncia e boicote diante do relatado por Denise Camargo.

Finalmente, destaco uma entrevista com a educadora e pesquisadora Eliane Cavalheiro que nos informa sobre a atual situação da implementação da 10639/03 em nossas escolas:

Pesquisadora aponta retrocesso na política de combate ao racismo nas escolas

(Adriana Brendler Repórter da Agência Brasil)
As políticas de combate à desigualdade racial desenvolvidas pelo Ministério daEducação (MEC) foram interrompidas a partir de 2007 e estão causando retrocessona implementação de ações educacionais na área étnico-racial em estados e municípios. Entre elas, o cumprimento da Lei 10.639, de 2003, que torna obrigatório o Ensino de História e Cultura Afro-brasileiras e Africanas nas escolas.
A avaliação foi feita por Eliane Cavalleiro, pesquisadora na área de educação e racismo da Universidade de Brasília (UNB), durante palestra realizada hoje (16) na Conferência Nacional de Educação Básica, em Brasília.

Segundo a professora, que foi coordenadora-geral de Diversidade e Inclusão Educacional do MEC de 2004 a 2006, várias políticas, como a de apoio técnico e financeiro ao Programa Cultura Afro-Brasileira, desenvolvido no período em que ela esteve na instituição, foram interrompidas em 2007.

De acordo com ela, durante esses dois anos o MEC repassou recursos financeiros e técnicos a municípios para implantação de escolas em comunidades quilombolas, para distribuição de material didático-pedagógico e para ações de formação continuada de professores.

Eram políticas importantíssimas para a implementação de uma educação anti-racista, ao combate de fato à discriminação que está presente no cotidiano escolar. Na medida em que ele [MEC] pára, as ações nos estados e municípios também param. Há uma interrupção de 2006 até 2008, há um retrocesso institucional no combate ao racismo” afirmou Eliane Cavalleiro.

Ela apresentou uma relação com 18 livros e materiais editados em 2005 e 2006 e não publicados em 2007, além de cinco títulos que tiveram projetos editoriais iniciados em 2006 e que até hoje não foram concluídos.

Para a pesquisadora, a política do MEC na área étnico-racial é descontínua, fragmentada e frágil, inclusive em termos de recursos humanos. Como exemplo, citou a equipe da Coordenação de Diversidade e Inclusão Educacional, que tinha mais de 20 técnicos há dois anos e hoje foi reduzida a menos da metade.

Presente à conferência, o diretor do Departamento de Educação para Diversidade e Cidadania do MEC, Armênio Schmidt, respondeu às criticas, mas confirmou a suspensão da distribuição de material didático e de ações de formação de professores na área étnico-racial em 2007. Segundo ele, a interrupção, “apenas externa”, nas ações voltadas à questão racial, ocorreu por causa das mudanças no sistema de financiamento do MEC.

O MEC ficou esse período de 2007 construindo uma nova forma de indução de políticas, de relação com estados e municípios, que foi o Programa de Ações Articuladas. Durante o ano passado realmente não houve publicações e formação de professores. Mas, na nossa avaliação, não houve um retrocesso, porque isso vai possibilitar uma nova alavanca na questão da Lei (10.639). Agora, estados e municípios vão poder solicitar a formação de professores na sua rede, e o MEC vai produzir mais publicações e em maior número” argumentou.

Durante os debates, que seguiram à exposição da pesquisadora, a falta de material didático, definições e orientações pedagógicas para tratar tanto a temática racial como as situações de discriminações e racismo nas escolas foram apontadas por professores da educação infantil e ensino fundamental. Marinês Militão, professora de educação infantil, nível de ensino onde há maior concentração de alunos negros, disse que não tem material para trabalhar em sala de aula.
Eu já pedi mil vezes para o MEC, mas até agora nada”, lamentou.
Schmidt informou que o MEC está em fase de levantamento das demandas dos estados e municípios. De acordo com ele, novos materiais didático-pedagógicos ligados à questão racial devem voltar a ser distribuídos pelo ministério a partir do segundo semestre deste ano. A estimativa de prazo é a mesma para novas ações de formação de professores, que devem ser realizadas na modalidade à distância.

29 comentários:

Bartira Martins disse...

E sobre os cabelos das pessoas negras e mestiças? É o "cabelo ruim". Que precisa ser alisado, para parecer "bom". Ter vergonha do próprio cabelo, ignorando a beleza que os penteados afro permitem e a beleza sem penteado também. Muitos homens raspam os próprios cabelos na ilusão que êles são a marca da sua etnia e que assim passarâo por "brancos", ou seja, mais respeitados socialmente.Eu, particularmente, acho horrível um homem de cabeça raspada. Já perceberam a beleza do nosso ministro da Cultura, Gilberto Gil?
Acabei de assistir uma cena assim, no super-mercado. Uma operadora de caixa mestiça, com os cabelos alisados, ficou muito surpresa quando tecí considerações sobre o porque desse hábito, e mais ainda de eu gostar e achar bonito uma carapinha! Espero que minha interferência sirva, ao menos, para fazê-la pensar sobre o colonialismo mental imposto ao nosso povo, mestiço, pois não deve mais haver, no Brasil, negros ou brancos! A não ser os imigrantes recentes ou de colônias fechadas. O que, dificilmente, ainda existe...

maria fro disse...

Sim Bartira muito complicado exigir uma estética branca e forçar as pessoas negras a querer transformar à força características fenotípicas, comentei isso no texto nas experiências que faço nas oficinas pedagógicas. Muitíssimo obrigada pela contribuição
Grande abraço
Conceição Oliveira

é disse...

Peço a todos que desejam refletir sobre o assunto que se manifestem aqui, nos comentários do blog.
Vou arrolar todos e mandar para a Denise Camargo e vamos ver se traçamos um documento, estou articulando com outros educadores negros um posicionamento sobre essas questões.
Reproduzo aqui a fala de um professor negro da Comunidade Profissão Professor:
Acho que ele já diz tudo sobre a necessidade que nós educadores temos de partir para ações mais concretas:

Professor Zenildo dos Santos (SP- capital)
Eu vivi isto !!
Eu ainda não li o que está postado nos links.

Mas, só de ouvir esta frase: "Use o lápis 'cor da pele' para fazer a pintura do rosto do desenho...", eu me lembro de uma situação que passei em sala de aula, e que foi a seguinte:

Eu estava pintando o desenho e a minha professora soltou esta "pérola" e eu peguei o lápis de cor marrom e ela disse que eu estava fazendo errado a atividade, pq aquele não era o lápis da cor da pele. Aí eu coloquei os dois lápis sobre a minha pele e perguntei pra ela qual era o lápis que mais se parecia com minha pele. Ela disse que aquilo era um insulto e como minha mãe trabalhava como empregada na casa dela, eu iria apanhar da minha mãe assim que ela soubesse. A aula era de manhã e naquela tarde ela contou meu "insulto" à minha mãe.
Quando minha mãe chegou em casa, ela chegou rindo e me deu um belo abraço e disse que eu tinha aprendido muito bem.
No dia seguinte, na sala de aula, a professora só disse que não tinha idéia do que era ser negro no Brasil.

Se hj sou assim devo tudo isto a minha mãe.

maria fro disse...

O jornalista Luiz Carlos Azenha também se solidarizou com o depoimento de Denise Camargo e o postou em seu blog na seção DENÚNCIAS:
http://www.viomundo.com.br/denuncias/lapis-cor-de-pele-pele-de-quem/

maria fro disse...

COMENTÁRIOS EXTRAÍDOS DA POSTAGEM NO SITE DO Azenha sobre o relato de Denise Camargo e o lápis cor-de-pele:
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Geraldo (18/04/2008 - 12:34)
O melhor modo de mostrar que existe preconceito é esse: filho de negro esclarecido. Vê-se que a influência para querer ser claro veio de outros meios e não dos pais. Eu fico perplexo com os que atacam os negros dizendo que eles mesmos é que criam o preconceito. Uma criança não conseguiria criar isso (a não ser que fosse influenciada para isso, especialmente pelos pais, que não é o caso aqui), ela foi induzida a querer ser 'normal', ter a cor-de-pele normal. Obs: Eu sou branco, mas tenho vários amigos negros e sei como essa roda gira.

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Marcos Romao (18/04/2008 - 12:27)
Poderia ser engraçado, mas não o é, mas é uma questão delicada. Denise Camargo deve se aconselhar com advogados que conheçam as filigranas do racismo para não ser ridicularizada. Antes de se pensar em um processo contra alguém, ou uma firma, é preciso se avaliar se o contrarrente tem interesse ou consciência objetiva do seu ato. No Brasil ainda não existe uma consciência generalizada de que se é necessário acabar com o racismo onde e quando se manifeste. Ainda se considera um delito de pouca monta ou de cavalheiros. Mesmo com minha experiência de fundador do SOS Racismo no Brasil, nunca havia atentado ao lápis "cor da pele" que conheco desde criancinha. O band-aids, esparadrapo cor de pele, já me incomodou quando apareceu, e meus colegas de futebol, lá com meus 12 anos se encarnavam em minha pele por não ter esparadrapo pra minha cor de pele. Recomendo a Denise para sua proteção e de seu filho, que aja em grupo para alertar a empresa produtora do lápis cor-de-pele, ofereça a ela uma oportunidade para que se redima e coloque em um museu um grande lápis "cor de pele" com direito a uma placa do tipo: "No tempo em que éramos racistas e nem sabíamos, chamávamos salmão de cor de pele....". E a propósito, Denise, fui no quarto de minhas filhas olhar o lapiseiro da Castell que elas tem, comprado aqui numa lojinha de Hamburgo, e é "salmon" mesmo, não tem nada de cor de pele lá escrito. Fale pro seu menino que mentiram pra ele e prá nós na escola. Boa sorte.
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Anônimo disse...

Não concordo com a colocação "... sim, embora as estatísticas camuflem esse dado, o Brasil é um país de maioria negra. E posso informar bibliografia consistente sobre o assunto, se necessário." Que colocasse essa bibliografia para analise.
Pessoalmente acredito nas estatísticas e nos matematicos e pesquisadores sérios que trabalham com elas.
Deturpações como esta podem desviar a atenção do absurdo do racismo estar tão incrustado em nós.
A ignorância da maioria da população, e a minha especialmente, não vai ser corrigida pelas leis ou contas de quem tem maioria. São apenas parte da resposta. Cabe aos professores a grande tarefa de tornar este esforço em algo concreto mas, infelizmente, aqui o caminho é imenso. Voltei a estudar depois de 20 anos e apenas agora percebi o quanto o racismo massacra as crianças negras e mestiças em plena sala de aula, em sua infância. E isto se deveu ao professor que expos ( desenhou ) várias das maneiras que o pensamento e as colocações racistas, veladas ou não,agridem a auto-estima da criança negra e interferem na sua capacidade cognitiva.
Retirar de uma criança o direito de utilizar de todo seu potencial em seu desenvolvimento como ser humano é abominável. É um ato de covardia pessoal e institucional.
Gostaria de colocar também, a título de contribuição, algo que considero tão danoso quanto a "cor da pele": o uso de apelidos tipo "negão" ou outros do genêro. Ela rebaixa, retira ou anula a individualidade. Quando o "negão" existe, o homem desaparece.

maria fro disse...

Mensagem recebida por e-mail de Rebeca Oliveira Duarte:

'Fui olhar a caixa do Faber Castell. É interessante ver como isso é tipicamente brasileiro...acontece que a caixa é bilíngue - português e espanhol - e a cada palavra em português corresponde seu equivalente espanhol. Vermelho - rojo, etc. Ao chegar na cor definida em português como "pele", o equivalente castelhano é "rosa pálido". Brasil, Brasil...'

(Rebeca Oliveira Duarte
Advogada do Observatório Negro
Fellow da Ashoka - Recife/PE)

(comentário postado por Conceição Oliveira)

é disse...

PARA ANÔNIMO

De acordo com o censo demográfico do IBGE a população negra brasileira (pretos e pardos) corresponde a 50% da população. Entretanto, sabemos que o critério cor no país é autodefinido, ou seja, é o entrevistado que diz a que pertencimento étnico-racial se inclui.
Em um país bastante racista e racializado como o nosso onde todos reconhecem que há racismo, mas ninguém se considera racista, é preciso que se construa uma identidade positiva de pertencimento da população negra. Muitos preferem se ver como 'morenos', embora a meu ver isto esteja mudando devido ao aumento das discussões sobre racismo no Brasil e formas de combatê-lo.
Creio que são essas considerações que fazem a autora afirmar sobre a maioria da população negra em nosso país. A propósito, Denise Camargo é é fotógrafa, mestre em Ciências da Comunicação, pela ECA - USP e especializada em Cultura da Imagem, pela Universidade de Navarra, em Pamplona, Espanha. É docente do Bacharelado em Fotografia da Faculdade Senac de Comunicação e Artes onde participa do Grupo de Pesquisa da Imagem Contemporânea. É formada em Jornalismo, pela ECA - USP. Foi fotojornalista dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde e editora de fotografia da revista Irisfoto e do site Fotopro, ambos especializados na difusão da cultura fotográfica brasileira. Tem ensaios fotográficos belíssimos sobre herança africana no Brasil e nos EUA.

é disse...

Ainda para Anônimo

De resto concordo com você, nosso papel como educadores é fundamental no processo de educar para uma verdadeira realidade de igualdada étnico-racial.
abraços
Conceição Oliveira

maria fro disse...

Nos países de língua inglesa, parece que essa questão foi resolvida desde 1962:

http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Crayola_crayon_colors

Several colors have been renamed through the years, beginning with the 1958 renaming of "Prussian blue" to "midnight blue." The color known as "flesh" was renamed "peach" in 1962, partially in response to the U.S. Civil Rights Movement. "Indian red" was renamed "chestnut" in 1999 due to concern that some children thought the crayon color represented the skin color of Native Americans.[1] According to the company, however, the name originally referred to a reddish-brown pigment from India that is used in artists' oil paint. [1] The most recent name change occurred in 2000, when the name "torch red" was changed to "scarlet".
(Contribuição do professor Antonio Luiz M. C. da Costa, da Comunidade História, Orkut).

Bartira Martins disse...

Anônimo, mostre sua cara!
Você tocou em um outro ponto que me incomoda muito: os "negões"! O mais incrivel é os negros se autodenominarem assim, quando não "morenos"!Acredito que este nome "pese" menos que NEGRO... Só este ano já dois homens negros, querendo em namorar, perguntaram-me se eu "já havia namorado com negões"...imediatamente respondo que não qualifico ninguém assim, pois as pessoas não negras, e serem chamadas de negões a mim qualifica-se como um ato racista, de quem tem vergonha de conhecer um negro...rá, rá, rá...neste país Brasil, povoado de louros de olhos azuis!...contruído com as mãos brancas e calejadas...rá, rá, rá de novo!

Bartira Martins disse...

ERRATA;

6a. linha:

respondo que não qualifico ninguém assim, pois as pessoas SÂO negras

maria fro disse...

Cometário da professora Fátima Veiga (RJ_RJ)

A partir da observação das tintas para artesanato, percebi que maioria delas nomeia a cor AMARELO PELE. Não deveríamos falar em cor de pele nas tintas, e sim em pêssego, rosa-claro, etc.

Quanto à questão da tonalidade da cútis, também deveríamos abordar a paleta cromática das artes nas questôes humanas.

Lembro-me de um hino evangélico infantil que fala nas diferenças das pessoas, comparando-as ao arco-íris ou ao buquê de flores. Começa assim: um arco-íris colorido, um lindo buquê: branco, negro amarelo, cada um é especial com o seu jeitão (tenho que pegar a letra toda, pois faz anos que eu não canto esse hino - já sou quase um patrimônio histórico).

Essa é uma boa forma de discutir esse assunto: a diversidade de sons faz a música, e ela é linda; a diversidade de cores faz a arte visual, maravilhosa; a diversidade de seres vivos faz a natureza, estupenda. E se a diversidade humana faz a sociedade, porque ela tem que ser ruim?

Anônimo disse...

Bartira Martins disse...
Anônimo, mostre sua cara!

Não entendi...Algum motivo em especial para eu mostrar minha cara? Espero não ter sido mal intepretado quando escrevi sobre "negão", já que disseste que te incomodou. Minha intenção foi dizer que mesmo usado de forma "amigavel" ele retira a individualidade da pessoa, que acredito ser algo caro demais para ser permitido.

é disse...

" Muitos preferem se ver como 'morenos', embora a meu ver isto esteja mudando devido ao aumento das discussões sobre racismo no Brasil e formas de combatê-lo.
Creio que são essas considerações que fazem a autora afirmar sobre a maioria da população negra em nosso país."

Com todo respeito Conceição, tua colocação não altera o que coloquei sobre qual população é, ou não, maioria no Brasil.
Também falamos pouco sobre o preconceito que sofrem os mestiços.Eu realmente não faço idéia se um preconceito pode ser "melhor" por ser "menor" ou vice-versa.
Sobre a colocação em si acho-a perturbadora em sua própria necessidade de existir e, de forma menos importante, ter seu empirismo tratado, por alguns, como verdade matemática.

maria fro disse...

Da professora Soeli comunidade profissão professor:

Vou falar como resolvo essa situação.

- Professora tem cor de pele!

- Deixe-me ver...(encosto alguns lápis perto do meu braço e digo) esse não é.
Vem aqui deixa eu ver se esse é da sua cor...hum tabém não...vamos ver este...tá mais próximo...acho que não tem não. Pega o que vc acha mais parecido com a sua cor e pinta bem lindo tá.
Normalmente eles pegam o marrom ou o ocre...rsrs...mas o rosinha nunca mais.

Tive uma aluna negra que se desenhava sempre branca de cabelo liso e loito. (o pai é negro e a mãe + ou - branca).
Trabahamos o livro "Menina bonita do laço de fita" nunca mais ela se pintou de rosa...rsrs.

maria fro disse...

Oi Bartira, oi anônimo:

'negão', neguinho', 'negrada' e correlatos a meu ver não são palavras neutras, depende do contexto onde são usadas, de quem fala, como fala, para quem fala pode ser pejorativas ou não.
Esse é um terreno minado e a desigualdade racial e a recusa de muitos reconhecer nossa ética conservadora e racista (falo da sociedade, não do indivíduo em si) dificulta muito as coisas. Mas acho que o debate e a reflexão sobre como nós professores que somos formadores devemos pensar e agir já é um bom começo.
Obrigada a ambos pela participação neste post.
PS, procurem aqui neste blog o belíssimo discurso de Obama que problematiza questões da discriminação, acho que ele traz contribuições importantes para pensarmos também a questão do 'mestiço' (eu prefiro pardo, ao menos é um critério do IBGE) e falar em mestiço me parece confirmar a idéia de que existe raças humanas, o que todos aqui sabemos que biologicamente não existem, e quando esse conceito é usado falamos em uma categoria sociológica.

maria fro disse...

Contribuições dos professores e pesquisadores da comunidade História:
Denise:
Recebi isso de um aluno negro! Achei interessante!

Quando nasci eu era negro,
Agora cresci e sou negro,
Quando tomo sol fico negro,
Quando tenho medo fico negro,
Quando estou doente fico negro,
Quando morrer ficarei negro.
E você homem branco,
Quando nasce é rosa,
Quando cresce fica branco,
Quando toma sol fica vermelho,
Quando sente frio fica roxo,
Quando sente medo fica verde,
Quando está doente fica amarelo,
Quando morre fica cinza.
e ainda me chamam de homem de cor!!!
**************

Daniel:
penso que o racismo velado, e não velado, é uma construção familiar que vem antes da formação escolar, termos como "hoje é dia de branco", para se falar sobre o trabalho, ou quando se fala da ditadura militar pq usar "páginas negra da nossa história"???? termos e ações como a exposta no blog só ajudam a propagar esse racismo, que como foi dito ninguém nasce racista, mas sim nosso meio altamente desigual e plural, que nos corrompe.
*********
Geovane
'termos como "hoje é dia de branco", para se falar sobre o trabalho, ou quando se fala da ditadura militar pq usar "páginas negra da nossa história"????"

A questão da Faber Castell é importante porque remete a um elemento-de-referência. Quando eu digo 'pele' estabeleço um padrão. Quer dizer, 'pele' é uma cor, outras cores que o elemento de referência (pele) tenha é 'outra cor', que não tem naturalmente cor de 'pele'.

Mas se eu digo que algo 'passou em branco' estou sendo racista por chamar os caucasianos de apáticos?

'Páginas negras' creio, até que se prove ao contrário, se refere a uma cor. Para acusar essa expressão de racismo seria necessário puxar a raíz da utilização.
...mas 'hoje é dia de branco', até onde consigo entender a expressão, é sem dúvida de um racismo bem forte.
**********
Maria José
e o termo "judiaram dela" "judiou"!


Não é preconceito contra judeus??????

Alguns temos como "denegrir a imagem"


Mas já é força do hábito.... há como mudar?
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Cronos
acho que é preciso ter cuidado com o uso ordinário da linguagem, mas é tb preciso estar atento ao fato de que esses usos necessariamente não remetem a um emprego étnico e ou racial.

"anos negros da ditadura", por exemplo, pode ser substituído por "anos de trevas das ditadura". aqui treva não tem conotação racial ou étnica alguma, mas sim um emprego antigo que contrapõe luz x escuridão, como lembrou o amigo acima.

Bachelard e Durand falaram bastante de como essas "cores" acabaram se construíndo nos "regimes psicológicos" do imaginário antes de serem agenciadas por algum emprego étnico-racista. os antônimos de "treva-escuridão-noite-negro" neste caso são "luz-claridade-dia-branco" e tanto em um caso como em outro não é obrigatória uma percepção ou emprego racialista por parte de seus usuários.

o caso do lápis "cor de pele" é bem diferente. acho que cada caso é um caso a ser examinado mas é preciso cuidado para não impor uma interpretação únivoca (e esta sim racialista) do uso ordinário da linguagem que nem sempre parte (e atinge) uma perspectiva racial.
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Pedro (RS)
Eu já tive aluno em aula reclamando da Peste Negra e do Mar Negro...


Concordo que o caso do lápis tem clara conotação racista, mas concordo com os colegas acima que existem outras conotações para o uso das cores...
***********
Caca Ahmadinejad
Postei esse mesmo tópico aqui....
... em outra comunidade e fiquei pasma como boa parte das pesoas acham "besteira" discutir isso e que essa conotação da cor colocada no lápis como "cor de pele" .

É evidente a cnotação de que um lápis deja destinada o termo "de pele" como s todos fossem de ascendência branca.

Um rapaz até chegou a dizer que esse tópico é o mesmo que pelo em ovo.

Como as pessoas acham besteira uma coisa dessas?
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Bartira Martins disse...

Estou lendo A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros, de Antônio Risério, Editora 34. É de uma lucidez muito grande. E ele chama a atenção para uma coisa óbvia, mas que por ser tão óbvia não percebemos: não somos mais um povo negro ou branco, somos miscigenados!

Incorporamos as culturas dos europeus, dos africanos e indígenas, só que a européia predominou à força, e insiste em se manter. Aí é que entra o orgulho dos negros, dos indígenas (já tão poucos...cerca de 0,2% - se não me falha a memória), não por sobrevivência, mas para ocupar o espaço que lhe é devido. Que culturalmente existe, mas luta para não ser varrido para baixo do tapete!

maria fro disse...

Estou denunciando esta questão tão comum em nossa sociedade. Apesar de a Faber-Castell ser uma multinacional, ela não tem o direito de discriminar nossas crianças. Está na hora de exigirmos respeito. Espero obter resposta sobre esta questo. Como cidadã brasileira, não posso admitir que tais questões fiquem impunes.....Clamo por punição à Faber-Castel. Obrigada pela atenção.......

Sandra Aparecida Barbosa de Oliveira- Jornalista

Bartira Martins disse...

Mas esta briga não deve ser isolada. Como fazer para torná-la coletiva? Contra a Faber Castell...e contra todos e todas que fazem por merecer!

Bebel disse...

Como prof. de Artes já ouvi muito aluno perguntando:
- Não tem tinta cor de pele ? (aboli essa tinta da minha sala)
- Como eu faço a cor de pele ?

Eu respondo : - A minha pele eu pego marron, e um pouquinho do amarelo
- Como você acha que pode ser a sua ?

E deixo pra cada um decidir, dando dicas de misturas, etc.

poetas_lusófonos disse...

Bartira, concordo contigo, a briga não deve ser isolada, daí eu trazer para cá, levar para comunas de professores, o vi o mundo e outros blogs fazer a denúncia. Denise sob consultoria do Adami, vai entrar em contato conosco.
Eu acho que poderíamos pensar em todas as empresas onde a tal cor da pele é usada (as de meia calça por exemplo, as outras tintas (não é apenas as de lápis de cor); o bandeide, que mais? Poderíamos organizar listas de empresas cujos produtos tem esta conotação ou outras que acirra o racismo e iniciar uma campanha de protesto, dá uma olhadinha no post do 11 de setembro e do grupo que faz ativismo pela rede é muito interessante.
abraços

JOSÉ RAIMUNDO disse...

NÓS NEGROS,TEMOS QUE TOMAR CUIDADO COM A ABORDAGEM DESSE ASSUNTO,PARA QUE EM ALGUM MOMENTO UM COMENTÁRIO OU UM DEPOIMENTO NÃO EXPRESSE UMA POSIÇÃO AINDA MAIS RACISTA.TODOS QUEREM SER IGUAIS E DIFERENTES,TODOS QUEREM TER OS MESMOS DIREITOS E OPORTUNIDADES,MAS SAIBAMOS NÓS QUE CADA UM É PERFEITEMENTE CAPAZ DE GERAR TUDO ISSO E MUITO MAIS!APENAS ACREDITEM EM SI.

segis disse...

Colega,constatei que na Prefeitura de São Paulo as caixas de lápis de cor com doze unidades,não consta o nome das cores nem na caixa e nem nos lápis. Pelo em 2008, essa é a realidade no Ensino Fundamental.

é disse...

Oi Ségis, muito possivelmente é porque as caixas Faber Castell compradas pela PMSP são as do tipo 12 cores. A tal cor pele (de quem?) está presente na caixa de 36 cores.
abraços

Deborah Leanza disse...

Eu sempre questionei minhas sobrinhas e meu filho quando falavam que iam usar o lápis cor de pele alegando que a "professora falou que é pra usar esse lápis para colorir os corpinhos no desenho", propondo a reflexão: "Que cor de pele? Cor de pele de quem? Todos os seus amigos têm a mesma cor de pele?". Bem, fico feliz porque hoje meu filho deixou de utilizar essa expressão, aponta quais as matizes de seus amigos (se auto definindo como bege amarelado, rs) e agora colore suas meninas e meninos de tooooooooodas as cores.
Aproveito para passar o link de uma comunidade absurda do orkut, cujo análise do conteúdo cabe nessa discussão. Já denunciei como abuso. Espero que mais pessoas façam o mesmo. http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=20530558

Anônimo disse...

Já tentaram ligar no SAC da Faber-Castell 0800-701-7068 pra tentar um contato com o gerente de produtos de escrever e pintar? Pois já que essa é uma questão cultural, outras empresas também trabalham essa denominação, não é difícil de encontrar.

Cássia disse...

Constatei que nem nas caixas de lápis 36 e nem 48 existe essa nomenclatura de cor... vcs deveriam era deixar de procurar dinheiro fácil às custas dos outros.

maria fro disse...

Cássia o nome já foi retirado.