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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

História de Palmares ganha nova cronologia com análise de fontes originais


 Pesquisadora da Unicamp se debruça sobre documentos históricos que permaneciam inéditos desde o século XVII para entender as formas de dominação no período colonial

 História de Palmares ganha nova cronologia com análise de fontes originais

Por Frances Jones, Agência FAPESP 01/08/2013

Em 1678, o então rei dos Palmares firmou um acordo de paz com o governador de Pernambuco, a autoridade máxima sobre um território que englobava os atuais estados da Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, além de Pernambucano.

A negociação durou alguns meses e envolveu intérpretes, envio de embaixadas, presentes e libertação de prisioneiros. De um lado, Ganazumba (ou Gangazumba), tio de Zumbi, séculos depois apontado como símbolo da resistência contra a escravidão; de outro, dom Pedro de Almeida, governador prestes a voltar para Portugal.

Até agora pouco estudado e comentado pela historiografia, o episódio vem ganhando contornos mais definidos sob a luz de documentos originais, boa parte deles inéditos. O material, manuscrito, inclui cartas, despachos de conselheiros do regente português, crônicas e até rascunhos encontrados em Portugal pela historiadora Silvia Hunold Lara, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em pesquisa realizada no âmbito do Projeto Temático“Trabalhadores no Brasil: identidades, direitos e política (séculos XVII a XX)”.

A documentação tem permitido que Lara e outros historiadores tracem uma nova cronologia sobre Palmares. “Em geral, a historiografia periodizou a história palmarina a partir das guerras feitas contra eles. Procuro me concentrar na formação dos mocambos [os assentamentos de fugitivos] e entender como eles se organizavam em termos políticos e militares”, disse Lara àAgência FAPESP.

“A década de 1670 é importante porque marca o reconhecimento por parte das autoridades portuguesas e coloniais desse sobado (estado africano) em Palmares.

Os termos do acordo negociado em 1678 constituem a maior evidência disso”, disse a historiadora.

Em seus estudos, Lara retoma teses de uma vertente da historiografia que dá ênfase às raízes africanas de Palmares, na qual se incluem os brasileiros Nina Rodrigues (1862-1906) e Edison Carneiro (1912-1972) e os norte-americanos Raymond Kent (1929-2008), Stuart B. Schwartz e John Thornton.

De acordo com Lara, um documento-chave para entender Palmares é uma crônica anônima, com data atribuída a 1678, escrita logo depois do acordo de paz selado entre Ganazumba e o governo de Pernambuco, quando d. Pedro de Almeida volta a Portugal e vai mostrar seus feitos às autoridades portuguesas.

“É uma crônica extensa, que faz uma história de Palmares, desde o seu início até 1678. Dá nome aos mocambos, descreve as relações entre os chefes militares e os chefes dos mocambos, conta as expedições feitas e equipara a uma conquista militar a vitória [parcial] obtida em 1677 por uma expedição que destrói os mocambos e está na origem do acordo de paz”, disse.

O grande ponto, segundo a professora titular do Departamento de História da Unicamp, é que essa crônica sempre havia sido lida pelos estudiosos a partir de uma publicação na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro de 1859 – feita quase 200 anos após ser redigida.

“As pessoas não viram o original, que estava perdido nos arquivos. Quando você olha o original, pode ver que houve transcrições incorretas”, disse Lara. Um bom exemplo é o dos nomes das lideranças palmarinas e dos principais mocambos ali descritos – com diferenças em relação aos consagrados pela historiografia.

“A maior parte de quem lidou com Palmares trabalhou com uma documentação impressa. E quem transcreveu e publicou fez uma seleção. Ao ir às fontes e aos arquivos, localizei uma quantidade muito grande de fontes ao redor desses documentos transcritos, muitas nunca publicadas”, disse.

Os achados estavam no Arquivo Histórico Ultramarino e no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, e na biblioteca pública da cidade de Évora, interior de Portugal.

Saindo da trilha dos Imbangala
Lara também parte de um trabalho publicado em 2007 por Thornton e pela historiadora Linda Heywood, da Boston University, nos Estados Unidos, sobre a história das guerras na África Central para estudar quem eram os africanos escravizados e trazidos para o Brasil que fugiram e acabaram se organizando em agrupamentos em vários pontos de uma extensa região nordestina ao norte do Rio São Francisco, caracterizada por matas de palmeiras.

“Hoje conseguimos saber com um pouco mais de precisão quem eram as pessoas trazidas para cá: muito provavelmente eram falantes de kimbundu, língua africana da região do então reino de Ndongo, que ocupava o que hoje é uma região de Angola”, disse.

Dos vários assentamentos de fugitivos – todos conhecidos nessa época como palmares –, um deles em especial se consolidou durante o período da ocupação holandesa (entre 1630 e 1654), formando uma rede de mocambos que se tornou conhecida depois como Palmares. Nove mocambos chegaram a abrigar no total cerca de 11 mil habitantes, de acordo com algumas fontes.

“Todo mundo diz quilombo dos palmares, mas a palavra ‘quilombo’ é empregada deslocadamente nesse contexto e é anacrônica para designar Palmares. A palavra empregada naquele período para designar ‘assentamentos de fugitivos’ é mocambo”, afirmou Lara.

Segundo a historiadora, “kilombo” é uma palavra africana que significa “acampamento de guerra”, usada pelos grupos nômades guerreiros Imbangala, da África Central. Historiadores como o norte-americano Stuart Schwartz, da Yale University, consideraram que a formação dos quilombos nas Américas estava relacionada a esses acampamentos guerreiros – daí a origem do termo.

“Mas acho que essa não é uma matriz da formação dos assentamentos dos fugitivos no Brasil. Os kilombos Imbangala tinham rituais específicos, com morte de crianças, serragem de dentes e canibalismo. Como eram nômades, não tinham uma ligação territorial nem as linhagens que davam a legitimidade do poder, diferentemente do que ocorreu nos mocambos do interior de Pernambuco, onde se formou um reino linhageiro”, disse Lara.

Os mocambos se organizavam segundo uma gramática política centro-africana, explicou a pesquisadora. Como nos sobados centro-africanos (os potentados locais da África), os chefes políticos dos mocambos do Nordeste mantinham relações de parentesco entre si e todos estavam subordinados a Ganazumba, conhecido como rei dos Palmares. “Esse sobado que se formou no interior de Pernambuco foi reconhecido pelas autoridades coloniais como um poder político independente, com o qual se podia negociar”, disse.

Mudança para Cucaú
A pesquisadora conta que a ideia de as autoridades coloniais fazerem acordos com fugitivos sempre existiu – e não apenas no Brasil. O de 1678, porém, foi o que mais progrediu. Boa parte dos habitantes dos mocambos de Palmares mudou-se para uma aldeia criada especialmente para recebê-los, Cucaú, e eles foram considerados livres.

A paz, no entanto, não durou mais do que dois anos. Uma parte dos mocambos, liderada por Zumbi, rejeitou o acordo e ficou em Palmares. Seguidores de Ganazumba, como seu irmão Ganazona, participaram de buscas para trazer os que haviam permanecido no mato. Ganazumba termina assassinado e Cucaú, destruída, provavelmente por tropas coloniais. As pessoas que moravam lá voltaram à condição de escravos.

“A história contada até hoje sobre Palmares é uma história militante e toda ela converge para o enaltecimento da figura de Zumbi como a grande liderança que jamais se curvou e resistiu à escravidão até ser morto em 1695; as pessoas reiteram e usaram a mesma documentação para dizer mais ou menos a mesma coisa”, ressaltou Lara. “Essa história passa muito rápido pelo acordo de paz. Tão rápido que os termos do acordo nunca foram publicados nas coletâneas de documentos feitas sobre Palmares.”

Interessada em discutir as formas de dominação nesse período e o modo como africanos e indígenas lidaram com o domínio colonial, Lara recupera de todas as formas o acordo. “A história de Palmares, da maneira como a estamos estudando, ajuda a entender como a dominação colonial foi enfrentada e modificada pela ação dos índios e dos africanos na África e no Brasil.”

Com o auxílio do Projeto Temático FAPESP, Lara e sua equipe montaram uma base de dados sobre Palmares, organizada de forma a ser disponibilizada para consulta pública on-line. Cerca de 2 mil documentos foram digitalizados e aos poucos estão sendo transcritos. “Espero que, dentro de dois anos, tudo esteja aberto para o público”, disse.

Diversos bolsistas também produziram trabalhos relacionados à produção da base de dados. Um deles foi a monografia de graduação "Guerras contra Palmares: um estudo das expedições realizadas entre 1654 e 1695", de Laura Peraza Mendes, que ganhou prêmio de melhor monografia de graduação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp em 2011.

Mendes defenderá sua dissertação de mestrado, que contou com Bolsa FAPESP ( Expedições contra os mocambos de Palmares e os dilemas do governo colonial de Pernambuco, 1654-1695), em agosto de 2013.

Lara agora trabalha para transformar em livro a tese  “Palmares; Cucaú: o aprendizado da dominação”, com a qual se tornou professora titular.

sábado, 13 de dezembro de 2008

De volta ao Canal Brasil o documentário de 1960 sobre o Quilombo da Serra do Talhado

Em 1960 0 cineasta paraibano surpreendeu a todos com um documentário forte, duro e crítico sobre a realidade sofrida de uma comunidade remanescente quilombola localizado na Serra do Talhado, PB. Quase 50 anos depois a Serra do Talhado é reconhecida como patrimônio cultural afro-brasileiro, como você pode ver na matéria abaixo. Não perca no Canal Brasil o doc É tudo verdade: Aruanda de Linduarte Noronha.


O filme Aruanda, que adotou o Quilombo do Talhado como temática central de seu enredo, é uma película feita em 35mm, em preto e branco, com 20 minutos de duração. Ele foi finalizado em 1960. Dirigido por Linduarte Noronha (ex- professor da UFPB). É, provavelmente, a obra regional de maior reconhecimento nacional e internacional que inaugurou todo um gênero de fazer cinema no Brasil, o chamado Cinema Novo, que aborda temáticas da realidade e regional e mostra o Brasil como ele realmente é. (Carlos Cavalcanti)


As fotos são do site do fotógrafo Cássio Murilo que tem belíssima fotos da região

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Serra do Talhado é reconhecida como patrimônio cultural afro-brasileiro
(11.10.04) Fonte Sebrae

O documentário Aruanda, filmado em 1960 na Serra do Talhado (PB), é considerado revolucionário no cenário da filmografia nacional. Com ele, o cineasta paraibano Linduarte Noronha iniciou as discussões sobre a fuga dos escravos e a existência de quilombolas - remanescentes do Quilombo de Palmares - na Serra do Talhado.

Paisagem da caatinga na Serra do Talhado
Quase meio século depois, a região do Talhado será reconhecida oficialmente como Quilombo pela Fundação Cultural Palmares, instituição ligada ao Ministério da Cultura que promove a preservação dos valores culturais e socioeconômicos da influência negra na sociedade brasileira.

A Certidão de Reconhecimento ao Quilombo do Talhado será entregue por Bernadete Lopes, diretora da Fundação Palmares, durante a realização do Seminário de Intercâmbio Cultural Afro-Brasileiro, nesta segunda-feira (11).

O seminário faz parte das comemorações da Festa de Nossa Senhora do Rosário, padroeira das Irmandades dos Negros Brasileiros. Na ocasião, o Sebrae Paraíba e a Fundação Palmares assinam um Termo de Cooperação Técnica para desenvolver ações de geração de renda e inclusão social na região.

O documento prevê a criação de um Arranjo Produtivo Local, com base no turismo, focado nas potencialidades históricas e culturais da comunidade quilombola da Serra do Talhado, localizada no município de Santa Luzia.

Por meio da cadeia produtiva do turismo, a expectativa é de que se possa reduzir o nível de pobreza da comunidade, a partir de oportunidades de trabalho e circulação de riqueza. Para isso, será necessário capacitar a população local, aumentar a auto-estima dos quilombolas e ainda melhorar a qualidade do artesanato e das manifestações artísticas.


Histórico

Pelo menos dois aspectos motivam a iniciativa de explorar o turismo na comunidade quilombola do Talhado: a necessidade de reduzir o índice de pobreza local e a riqueza do patrimônio cultural e natural até agora inexplorado.

O legado de injustiças e perseguições que marcou a história do negro no Brasil levou a comunidade do Talhado a ficar à margem do progresso econômico e social que, mesmo em pequenas doses, se verificou no Vale do Sabugi, expresso em estradas, abastecimento d'água, educação e saúde públicas, surgimento de alternativas econômicas além da exploração da agricultura de subsistência etc.

Até hoje a cerâmica feita de modo totalmente artesanal (sem uso de qualquer tipo de torno, modelada e estruturada apenas com as mãos) é marca registrada da comunidade.


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O resgate da cidadania no Talhado
Carlos Cavalcanti
(14 de setembro de 2007) Fonte site do Governo do estado da Paraíba

O ex-escravo e madeireiro Zé Bento, quando fundou o Sítio Olho d´Água da Serra do Talhado, em Santana do Sabugi, no século XX, não imaginava que o local iria se transformar no Quilombo Serra do Talhado e, tampouco, acolher "os melhores forrozeiros do mundo. São 10 autênticos trios de forró pé de serra. Lá, no topo da serra árida e quente, a cultura forrozeira passa de pai para filho. É através da música, também, que os quilombolas estão resgatando a sua auto-estima e cidadania", destaca Terezinha Alves da Nóbrega, secretária de Educação do município de Santa Luzia (a 180 Km de João Pessoa).

A sanfona, o zabumba e o triângulo, hoje, fazem parte da rotina da vida dos afro-descendentes do Quilombo Serra do Talhado, que, nos últimos anos, vem se destacando na cena musical, mais especialmente em se tratando de um bom forró-pé-de serra. O quilombo existe desde a fundação da cidade de Santa Luzia, que conta com 138 anos.

"Aliás, segundo frisa Terezinha da Nóbrega, "a base econômica da comunidade quilombola, distante 24 Km da cidade de Santa Luzia, atualmente, são a música e a confecção de artesanato em argila".

Conforme a secretária, existe, atualmente, na comunidade o grupo Aruanda, que já disseminou a cultura do Talhado nos Estados Unidos e pelo Brasil afora". Segundo ela, são cerca de 30 pessoas tocando sanfona, zabumba, triângulo no Talhado. As mulheres mexem com o barro, e os homens com a música", resume ela.

Hoje, sexta-feira, dia 14 (2007), os músicos e as lideranças comunitárias do quilombo, em reunião, discutem a formação de uma cooperativa, entidade, que eles acreditam, dará melhor visibilidade, divulgação e projeção a música produzida na Serra do Talhado.

"Sem sombra de dúvida, o melhor forró que hoje se produz no Brasil é o de Talhado. Temos o Deda, que vem a ser o cantor do grupo Os Três do Nordeste. E o filho do sanfoneiro Luiz Bento, o Robinho, que com 14 anos, toca sanfona e canta muito bem", elogia Terezinha da Nóbrega. "Estamos praticando um bom forró. Acho que é um dos melhores do Brasil", reforça o sanfoneiro Luiz Bento.

O Talhado, que conta com 42 famílias, antes exibia uma comunidade refém de um ciclo econômico cruel e sem perspectivas, que ia do plantio do algodão à produção de um artesanato primitivo.

Zé Bento, que partiu com a família à procura de terras sem fins e sem proprietários, fugindo do sistema escravocrata da época, também não imaginava que um dia o Quilombo do Talhado viesse a ser reconhecido como tal. Ou seja, foi reconhecido em 1º de março de 2004 "e de lá para cá muita coisa aconteceu, porém, a idéia agora é o trabalho de auto-estima e o resgate da cidadania, que tem que ser empreendido no meio da comunidade", diz a secretária.

"Foi feito, sim, o reconhecimento do Quilombo do Talhado pela Fundação Cultural Palmares, órgão ligado ao Ministério da Cultura", esclarece a secretária.

Algumas coisas foram feitas neste sentido, isto é, ações de resgate da auto-estima e da cidadania dos quilombolas, aponta Terezinha da Nóbrega. Recentemente, aconteceu a melhoria do acesso à serra, que conta com pavimentação em alguns trechos e a construção de uma barragem, entre outras ações pontuais que visam resgatar a cidadania dos quilombolas".

"Especificamente, temos alguns benefícios, como o Programa Leite da Paraíba, em parceria com o Governo Federal, a distribuição de cestas básicas, a merenda escolar dobrada. Estamos lutando para incluir mais 150 famílias no programa Bolsa Família. É preciso lembrar que temos uma dívida muito grande com esse povo afrodescendente", recorda Terezinha da Nóbrega.

O próximo passo agora, segundo ela, após o reconhecimento dos quilombos, é a demarcação e a titulação das terras dos quilombolas, que, também, habitam a zona urbana de Santa Luzia, no Bairro São José e na Rua Arlindo Bento, local que abriga um galpão no qual também são expostos os produtos de argila do quilombo, cujos lotes também terão que ser legalizados. E, ainda, o lugarejo conhecido como Pitombeira, que fica situado no município de Várzea.

Ela afirma que "a luta contra a discriminação racial passa necessariamente pelo processo educacional, que tem procurado afirmar a existência da raça, respeitando suas origens, cultura e sua história. Porém, desde a origem do Brasil pouco se discute essa questão", lembra a secretária.

O filme Aruanda, que adotou o Quilombo do Talhado como temática central de seu enredo, é uma película feita em 35mm, em preto e branco, com 20 minutos de duração. Ele foi finalizado em 1960. Dirigido por Linduarte Noronha (ex- professor da UFPB). É, provavelmente, a obra regional de maior reconhecimento nacional e internacional que inaugurou todo um gênero de fazer cinema no Brasil, o chamado Cinema Novo, que aborda temáticas da realidade e regional e mostra o Brasil como ele realmente é.

Santa Luzia, por sua vez, se localiza na microrregião homogênea do Seridó Ocidental Paraibano. Tem clima de Semi-Árido com temperatura média variando entre 25 a 35°C.

O município apresenta uma vegetação de caatinga xerófila, própria do Semi-Árido brasileiro, caracterizado por algumas espécies de ocorrência natural como faveleiras, craibeiras, angicos e cactáceas. Atualmente verifica-se um processo de recomposição natural da cobertura vegetal com predominância de jurema preta por se tratar de uma espécie pioneira. Segundo dados mais recentes do IBGE, a população do município de Santa Luzia é de 14.005 habitantes, com a maioria residindo na zona urbana.

Origem dos quilombos

Na Paraíba, hoje, existem 23 comunidades quilombolas com certificados de reconhecimento. Elas estão distribuídas pelo Estado desde o Litoral até o Alto Sertão. Em Santa Luzia, existem os quilombos rural e o urbano. Após o reconhecimento dessas comunidades, o empenho agora é levar até elas políticas públicas específicas. Ou seja, programas sociais pontuais que, entre outros benefícios, visam resgatar a auto-estima e a cidadania desses afro-descendentes. E, também, a busca da igualdade de direitos. No período de escravidão no Brasil (séculos XVII e XVIII), os negros que conseguiam fugir se refugiavam com outros em igual situação em locais bem escondidos e fortificados no meio das matas. Estes locais eram conhecidos como quilombos. Nestas comunidades, eles viviam de acordo com sua cultura africana, plantando e produzindo em comunidade. Na época colonial, o Brasil chegou a ter centenas destas comunidades espalhadas, principalmente, pelos atuais Estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Alagoas. Na ocasião em que Pernambuco foi invadida pelos holandeses (1630), muitos dos senhores de engenho acabaram por abandonar suas terras. Este fato beneficiou a fuga de um grande número de escravos. Estes, após fugirem, buscaram abrigo no Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas. Esse fato propiciou o crescimento do Quilombo dos Palmares. No ano de 1670, este já abrigava em torno de 50 mil escravos. Estes, também conhecidos como quilombolas, costumavam pegar alimentos às escondidas das plantações e dos engenhos existentes em regiões próximas; situação que incomodava os habitantes.