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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

HONDURAS: a economia de um golpe

Reproduzido de Agência Carta Maior

Internacional 03/08/2009

Os interesses econômicos que sustentam o golpe em Honduras

Por Frida Modak*

Honduras tem muito petróleo, conforme mostraram as prospecções feitas por uma empresa norueguesa há um ano, a pedido do presidente Zelaya. O presidente deposto acionou judicialmente as empresas estadunidenses que vendiam petróleo caro a seu país e se juntou ao grupo Petrocaribe, criado pela Venezuela. O projeto de Zelaya para a nova Constituição previa que os recursos naturais de Honduras não poderiam ser entregues para outros países. O artigo é de Frida Modak, ex-secretária de imprensa do presidente Salvador Allende.

Completou-se um mês do golpe de Estado em Honduras e, como em toda a ditadura, se mantém o Estado de Sítio, as garantias individuais existem só no papel e os poderes Legislativo e Judiciário são um apêndice do regime de fato. Os hondurenhos, assim como a quase totalidade dos povos latinoamericanos, já viveram essa realidade antes e a rechaçam.

A comunidade internacional também rechaçou o golpe de 28 de junho e adotou acordos claros de condenação aos golpistas, demandando a restituição em seu cargo do presidente constitucional Manuel Zelaya. Mas as coisas já não são tão claras nem categóricas e os motivos são alheios aos interesses do povo hondurenho e dos latinoamericanos em geral. Da mesma maneira, as justificações dadas pelos golpistas não são verdadeiras porque o golpe serve aos interesses do grupo de poder encabeçado pelo ex-vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, cujos operadores há tempo pululam pela região e buscam infiltrar-se nos governos.

O grupo de Cheney, do qual são parte também os Bush, se interessa fundamentalmente no petróleo, por isso invadiram o Iraque e o Afeganistão, avançaram contra o Irã e tentam derrubar o presidente Hugo Chávez, fazem o mesmo com Evo Morales, atacam o presidente equatoriano Rafael Correa e desejam o petróleo cubano da zona do golfo do México.

Honduras tem muito petróleo, como disse Gerardo Yong no dia 19 de julho. As prospecções foram feitas por uma empresa norueguesa há um ano, convocada pelo presidente Zelaya que, como já foi informado, acionou judicialmente as empresas estadunidenses que vendiam petróleo caro a seu país e se juntou ao grupo Petrocaribe, criado pela Venezuela.


A empresa norueguesa que fez as prospecções e as financiou, entregou um relatório ao governo de Zelaya e ficou com uma cópia que pode negociar com empresas que estejam interessadas na informação sobre essas reservas. Para além disso, porém, e isso se sabia, se fosse aprovada a consulta destinada a determinar se deveria ser instalada a quarta urna nas eleições de novembro, na qual se votaria sim ou não à convocação de uma Assembléia Constituinte, o projeto de Zelaya na eventual nova Constituição era estabelecer que os recursos naturais do país não poderiam ser entregues para outros países.

Em conseqüência, o pretexto para o golpe de Estado foi a consulta sobre a quarta urna, mas o objetivo foi evitar que se pudesse ditar uma Constituição que impedisse apoderar-se do petróleo hondurenho. Nessa conspiração, estiveram Otto Reich e sua “fundação” Arcadia, e o embaixador estadunidense em Honduras, Hugo Llores, nomeado pelo governo de Bush e Cheney. Mas também participaram do complô os donos dos meios de comunicação, porque se estimava que a nova Constituição deveria promover uma distribuição igualitária do espectro radioelétrico, garantindo a participação dos grupos comunitários. Daí a desinformação que sai hoje de Tegucigalpa.

As mediações

Na reunião da Assembléia Geral da OEA, realizada em São Pedro Sula, Honduras, viu-se que a secretária de Estado dos EUA não gostou da intervenção do presidente Zelaya em defesa da revogação da expulsão de Cuba desse organismo. Dado o escasso conhecimento da sra. Clinton sobre a América Latina e estando ela rodeada de funcionários do “establhisment” e de outros mais perigosos, como John Negroponte, sua reação ao golpe hondurenho foi superficial, assim como foram vagos os comentários iniciais feitos pelo presidente Obama.

Quando toda a América Latina e o Caribe, a Assembléia Geral das Nações Unidas e a União Européia já tinham condenado categoricamente o golpe e pediam a restituição de Zelaya, os EUA modificaram seu discurso e o Departamento de Estado propôs a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, em um contexto que pedia, na verdade, o cumprimento dos acordos das entidades internacionais. Arias, que não foi “o” pacificador da América Central, porque foram muitos, e que recebeu um prêmio Nobel da Paz destinado originalmente a Costa Rica por ser um país sem exército, aceitou a mediação e entregou uma proposta que foi rechaçada pelos golpistas porque defendia a restituição de Zelaya na presidência. Então, elaborou outra fórmula, que satisfaz melhor os interesses estadunidenses, na medida em que converte Zelaya em uma figura decorativa e antecipa as eleições de novembro, com o que se passa um borrão, zera-se a conta, e o golpe de Estado desaparece em um passe de mágica.

Esta segunda proposta tropeça no mesmo obstáculo; o regime de fato sequer aceitou a restituição de Zelaya no cargo de presidente e deu início a uma farsa mediante a qual “consultarão” os outros poderes. O Legislativo se reuniu e tratou de vários pontos da proposta, menos o relativo à restituição do presidente. O poder Judiciário tampouco aceitou esse ponto, sobretudo pelo fato de que o presidente da Corte Suprema já reconheceu que ele também poderia ocupar a presidência de acordo com a “Constituição”, justificando o golpe como “um caso de necessidade”.

Neste contexto, o secretário geral da OEA buscou outros mediadores: os ex-presidentes Ricardo Lagos, do Chile, e Julio Maria Sanguinetti, do Uruguai, aos quais se somaria o peruano Rafael Pérez de Cuellar, ex-secretário geral da ONU. Ao escrever estas linhas ainda não havia sido formulada a idéia, mas outra equipe mediadora implica dar mais tempo ao regime de fato e, com isso, pode-se terminar avalizando a trapaça para chegar às eleições de novembro ou antecipá-las, deixando o golpe de Estado no limbo.

Os golpistas

Como se tornou visível, os golpistas vivem em um passado muito passado. Quando se reuniram no Congresso para “substituir constitucionalmente” a Zelaya, a sessão parecia com a de uma confraria de séculos atrás, com todo um cerimonial que já não é empregado em parte alguma. Seus chanceleres dão uma idéia do segmento social que representam. Ortez, o primeiro deles, retratou a todos quando disse a respeito de Barack Obama: “esse negrinho não sabe onde fica Tegucigalpa”. Mudaram-no de lugar, mas quando foi falar do secretário geral da ONU, repetiu a dose: “esse chinesinho que não me recordo como se chama”.

Ortez já está em sua casa, mas por ser imprudente e não porque suas palavras não representem o pensamento da soberba oligarquia hondurenha que tomou o poder, entre os quais há muitos com aparência de “negrinhos” e “chinesinhos” que não se vêm a sim mesmo como tais, mas sim ao povo que desprezam. Portanto, o desafio que representa a reação popular ao golpe é intolerável.

O grupo golpista é liderado por Roberto Micheletti, um empresário do setor de transporte que fez fortuna. Nunca conseguiu que seu partido, o Liberal, o nomeasse candidato à presidência; perdeu em todas as oportunidades que tentou e tem a fama de homem bruto. Na Secretaria de Defesa dos Direitos da Mulher há três denúncias contra ele, sendo que nenhuma delas foi levada adiante pelo órgão.

Um dos incidentes ocorreu na reunião de seu partido que definiu o candidato presidencial do Partido Liberal para as eleições de novembro. Micheletti não só perdeu, como foi vaiado pelos assistentes. Como prêmio de consolação, deram a ele a presidência do Congresso e quando ia subir no palanque do encontro, uma jovem do grupo de protocolo, chamada Suyapa, pediu que ele esperasse um momento porque não tinham terminado de colocar as cadeiras. Irritado pelas vaias que havia levado, Micheletti desferiu um tapa na cara de Suyapa, causando-lhe um corte na boca.

Um mês de protesto popular

Desde o momento em que os hondurenhos se inteiraram do golpe de Estado, é preciso recordar que os meios de comunicação foram censurados, e os protestos têm sido permanentes. Os manifestantes estão na rua todos os dias e não estão dispostos a ceder. A imprensa dos EUA reconheceu isso e realizou pesquisas rápidas junto aos manifestantes. Eles responderam que Zelaya foi o primeiro presidente que havia se preocupado com eles e que com quem podiam falar sem termos sobre seus problemas e aspirações. O resultado dessas pesquisas foi publicado pelo Washington Post.

Em Honduras, que tem um pouco mais de 7 milhões de habitantes, a maioria é pobre, mas há cerca de 1,5 milhão que são absolutamente pobres. O governo de Zelaya começou a se ocupar dessa parcela da população através do programa Rede Solidária, coordenado pela esposa do mandatário. Para determinar o grau de pobreza, tiveram que fazer uma medição baseada em averiguar se comiam. E se a resposta fosse afirmativa, perguntar o quê e quantas vezes ao dia.

Também foi preciso estabelecer onde e como viviam, se era em casas, se essas casas tinham portas e janelas, se tinham algum serviço, porque não tinham trabalho nem endereço fixo. Cerca de 200 mil famílias já tinha sido incorporadas ao programa e, desde o início do golpe, não recebem ajuda alguma. Inclusive é possível que não alguns nem saibam o que ocorreu; outros saberão por causa da repressão.

No entanto, apesar do Estado de Sítio e do toque de recolher, aumenta a cada dia o número dos que chegam a El Ocotal, na Nicarágua, para somar-se ao acampamento daqueles que apóiam o presidente Zelaya, que se encontra ali, depois de ter ingressado em território hondurenho (e retornado). O presidente solicitou às Nações Unidas o status de refugiado e a ajuda correspondente a todos os que estão ali para acompanhá-lo, porque se regressarem a Honduras estão ameaçados com uma condenação a seis anos de prisão por “traição à pátria”, a qual, pelo visto, só pertence aos golpistas.

Ao longo desta semana, estão convocadas greves e muitas outras manifestações de protesto. A pergunta que fica é até que aponto podem seguir sendo ignoradas e reprimidas em defesa de interesses alheios e de um governo ilegítimo. Ainda mais quando essa manipulação aponta também para toda a América Latina e para as instituições criadas recentemente: Unasul, Mercosul, Alba, Petrocaribe, Banco do Sul, Grupo do Rio e alguma outra que me escapa agora, na medida em que priorizam os interesses da região.

*Frida Modak é jornalista, foi secretária de imprensa do presidente Salvador Allende, no Chile.

Tradução: Katarina Peixoto

quinta-feira, 9 de julho de 2009

La Prensa: o jornal picareta

Parece que a revista Isto é está fazendo escola.

Vejam o cúmulo que o jornal hondurenho La Prensa, que apóia o golpe em Honduras, chegou:

Clique na imagem pra ampliá-la)

A fonte é do blog do Eduardo Guimarães, o Cidadania.com. como suas postagens não tem links individuais, consultem a postagem do dia 08/06/2009 das 20:13hs.

A foto foi manipulada por um programa de computador e publicada no jornal La Prensa. A foto original do jovem Isy Obed Murillo, assassinado pelo exército hondurenho golpista, pode ser vista neste blog, nesta postagem aqui

MR. PRESIDENT JOHN MCCAIN, O OFICIAL E O PARALELO

por Laerte Braga

Não é só Honduras que tem um governo constitucional e um governo paralelo por força de realidades golpistas. Os Estados Unidos também. Barack Obama venceu o senador John McCain nas eleições do ano passado. Venceu no voto popular e no Colégio Eleitoral. Diferente de George Bush, que perdeu em 2000 no voto popular e venceu no Colégio Eleitoral numa fraude bisonha, mas que norte-americanos engoliram goela abaixo para não “fraturar” a democracia do país.

Onde fraude impede fratura não sei, mas lá ficou assim.

Obama tomou posse, anunciou ao mundo uma nova era e transformou o governo do seu país num espetáculo itinerante. Primeiro presidente supostamente negro, de origem humilde, criado por muçulmanos e com uma estrela de primeira grandeza em seu ministério, a secretária de Estado Hillary Clinton, sua adversária no partido Democrata.

É o governo oficial.

McCain voltou ao Senado e juntou os cacos do governo Bush, principalmente Dick Chaney, o ex-vice-presidente, figura principal dos anos de terror republicano e montou o governo paralelo.

É que comanda os EUA.

O golpe militar em Honduras foi pensado, planejado e desfechado por militares hondurenhos a soldo de empresários de seu país associados a empresários norte-americanos, tudo por baixo dos panos da CIA e das articulações de Chaney e McCain.

Chamam isso de patriotismo. De defesa da democracia. São os “negócios”.

O governo oficial condenou o golpe, Obama falou em volta do presidente deposto Manuel Zelaya e tudo ficou do mesmo tamanho.

O governo paralelo de McCain convidou os golpistas a enviarem uma delegação a seu país, promoveu encontro com políticos, empresários e na prática, no paralelo, legitimou o golpe.

Não importa que Obama tenha se recusado a receber os “patriotas”. O golpe já estava consumado.

Hillary Clinton, mais na real, percebeu toda a movimentação, a impotência do governo oficial para enfrentar os golpistas sem “fraturar” a tal democracia norte-americana e foi logo propondo um acordo em que parece que a legalidade fica salva, mas a prática golpista permanece.

O governo paralelo está governando os EUA. O governo oficial ainda não achou o caminho ou a chave da porta do país. E conta, de quebra, com o vice-presidente Joe Binden para o meio de campo, coisa assim do tipo “os caras não vão engolir isso, é melhor assim ou assado”.

Nessa confusão toda, vão assando Obama.


A solução de acordo agradaria a generais hondurenhos que não admitem o “desprestígio” de voltar atrás no golpe e contam com generais norte-americanos como aliados. Honduras já foi conhecida como “porta aviões” dos EUA. Há uma base com 500 soldados norte-americanos e forte armamento.

Obama não tem controle sobre os generais de seu país. McCain sabe como tratá-los, é considerado herói da guerra do Vietnã, exatamente a que perderam de forma clara e definitiva.

As ofensas racistas do “chanceler” do governo golpista ao presidente oficial dos EUA e que valeram hoje protestos oficias do governo de Obama, refletem o pensamento das elites de ambos os países. O mesmo embaixador que encaminhou o protesto, foi o artífice do golpe.

A primeira decisão de Obama ainda não foi tomada. Se é negro de fato, ou só de cor da pele e se assim o for, aí é branco.

“El negrito” não é da lavra do “chanceler”. É a forma como o governo paralelo de McCain enxerga e trata Obama. É como se referem ao presidente oficial os que detêm o poder real nos EUA.

Toda a virulência da linguagem do presidente golpista de Honduras, Roberto Michelletti, deriva daí. Ele e seu grupo, empresários hondurenhos ligados a empresários norte-americanos, enfrentam Barack Obama sem qualquer receio ou constrangimento, pois sabem que têm o apoio, mais que isso, o estímulo do governo paralelo de McCain.

Dick Chaney continua sendo o principal formulador das reais políticas dos EUA.

O golpe militar em Honduras é só um teste para aventuras maiores. Brasil, Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Paraguai, El Salvador, Cuba, Equador, todas as antigas colônias latino-americanas.

Não há exagero em dizer que o governo paralelo de McCain é como um esquadrão da morte em dimensão mundial. Aviões não tripulados atacaram um acampamento no Paquistão e mataram 45 pessoas. Segundo eles “insurgentes”. Segundo o governo do Paquistão -- que é aliado dos norte-americanos -- um ataque desnecessário, que revolta a população, viola a soberania do país e inflama o povo contra o governo e o leva a proteger “insurgentes”.

O grande problema de Barack Obama é que eles quebraram o país, mas deixaram a bomba em suas mãos. Se explodir a culpa é dele. Eles voltam, saem do paralelo (diferente de clandestinidade, pois agem à luz do dia). E muito pior que isso. O que parecia ser uma nova era, volta a ser um túnel tenebroso e sem perspectivas de saídas. Tem quem acredite nessas histórias de mocinho acabando com bandido versão Hollywood. Sempre sabemos quem é bandido ou qual é o mocinho em se tratando dos EUA.

Para os latino-americanos a alternativa é a luta. A organização popular. A resistência. Sabendo de antemão que o grosso de seus militares -- que em tese seriam a garantia da soberania e da integridade territorial -- são controlados à distância por Washington, pelos porões de Washington. Vide o caso do general brasileiro Augusto Heleno, ex-comandante militar da Amazônia e hoje garoto propaganda da VALE. Cumpre o ofício em palestras “patrióticas” Brasil afora.


O que está acontecendo em Honduras é bem mais que Honduras. Permanece intocada, muito bem guardada, a grande teia golpista que comandou as ditaduras militares na América Latina no século passado.

E levam de lambuja a mídia dominada, comprada e vendendo a idéia do colonizador. Yes, Barra da Tijuca. Yes, FIESP/DASLU. Yes, José Serra. Essa estranha cunha criada pelo neoliberalismo e que chamam de classe média achando que New York e a Broadway estão ali, é só virar a esquina. Ou apertar o controle remoto e ligar o aparelho de tevê.

Yes Tegucigalpa.

Tudo termina em Hollywood, ou, se for no Brasil, acaba no programa do Faustão. E congêneres.

Não deixe de tomar o remédio mágico do grande irmão, a pílula que nos transforma em consumidores desvairados no estrito cumprimento do dever. É servida diariamente em doses maciças no JORNAL NACIONAL. Ou qualquer veículo da grande mídia.

No mais, já está à disposição de todos na rede mundial de computadores o encontro de Elvis Presley e Michael Jackson no céu.

O governo paralelo de McCain é capaz de prodígios inimagináveis.

O governo oficial de Obama é de brincadeira. Para inglês ver. Se é que inglês enxerga alguma coisa desde Margareth Thatcher. Ou na versão de um tucano brasileiro, de plantão no assalto aos cofres públicos na cidade mineira de Juiz de Fora, prefeito, “a Inglaterra acabou depois que acabaram com o fog. Perdeu a graça”.

De tudo fica a lição da luta popular. De lutadores invencíveis. Em qualquer circunstância. Como naqueles filmes de ficção (nem tanto), em que humanos lutam com andróides.

Navegar é isso. Acaba sendo viver. E assim a luta não pára.

Eles também aprenderam isso e vão aprender mais, bem mais. Vão aprender que não têm a liberdade na palma da mão, não podem fechar os punhos e prendê-la. O povo de Honduras está mostrando isso.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

América Latina: aprofundamento ou restauração?

04/07/2009

Por Emir Sader

Três acontecimentos simultâneos refletem, em direções distintas, os dilemas latinoamericanos atuais: o golpe em Honduras, a derrota eleitoral dos Kirchner na Argentina e a escolha dos candidatos a presidente para as eleições uruguaias. Os três apontam para o tema da continuidade e aprofundamento dos processos de transformação que estão vivendo grande parte dos países latinoamericanos ou a restauração conservadora, com o retorno da direita aos governos da região.

O golpe em Honduras – que tem possibilidade de ser revertido pela rejeição internacional e pelas mobilizações populares internas – aponta para a tentativa do presidente Zelaya de obter um segundo mandato via referendo, para dar continuidade ao processo recém iniciado de transformações internas na contracorrente do neoliberalismo até então vigente no país. O golpe, por sua vez, dado pela cúpula do Judiciário, das FFAA e do Congresso, expressa a inércia das forças conservadoras que sempre dirigiram a Honduras. Zelaya, filho desgarrado do Partido Liberal que, em rodízio com o Partido Conservador, dirigiram por décadas ao país, de forma praticamente harmônica.

Como sinal dos tempos e da perda de influência norteamericana, especialmente durante o governo Bush, a onda de novos governos no continente chegou à América Central, através da Nicarágua, de Honduras e, mais recentemente, de El Salvador. A direita, comandada pela imprensa oligárquica – similar à que se estende a praticamente todo continente -, se precipitou e pode pagar um preço caro por isso. Zelaya termina seu mandato no fim do ano, já havia afirmado que a consulta informal, caso levasse à introdução da reeleição, não afetaria seu mandato, que terminaria em janeiro de 2010.

Confirmando que se pode tudo com as baionetas, o golpe dificilmente viabilizará o governo que pretende se instalar. Resta saber se Zelaya retornará enfraquecido, cumprindo o final do mandato seu capacidade de iniciativas, abandonando o referendo. Ou se sentirá fortalecido, retomando a consulta e punindo pelo menos alguns dos golpistas. Caso ocorra esta segunda hipótese, o tiro terá saído pela culatra para a direita e Zelaya poderá dar continuidade ao processo de transformações recém iniciado em Honduras. Se a ofensiva fracassa, como havia acontecido com as aquelas contra Hugo Chavez, contra Lula, contra Evo Morales e contra os Kirchner, se consolida a idéia de que o contexto continental impede novos golpes militares, notícia importante para os governos progressistas e, na área, para o recém começado governo de Mauricio Funes em El Salvador, em particular.

A derrota eleitoral do governo Kirchner se dá no marco da contraofensiva da direita, iniciada com a mobilização do campo contra a elevação de impostos, no cenário dos ganhos monstruosos que, especialmente a exportação de soja, permitiu nos últimos anos na Argentina. Aproveitando-se do erro do governo de taxar a grandes, médios e pequenos proprietários de maneira indiferenciada, favorecendo a unificação do campo sob a direção dos grandes exportadores sojeros, a direita conseguiu articular aliança desses setores com a classe média branca de Buenos Aires, colocando o governo na defensiva. As eleições refletem essa mudança na relação de forças entre governo e oposição, com o governo perdendo maioria no Parlamento e condenando a Cristina Kirchner a difíceis 2 anos e meio, alem de alentar a direita para a possibilidade de conseguir derrubar o primeiro dos governos progressistas eleitos na região.

No Uruguai, o candidato que mais diretamente expressa a possibilidade de aprofundamento da superação do modelo herdado por Tabaré Vasquez, é seu ex-ministro da agricultura, Pepe Mujica, ex-dirigente tupamaro, que derrotou o candidato da preferência de Tabaré, o moderado Danilo Astori, ex-ministro da economia. Aqui, sendo favorito para ganhas as presidenciais, Mujica aponta para o aprofundamento das transformações começadas no Uruguai, enquanto na Argentina se aponta para o risco de uma restauração conservadora e em Honduras, depende do desenlace da crise. Trata-se dos mesmos dilemas do Brasil nas eleições presidenciais de 2010.

Fonte: Agência Carta Maior

Racismo e preconceitos de toda a ordem é o que não falta à elite econômica latinoamericana.


Manifestação em 5 de julho de 2009 em Tegucigalpa, Honduras, em apoio ao presidente Manuel Zelaya que tentou retornar ao país, após ter sido deposto por um golpe militar.

Manifestação em 5 de julho de 2009 em Tegucigalpa, Honduras, em apoio ao presidente Manuel Zelaya que tentou retornar ao país, após ter sido deposto por um golpe militar.

Recentemente tivemos o exemplo da turma da Média Luna, Santa Cruz, Bolívia, que não engole ver um presidente de origem indígena governar o país e fazer reforma agrária. O mesmo podemos dizer da elite Venezuelana que se apodera dos meios de comunicação e parece um partido de oposição a bradar todo tipo de agressividade contra Chavez.

No Brasil, não é preciso muito esforço para ver o Willian Bonner, a Fátima Bernardes, o Willian Wack, o Boris Casoy bradarem seus ódios e preconceitos ao presidente nordestino e ex-torneiro mecânico. Na imprensa escrita há tantos exemplos, mas fiquemos com a Folha ditabranda e a incansável Eliane Cantanhede que não suportavam o presidente ‘populista’ da bolsa família, do luz para todos, do Pac e que inventam uma crise por mês para tentar derrubá-lo.

Agora, os golpistas de Honduras aposentaram os pijamas e foram às ruas, depuseram o presidente, passaram fogo na multidão e diante da condenação mundial posam feito pistoleiros.

Domingo Sangrento: 5 de julho de 2009, Tegucigalpa, Honduras. Presidente Manuel Zelaya tenta retomar seu posto e exército golpista atira contra a população.

Domingo Sangrento: 5 de julho de 2009, Tegucigalpa, Honduras. Presidente Manuel Zelaya tenta retomar seu posto e exército golpista atira contra a população.

Destaco a seguir uma nota do jornal chileno El Clarin sobre os absurdos dito pelo títere que ora ocupa o poder salvaguardado por militares que não honram sua farda e são capazes de atirar contra seu próprio povo:

Ese negrito que no sabe nada
Hace unos días, en la televisión nacional, Ortez se despachó en grande, armado de una ironía sin igual, contra los mandatarios que han condenado el golpe: Zapatero a tus zapatos, le dijo al presidente español. Del vecino país El Salvador dijo que ni siquiera valía la pena hablar: Es tan pequeño que ni siquiera se puede jugar futbol porque se sale la pelota. Y, siguiendo los pasos de Vicente Fox, Ortez dijo que Barack Obama es ese negrito que no sabe nada de nada.
Dispuesto a darle lecciones de democracia a Estados Unidos, Ortez siguió de largo: Ellos permiten lo que sea. Ya Estados Unidos no es el defensor de la democracia. En primer lugar, el presidente de la República, que lo respeto, el negrito, no conoce dónde queda Tegucigalpa. Nosotros somos los que conocemos dónde está Washington y somos los obligados como país pequeño, un pigmeo democrático, a aclararles las concepciones y a leerle, tal vez en su idioma, lo que está pasando.

Atirando para matar. Manisfestantes hondurenhos mostram as capsulas de metralhadoras do exército encontradas na região do aeroporto quando as forças armadas golpistas abriram fogo contra a população que esperava o retorno de seu presidente legitimamente eleito Zelaya.

Atirando para matar. Manisfestantes hondurenhos mostram as capsulas de metralhadoras do exército encontradas na região do aeroporto quando as forças armadas golpistas abriram fogo contra a população que esperava o retorno de seu presidente legitimamente eleito Zelaya.

La nueva diplomacia hondureña: “Obama, ese negrito que no sabe nada”

Por Arturo Cano, 07/07/2009

Tegucigalpa.- La condena a los golpistas hondureños ha sido unánime. Presidentes, organismos internacionales, medios de todas partes, han insistido en lo inadmisible del golpe de Estado, entre otras cosas porque significa un retroceso de décadas, la vuelta a un pasado que América Latina daba por enterrado, algo que huele a viejo.

Tan viejo como el avión Electra, pieza de museo que la Fuerza Aérea de Honduras coloca en la pista del aeropuerto de Toncontín para evitar que a Manuel Zelaya se le ocurra tratar de aterrizar de nuevo en esta tierra. Hacia la Segunda Guerra Mundial, el bimotor ya había comenzado a entrar en desuso debido a su escasa capacidad de carga. Los golpistas hondureños le han encontrado una nueva utilidad.

El avión Electra es colocado en la pista, cerca de donde el domingo murió un joven, al tiempo que el gobierno de facto informa que el aeropuerto permanece cerrado dos días más, por razones de seguridad, como se estila en estos casos. Cerrado a la aviación comercial, el aeropuerto se abre para que despegue un jet con seis pasajeros rumbo a Washington, la comisión de buena fe del gobierno golpista para tratar de negociar con la Organización de Estados Americanos y el gobierno estadunidense. Según la prensa local, viajan el ex fiscal general Leónidas Rosa Bautista, el ex canciller Guillermo Pérez-Cadalso y el candidato presidencial del partido Demócrata Cristiano, Felícito Ávila. Quitan el Electra en vano, porque un vocero del Departamento de Estado anuncia que no serán recibidos por nadie (lo que no significa que Estados Unidos no busque contactos informales con los golpistas). Según los medios locales, desde hace unos días se encuentra en Washington Carlos Flores Facussé, ex presidente de la República y acaudalado empresario.

Las horas contadas
A pesar de los temores aeronáuticos del gobierno de facto, Zelaya anda con otros planes que, hasta pasado el mediodía, ni sus seguidores aquí conocen exactamente. Más tarde se enteran de que viajará a Washington y que el martes se encontrará con la secretaria de Estado, Hillary Clinton.
En la víspera de ese viaje, Zelaya concede una entrevista a la cadena CNN: Este régimen tiene las horas contadas, dice, al anunciar que volverá a Honduras en las próximas horas, tras elaborar un plan que garantice que no será asesinado por el gobierno y que los golpistas no volverán a frustrar su intento de ingresar a territorio hondureño.

Ya entrada la noche, dirigentes de la resistencia informan que este martes su marcha de protesta será encabezada por Xiomara Castro, esposa del presidente Zelaya, y otros de sus familiares.

El pajarraco Electra resulta tan vetusto como el lenguaje de Enrique Ortez, canciller del gobierno golpista, quien reconoce que el domingo hubo dos muertos, aunque, sin investigación de por medio, niega que la policía o los militares hayan disparado. No hay ninguna responsabilidad de las fuerzas de seguridad. Claro, se dispararon entre ellos.

A pesar de lo dicho por el canciller, la fiscal de Derechos Humanos del Ministerio Público, Sandra Ponce, dice a la prensa que no hay una segunda víctima fatal confirmada, como se aseguró el domingo, en medio de la confusión. Los dirigentes de la resistencia tampoco confirman un segundo fallecimiento.

Los tropiezos verbales del diplomático de carrera Ortez son antológicos y la comidilla de los antigolpistas. Será por eso que el personaje no forma parte de la comitiva oficiosa que parte a Washington con la idea de explicar al necio mundo la receta para que un golpe asestado por miliares no sea un golpe militar.

Ese negrito que no sabe nada
Hace unos días, en la televisión nacional, Ortez se despachó en grande, armado de una ironía sin igual, contra los mandatarios que han condenado el golpe: Zapatero a tus zapatos, le dijo al presidente español. Del vecino país El Salvador dijo que ni siquiera valía la pena hablar: Es tan pequeño que ni siquiera se puede jugar futbol porque se sale la pelota. Y, siguiendo los pasos de Vicente Fox, Ortez dijo que Barack Obama es ese negrito que no sabe nada de nada.
Dispuesto a darle lecciones de democracia a Estados Unidos, Ortez siguió de largo: Ellos permiten lo que sea. Ya Estados Unidos no es el defensor de la democracia. En primer lugar, el presidente de la República, que lo respeto, el negrito, no conoce dónde queda Tegucigalpa. Nosotros somos los que conocemos dónde está Washington y somos los obligados como país pequeño, un pigmeo democrático, a aclararles las concepciones y a leerle, tal vez en su idioma, lo que está pasando.

07 de julho de 2009: Manifestantes apologistas do golpe que apóiam o presidente títere Roberto Micheletti durante comício em Tegucigalpa, capital de Honduras.

07 de julho de 2009: Manifestantes apologistas do golpe que apóiam o presidente títere Roberto Micheletti durante comício em Tegucigalpa, capital de Honduras.

A los apologistas del golpe, en cambio, se les agota el humor. El Heraldo, diario que los zelayistas consideran vocero del golpe, trata de desmarcarse, en un editorial, de Roberto Micheletti y sus funcionarios. Los llama quienes optaron por la fuerza para poner fin a una crisis política interna, además de reprocharles que la situación ha empeorado de forma exponencial y llamarlos, ante perspectivas tan sombrías, a buscar una salida negociada.

Sin lucha, heredaremos harapos a nuestros hijos
Tras un fin de semana lleno de tensión, la capital de Honduras vive un lunes en calma aparente. Todo mundo está preocupado, pero los centros comerciales lucen llenos de clientes y no es evidente ningún desabasto.
Entre la tarde del domingo y la madrugada del lunes son detenidas más de 800 personas, sólo en Tegucigalpa y zonas aledañas, luego de que el gobierno golpista adelantó el toque de queda debido a los disturbios en el aeropuerto.

07 de julho de 2009, Marcha em Tegugigalpa, capital de Honduras em apoio ao presidente deposto por um golpe militar, Manuel Zelaya,

07 de julho de 2009, Marcha em Tegugigalpa, capital de Honduras em apoio ao presidente deposto por um golpe militar, Manuel Zelaya.

Para fortalecer la vuelta a la normalidad, el presidente Micheletti anunció el domingo la reanudación de clases, suspendidas todas la semana anterior. Pero los sindicatos magisteriales se hallan divididos sobre si volver a laborar o continuar el paro indefinido.

Manifestante pró- Zelaya

Manifestante pró- Zelaya

La Universidad Nacional, por su parte, reinicia labores pero hacia el mediodía los estudiantes antigolpistas la han cerrado de nuevo.

De mañana, sale rumbo a su pueblo el cadáver de Isy Obed Murillo, el joven de 19 años caído el domingo en el aeropuerto. Isy Obed era originario de Santa Cruz de Guayape, en el departamento de Olancho, de donde procede también el presidente Zelaya. Su padre es David Murillo, un pastor evangélico de 57 años, quien al ser entrevistado por la radio nacional dijo que su hijo fue asesinado por un francotirador, y que luego de enterrarlo volverá a la batalla: Si abandonamos la lucha, heredaremos a nuestros hijos sólo harapos.

Domingo Sangrento (05/07/2009) em Tegucigalpa, capital Hondurenha. Jovem é morto a tiros pelo exército golpista que assegura à força o governo títere ,
Domingo Sangrento (05/07/2009) em Tegucigalpa, capital Hondurenha. Isy Obed Murillo é morto a tiros pelo exército golpista que assegura à força o governo títere que tomou o lugar do presidente Zelaya, legitimamente eleito.

Han matado un olanchano, no saben con quién se han metido, dice un hombre en el mitin del día, cerca de la casa presidencial, donde existe una intersección cuya única peculiaridad es que en cada esquina hay un restaurante de comida rápida. Se ha vuelto el lugar de reunión habitual de los antigolpistas, que hoy brindan un minuto de aplausos al joven asesinado por los militares.

, dice un hombre en el mitin del día, cerca de la casa presidencial, donde existe una intersección cuya única peculiaridad es que en cada esquina hay un restaurante de comida rápida. Se ha vuelto el lugar de reunión habitual de los antigolpistas, que hoy brindan un minuto de aplausos al joven asesinado por los militares.Los que mueren por la vida no pueden llamarse muertos, dice al micrófono Salvador Zuniga, dirigente del Consejo Cívico de Organizaciones Populares e Indígenas de Honduras (Copih).

, dice al micrófono Salvador Zuniga, dirigente del Consejo Cívico de Organizaciones Populares e Indígenas de Honduras (Copih).Zuniga hace ver la paradoja de que la oligarquía más atrasada del continente se convierta en la vanguardia de los sectores dispuestos a rechazar, incluso con el poder de las armas, el avance de los gobiernos de izquierda en el continente.

Es un grupo atrasadísimo. ¿A poco no lo muestra que su canciller racista diga que Barack Obama es un negrito del batey?

Fonte das fotos, que aconselho visita: benedictedesrus

domingo, 5 de julho de 2009

E tome banho de lógica! O malabarismo da Folha Ditabranda pra explicar que golpe não é golpe

Extraído do Blog do Luis Nassif
05/07/2009 - 09:54

Da série “ombudsman da Folha sofre (muuuuuito)”

Sobre o golpe em Honduras

Análise

Há uma semana, Honduras tem dois presidentes. Manuel Zelaya está sendo recebido com honras de Estado por todos os países e organismos por onde passa, mas corre o sério risco de ser preso e de provocar uma onda de violência se pisar no seu país. Já Roberto Micheletti é reconhecido por todas as principais instituições hondurenhas, mas é rotulado de golpista fora de suas fronteiras.

O erro imperdoável da deposição de Zelaya é seu formato.

(…) Esse é o paradoxo da deposição, pois interrompeu, de forma atabalhoada, o continuísmo previsto na cartilha de Hugo Chávez, já implantada na Bolívia e no Equador. Consiste em convocar uma Constituinte, introduzir a reeleição, convocar eleições e, claro, ficar no poder além do mandato inicial. Sempre num ambiente polarizado, apoiado no fácil discurso de ricos contra pobres.

A iniciativa, deflagrada nos últimos meses de seu governo, foi considerada ilegal pela Corte Suprema, pelo Ministério Público e pelo Congresso. A Constituição hondurenha, no artigo 374, deixa claro que o período presidencial é um dos artigos que não podem ser modificados. Mas a Carta falha ao não prever um processo de impeachment, o que contribuiu para a atual crise política.

Clique aqui para as matérias.

Comentário do Luis Nassif

Ou seja, o golpe é constitucional, apesar de todos os organismos internacionais o virem como um golpe.

O golpe visou democraticamente - já que com o apoio das instituições - evitar que o presidente deposto atropelasse a Constituição com uma manobra ilegal (o plebiscito do continuismo). Por “democraticamente” se entenda, seguindo o que manda a Constituição. Mas a Constituição não manda depor o presidente. Mas isso se deve a uma falha da Constituição.

E tome banho de lógica.