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domingo, 8 de junho de 2008

Estilos de vida e desigualdades: Onde, quem e o que se come em uma semana e outras reflexões

Você sabe o tamanho da fome no mundo?
Faça uma visita no site do United Nations World Food Programe
Agora, dêem uma olhada no tamanho da família, na dieta alimentar de cada país, na disponibilidade de alimentos, quantidade e variedade dos alimentos e nos dados sobre as despesas com alimentação em 1 semana, representados nas imagens.
Observação, cliquem em cada imagem para vê-la em tamanho ampliado.

1 - Alemanha: Família Melander de Bargteheide.
Despesa com alimentação em 1 semana: 375.39 Euros / $500.07 dólares


2 - Estados Unidos da América: Família Revis da Carolina do Norte Despesa com alimentação em 1 semana: $341.98 dolares


3 - Italia: Família Manzo da Secília Despesa com alimentação em 1 semana: 214.36 Euros / $260.11 dolares


4 - México: Família Casales de Cuernavaca Despesa com alimentação em 1 semana: 1,862.78 Pesos / $189.09 dólares


5. Polônia: Família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna
Despesa com alimentação em 1 semana: 582.48 Zlotys / $151.27 dólares

6 - Egito: Família Ahmed do Cairo Despesa com alimentação em 1 semana: 387.85 Egyptian Pounds / $68.53 dólares


7 - Equador: Família Ayme de Tingo Despesa com alimentação em 1 semana: $31.55 dólares


8 - Butão: Família Namgay da vila de Shingkhey Despesa com alimentação em 1 semana: 224.93 ngultrum / $5.03 dólares


9 - Chade: Família Aboubakar do campo de refugiados de Breidjing
Despesa com alimentação por semana: 685 Francos / $1.23 dólares


10- E no Brasil?

Como você representaria a família brasileira em sua dieta alimentar em termos de custos, número de membros, quantidade e qualidade da dieta alimentar?
Será que em nosso país encontramos exemplos que vai de uma família média da Alemanha a de uma do Chade?
Considerando o que o nosso organismo necessita para se manter saudável, comemos bem ou mal?
Excetuando os extremos da pobreza onde as pessoas são obrigadas a viver com menos do que necessitam para a sobrevivência, comer bem é só uma questão financeira?

Observe a variedade e qualidade de alimentos industrializados e in natura que aparecem nas fotos. Quem come melhor?

Vamos continuar a nossa conversa sobre a fome:

A fome é a escassez de alimentos que, em geral, afeta uma ampla extensão de um território e um grande número de pessoas.

A fome no mundo


  • Cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto;
  • 1 bilhão são analfabetos;
  • 1,1 bilhão de pessoas vivem na pobreza, e destas, 630 milhões são extremamente pobres, com renda per capta bem menor que 275 dólares (cerca de R$ 530,00) por ano;
  • 1,5 bilhão de pessoas sem água potável;
  • 1 bilhão de pessoas passando fome;
  • 12,9 milhões de crianças morrem a cada ano antes dos seus 5 anos de vida;
  • mais de 20 milhões de pessoas morrem por ano por causa da fome.
  • Quase 200 milhôes de crianças com menos de 5 anos estão subnutridas e abaixo do peso (uma para cada três no mundo);
  • Mais de 800 milhões de pessoas sabem o que é ir dormir com fome;
  • Uma criança morre a cada 5 segundos de fome e de causas ligadas a fome.
  • Má nutrição infantil causa retardo mental e atordoamento.

Fonte: The State of Food Insecurity in the World, Food and Agriculture Organization os the United Nations.

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Um planeta de famélicos e obesos

Clique na imagem para ampliar, fonte: Portal Saúde.gov

Junho 6, 2008
Na primeira semana de junho de 2008 ocorreu em Roma uma reunião da FAO para tratar do problema da crise alimentar global que ameaça milhões de pessoas.

As análises destacam que o problema vem sendo agravado pela concentração da distribuição de alimentos e matérias-primas para a sua produção em mãos de poucas, mas poderosas, empresas. Enquanto isso, são os pobres, e especialmente as crianças, que mais sofrem com a crise alimentar.

50 chefes de Estado e de Governo, 150 ministros de Agricultura e cerca de 20 responsáveis de instituições supranacionais se reúnem desde terça-feira (03/06) até (05/06) na sede da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) em Roma para tratar de resolver a crise alimentar global que ameaça milhões de pessoas.

O rascunho das conclusões da reunião, ao qual os países estão dando os últimos retoques por grupos regionais, desenha um futuro "de imenso sofrimento humano, assim como de descontentamento social e instabilidade política, que ameaçam colocar em perigo o desenvolvimento econômico e social".

Um dado facilitado pela FAO resume graficamente a situação: do lado infeliz há 820 milhões de cidadãos passando fome; entre eles, 178 milhões de crianças desnutridas. Do lado afortunado, 1 bilhão de seres humanos sofrem de sobrepeso; desses, 300 milhões já são obesos.

No relatório que será apresentado à reunião, a FAO admite que os dados da fome não variaram desde 1990, o que equivale a assumir que as políticas desenvolvidas até agora foram um fracasso. O estudo atribui a crise à mudança climática, à escassez de cereais (a produção está no mínimo histórico desde 1983), ao aumento da demanda na China e na Índia, ao preço do petróleo, à elaboração de biocombustíveis, à especulação que domina os mercados de futuros de sementes e matérias-primas, e a uma política agrícola e comercial protecionista e não solidária.

Muitos problemas diferentes que, se não forem resolvidos rapidamente, podem piorar o panorama. Segundo a Oxfam, se os países continuarem investindo em biocombustíveis e não em alimentos para o consumo humano, em 2025 haverá 600 milhões a mais de esfomeados no mundo.

Um fenômeno recente começa a preocupar os especialistas: junto com a desnutrição que grassa uma parte do mundo, a má alimentação começa a causar estragos na outra metade. No México, o número de pessoas obesas e com sobrepeso duplicou entre a população mais pobre entre 1988 e 1998, e chega hoje a 60%.

A culpa, destacam diversas ONGs que participam da reunião, não é tanto dos países mas de um modelo liberal em que mandam as multinacionais e os intermediários. Segundo Antonio Onorati, da Crocevia, "os preços agrícolas são decididos pelos grandes distribuidores, cadeias como Auchan ou Wal-Mart que compram diretamente dos produtores e ganham a fatia maior do preço final".

Marco de Ponte, secretário-geral italiano da Ajuda e Ação, tornou pública a lista das cinco empresas que controlam mais de 80% do mercado de cereais, com os lucros de 2007: Cargill (36%), Archer Daniels Midland (67%), ConAgra (30%), Bunge (49%) e Dreyfuss (19% em 2006).

Outro setor em expansão é o dos produtores de sementes, herbicidas e pesticidas: Monsanto, Bayer, Dupont, Basf, Dow, Potashcorp. "A globalização alterou a relação comercial da agricultura", explica Alberto López, representante espanhol na FAO. "O capital que antes especulava em imobiliárias está hoje na compra de futuros de matérias-primas. A demanda cresceu muito rapidamente e é necessário conter o impacto facilitando a distribuição, a eficácia produtiva e o consumo responsável".

A FAO propõe soluções a curto, médio e longo prazos: mais dinheiro, mais ajuda aos países pobres, um comércio mais justo, melhor coordenação entre as instituições e as ONGs, potencializar a produção em pequena escala, orientada ao consumo local e regional.

Entretanto, os preços cada vez mais altos dos alimentos estão agravando o problema para a parte mais frágil da cadeia, a infância. A organização Médicos sem Fronteiras exige em Roma ajuda imediata para as 20 milhões de crianças que sofrem de desnutrição aguda. "Nas últimas semanas vimos um aumento brutal de casos na Etiópia, onde já há 120.000 crianças em situação de emergência médica", lembra Javier Sancho.

Miguel Mora, El País, 03-06-2008. A tradução é do Cepat.
(www.ecodebate.com.br) publicado pelo IHU On-line, 05/06/2008- [IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos, em São Leopoldo, RS.

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PROBLEMATIZANDO:

Será que existe comida suficiente no mundo para alimentar a todos? Enfim, é possível pôr fim a este terrível mal tão duradouro em nossa história?

Na Conferência de Roma, há dois dias, o Diretor Geral da FAO, Jacques Diouf, disse que o mundo precisa de US 30 bilhões anuais para garantir alimentos a todos os seres humanos.

Em seu discurso, Diouf afirmou que no ano de 2006 o mundo gastou US 1,2 trilhão em armamentos, desperdiçou US 100 bilhões em comida e outros US 20 bilhões foram devorados por obesos.

“Frente a esse pano de fundo, como explicamos a pessoas com sentido comum e boa fé que não é possível encontrar US 30 bilhões ao ano que permitam a 862 milhões de pessoas famintas usufruir o mais elementar dos direitos humanos: o direito à alimentação, e portanto o direito à vida?”, perguntou-se Diouf.

Apenas para efeito de comparação, o Blog do Mello faz as seguintes perguntas:

1. Quanto os Estados Unidos gastam por dia na guerra do Iraque?

a) US 100 milhões

b) US 270 milhões
c) US 525 milhões
d) US 720 milhões

Enquanto você pensa e eu não divulgo a resposta certa, mais um dado para comparação: a sonegação da Daslu foi de R$ 1 bilhão (o que daria para alimentar mais de 17 milhões de pessoas, usando os números da FAO).

A resposta correta à pergunta é a alternativa D. Ou seja, a cada 42 dias os Estados Unidos detonam os US 30 bilhões que seriam necessários para garantir alimento aos famintos do mundo.






Como a invasão ao Iraque aconteceu em 20 de março de 2003, são cinco anos (1827 dias – foram bissextos os anos 2004 e 2008), mais os 77 dias de 20 de março até hoje, o que dá um total de 1904 dias, o suficiente para matar a fome do mundo por aproximadamente 48 anos.





Agora, o que os Estados Unidos fizeram com o dinheiro:

2. Qual a população do Iraque?

a) 52 milhões de habitantes
b) 12 milhões de habitantes
c) 27 milhões de habitantes
d) 100 milhões de habitantes

3. Quantos iraquianos foram expulsos de suas terras?

a) 1 milhão
b) 100 mil
c) 5 milhões
d) 3 milhões

4. Quantos iraquianos foram mortos?

a) 750 mil
b) 1 milhão
c) 500 mil
d) 17 mil

5. Quantos iraquianos estão refugiados no exterior?

a) 3 milhões
b) 500 mil
c) 720 mil
d) 2,4 milhões

As respostas corretas são: C, C, B, D (Fonte: Rebelión)

Em sua opinião, isso é:

a) Uma estupidez
b) um crime
c) o capitalismo
d) todas as alternativas
e) outra coisa: diga qual.

(O texto acima criativo e problematizador foi tomado de empréstimo do blogueiro Mello).

Para encerrar reproduzo um vídeo produzido em 2006 cuja temática é a guerra iniciada após invasão das tropas estadunidenses e seus aliados no Iraque em 2003. O vídeo foi produzido por um brasileiro que reuniu uma série de fotos divulgadas na imprensa e sites da rede sobre o conflito. Há cenas de guerra, tortura e muita violência. Minha questão é: as cenas são fortes, sem sobra de dúvida, ignorá-las diminuirá os danos já provocado por este conflito que só atende a indústria bélica e a interesses imperialistas?

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6 comentários:

Roseane, disse...

Muito bom teu post.

maria fro disse...

Obrigada, precisamos problematizar esta questão para poder resolver os grandes problema, não é?
abraços

Clau disse...

Acabo de ver a matéria completa sobre alimentação no mundo e desigualdade. Ficou recheada de informações muito valiosas e reflexivas!!!! Valeu, garota, pelo trabalho!!!

Clau disse...

Querida Conceição
A cada dia vejo seu trabalho crescer em qualidade e dignidade. É realmente muito bom saber que temos uma profissional como vc atuando na área da educação, com um grande compromisso com a verdade e seriedade!!!! Nós educadores, pais e professores, temos prendido muito contigo, obrigada!!!! Sucesso sempre!!!

é disse...

Olá professora Claudine, que bom vê-la deixando seu testemunho por aqui. Que bom que de algum modo possa contribuir para o seu trabalho e esforços que conheço e admiro.
Um grande abraço
Conceição

é disse...

Assisti ontem ao documentário Caminho para Guantanamo. Seu diretor trabalha com depoimentos reais dos jovens britânicos que ficaram anos presos, acusados de terrorismo (um deles e os amigos foram para o Paquistão para casar-se e os amigos para a cerimônia). Resolveram ir até o Afeganistão estimulados por um líder religiosos para prestarem ajuda humanitária, quando foram presos.
É um filme imperdível e passamos a nos questionar como é possível o imenso silêncio que se faz desse tema no nosso país.