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segunda-feira, 26 de julho de 2010
Serra e as drogas um pouco de hitória
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Preconceito: o fator mascarado entranhado nas escolas brasileiras
Por: Filipe Jahn
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| Uma verdade que não se que enxergar: a escola também consagra preconceitos |
Uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 501 escolas públicas do país, e divulgada em junho deste ano, revelou dados preocupantes sobre o preconceito no ambiente escolar brasileiro. Das 18,5 mil pessoas entrevistadas, entre alunos, professores, funcionários e pais, 99,3% demonstram algum tipo de preconceito - étnico-racial, socioeconômico, de gênero, geração, orientação sexual ou territorial ou em relação a pessoas com algum tipo de necessidade especial.
De acordo com a pesquisa, os tipos de preconceito que apresentaram maior abrangência são aqueles relacionados a pessoas com necessidades especiais (96,5%), seguido por diferenças étnico-raciais (94,2%), e aqueles relativos a diferenças de gênero (93,5%). Além disso, assim como o preconceito, percebeu-se entre todos os públicos-alvo da pesquisa uma predisposição em manter menor proximidade em relação a determinados grupos sociais, como homossexuais, pessoas com necessidades especiais de natureza mental e ciganos.
Cláudia Vianna, professora da Faculdade de Educação da USP que pesquisa as relações de gênero e sexualidade na educação, explica que o preconceito é uma disposição afetiva que pode ou não se transformar em um ato de discriminação. Só que, no Brasil, muitas vezes o preconceito não chega a ser explicitado, ou mesmo entendido como tal. Uma das razões para tanto está no estereótipo disseminado do brasileiro brincalhão. Ofensas sobre a cor de pele ou a orientação sexual, por exemplo, são entendidas apenas como traço típico de uma personalidade nacional. "Mas certamente existe", adverte Cláudia.
Neutralidade inexistente
Apesar de, em tese, a escola dever desempenhar um "papel neutro" no processo de transmissão de valores culturais - entenda-se por neutro o fato de não privilegiar nenhum credo, cultura ou procedência - e colaborar para a superação de preconceitos, na prática ela acaba sendo um fator de reforço daqueles já existentes. Isso porque os professores e autoridades escolares reproduzem, por meio de gestos, posturas e falas, sistemas de pensamento e atitudes que são excludentes. Ou seja, os educadores fazem eco, no ambiente escolar, às imagens negativas e estereótipos entre os quais muito provavelmente foram socializados.
Há, por exemplo, casos em que professores relacionam o rendimento escolar de alunas apenas ao esforço e ao bom comportamento, sem estimular a criatividade ou o potencial para certas matérias curriculares como matemática. "Essa baixa expectativa sobre o desempenho escolar de meninas claramente contém um padrão sexista", afirma Cláudia Vianna. O cientista social Paulo Neves conta que uma pesquisa de sua autoria verificou que em alguns casos alunas recorrem à violência como forma de serem respeitadas. "Mas assim são duplamente repreendidas: por utilizarem uma forma de agressão para resolver os conflitos e por serem meninas, portanto utilizando-se de algo considerado contrário à sua natureza", revela o estudioso.
No artigo "O fracasso escolar de meninos e meninas: articulações entre gênero e raça", publicado em 2003, a também professora da Feusp e estudiosa das relações de gênero Marília de Carvalho coletou informações sobre a cor atribuída às crianças da quarta série de uma escola fundamental de São Paulo, a partir de duas percepções: a dos professores e a dos próprios alunos. Após cruzar essas informações com o índice de aproveitamento de cada estudante, constatou-se uma tendência dos professores em "embranquecer" os melhores e "escurecer" os piores.
Não que as instituições de ensino sejam as principais responsáveis pela permanência ou não de práticas discriminatórias, mas elas são parte fundamental para o entendimento e aceitação da diferença. Para exercer a função de inserir os jovens no espaço público, que é aquele em que se dá (ou, ao menos, em que deveria se dar) a aceitação da diversidade, a escola precisa se colocar de maneira firme contra as práticas preconceituosas e discriminatórias. E isso pode começar pela compreensão das relações existentes nesse ambiente, mostrando suas fissuras e contradições. "O educador deve estar preparado afetiva e intelectualmente para interferir nas situações em que os conflitos emergem", afirma Luiz Alberto Gonçalves, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O problema é que, segundo Gonçalves, a introdução do tema da diversidade nas escolas ainda é algo recente no país e muitos professores não têm formação e conhecimento para mediar apropriadamente essas situações. Só a partir dos anos 90 as políticas educacionais, por força das demandas sociais, sobretudo dos grupos excluídos na sociedade, foram obrigadas a reconhecer que o ambiente escolar brasileiro é pluricultural e pluriétnico.
Cortando pela raiz
Para enfrentar esses problemas, atualmente o MEC oferece cursos de formação continuada trabalhando a temática da diversidade e colocou em vigor a Lei 10.369, de 2003, que torna obrigatória a inclusão do estudo das "Relações Étnico-Raciais e o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana". Só que Luiz Gonçalves entende que essas ações podem criar a expectativa de que basta introduzir mudanças no currículo escolar e o problema do preconceito estará resolvido. Para ele, é preciso mudar a postura do corpo docente frente aos conteúdos e às relações escolares, assim como é preciso haver um esforço para construir uma nova forma de fazer a educação escolar. Combater o preconceito pressupõe reconhecer o outro na sua diferença e esse reconhecimento começa no próprio docente. "Muitas crenças que foram difundidas pelos conteúdos tradicionais terão de ser questionadas e até banidas", fala.
Já Paulo Neves diz que não basta a escola desenvolver um trabalho para dias como o da consciência negra ou das mulheres se, no seu cotidiano, aqueles que pertencem a esses grupos são discriminados. Por isso, é importante elaborar um projeto político-pedagógico consistente, em que o estudo da temática esteja inserido tanto na sala de aula quanto nas horas de trabalho pedagógico coletivo. Entretanto, deve-se tomar cuidado para não haver exageros. Muitas discussões sobre as questões ou a excessiva criação de projetos acabam por prejudicar a consistência da reflexão dos envolvidos. "No fim, após passar pela escola, posso continuar acreditando nos preceitos de minha religião, por exemplo, mas não posso sair pensando que ela é a única e verdadeira", explica.
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| Cláudia Vianna, da USP: reconhecimento do conflito como ponto de partida |
Cláudia Vianna compartilha a tese e entende que caminhar nessa direção requer o reconhecimento do conflito como pilar dos projetos coletivos. A partir daí, os professores podem promover a interação da diversidade, criando ambientes seguros para que eles e seus alunos possam questionar e refletir os valores hierarquizantes relacionados ao gênero, raça, classe social e idade, além de interferir na reprodução de estereótipos, sem medo do preconceito ou da exclusão. Vianna propõe também analisar com os alunos as atribuições e significados dominantes estudando-se os veículos da comunicação. De fato, a pesquisa da Fipe mostra que o incentivo ao acesso às mídias pode reduzir o preconceito observado entre os alunos em relação a todos os temas pesquisados.
Ainda assim, além da sala de aula, o preconceito deve ser encarado como um problema complexo, que atinge esferas diferentes. O diretor de Estudos e Acompanhamento das Vulnerabilidades do MEC, Daniel Ximenes, acredita que qualquer ato desse tipo deve ser combatido via educação, mas isso não é tarefa somente da escola. Instâncias como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal de Justiça também precisam denunciar e tomar posições. "No caso da escola, deve haver uma integração com os órgãos públicos e a comunidade ao seu redor, com iniciativas e diálogos sendo constantemente estimulados", completa.
Maus resultados
Um dos pontos mais polêmicos da pesquisa publicada pela Fipe indica que as ações discriminatórias são um fator importante para a qualidade no desempenho escolar dos alunos. Utilizando como base a Prova Brasil de 2007, chegou-se à conclusão de que existe uma correlação negativa sobre o conhecimento de ações discriminatórias e as médias dessa avaliação nas escolas. Ou seja, onde as ocorrências foram maiores, as notas tenderam a ser menores.
Paulo Neves diz que não há como medir as consequências dessas atitudes no longo prazo, mas se elas não forem rechaçadas, acabam se tornando legítimas e prejudicam não somente o ambiente e o desempenho escolar como a fase em que crianças e adolescentes estão construindo uma identidade. "Se não há uma atitude contrária, a postura é reforçada e um aluno pode entender que é normal ter o mesmo procedimento", fala.
A pesquisa mostra ainda que a ocorrência de agressões, simbólicas ou de fato, contra professores e funcionários é mais nociva ao desempenho escolar dos alunos do que onde essas ações ocorrem contra os próprios estudantes. O estudo comparou as escolas em que se tinha conhecimento desse tipo de ocorrência (designadas como bullying no estudo) contra os dois grupos, cotejando esse fator com o desempenho na Prova Brasil. A agressão contra professores e funcionários mostrou-se pior, revelando que, quando isso acontece, passa a haver uma maior desestruturação da instituição.
Luiz Gonçalves afirma que tal razão é evidente, pois os educadores sem boas condições psicológicas acabam comprometendo o conteúdo a ser ensinado. Isso também ajuda a confirmar a ideia de que o educador é um dos profissionais que mais apresentam estresse em decorrência do trabalho. Segundo dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), 30% dos afastamentos em escolas da rede pública do país são resultantes de estresse e depressão. Outra pesquisa, realizada em 2003 pelo Sindicato dos Professores de Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), apontou que a depressão atingia então um em cada quatro professores paulistas. Para 62,4% deles, a violência escolar era a causa.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Quando apenas o preconceito fala
Da Folha/Danuza Leão
A fome
| Está mais do que na hora de lei limitar a dois o número de filhos, e quem ultrapassar não ter mais Bolsa Família |
SEGUNDO A ONU, vai a 1 bilhão o número de pessoas que passam fome no mundo; pois nem assim o governo Lula ataca com seriedade (nem sem) o problema do controle da natalidade. Sem esse controle, mais e mais gente nasce, e em alguns anos o bilhão vai se transformar em 2, 3, 4 bilhões. Quanto mais pobre é o país, quanto mais pobre a região do país, mais ignorante é a população, que, sem uma orientação para valer, vai continuar fazendo a única coisa que sabe: procriar.
Comentário do Luis Nassif
Isso que dá quando o parajornalismo de variedade se mete a opinar sobre tudo. A taxa de natalidade do país está em queda livre faz anos, justamente por conta das melhoriais sociais e dos programas de planejamento familiar oferecidos a famílias que podem escolher. Um dos grandes trunfos do país para as próximas décadas é a questão demográfica, justamente devido à redução do tamanho das filhas pobres.
E a Danuza, defensora dos modelos liberais, propõe um controle chinês sobre as famílias pobres.
Bom, como dizia Janet de Almeida, “prá que discutir com madame”:
Madame diz que a raça não melhora / que a vida piora / por causa do samba /. Madame diz que o samba é pecado / o samba, coitado / precisa acabar.
João Gilberto - Pra que discutir com Madame (ao vivo em Buenos Aires)
Mais absurdos dito pela madame? clique aqui e aqui
domingo, 19 de outubro de 2008
VOTO E PRECONCEITOS
Nem só os peixes morrem pela boca. Os candidatos também. É o que pode acontecer com Marta Suplicy, em São Paulo, e com Fernando Gabeira, no Rio de Janeiro. Qual seria o impacto negativo nas duas candidaturas a partir de episódios de manifestação explícita de preconceito, tanto da candidata petista quanto do candidato verde, com grande repercussão na mídia?
Marta explorou a força do preconceito homofóbico dos paulistanos. Lançou no ar insinuações sobre aspectos da vida íntima do seu adversário, Gilberto Kassab.

Gabeira tropeçou no próprio preconceito social. Durante a campanha, ele abriu a guarda ao falar em um celular sobre a vereadora tucana Lucinha: “É analfabeta política. Tem visão suburbana e precária”.
A frase foi parar nos jornais. Lucinha é líder comunitária com trânsito entre os eleitores da populosa zona oeste carioca. Campeã de votos no Rio, obteve 68 mil, dos quais mais de 50 mil nesse reduto eleitoral dela.
Gabeira tentou se retratar. A emenda piorou o soneto. O fato prevaleceu sobre a versão do candidato. E pode ter contribuído para paralisar a “onda Gabeira” que cresceu na reta final do 1º turno. Na segunda-feira 13, Gabeira posou com Lucinha para os fotógrafos. Aparentemente, a paz com a vereadora foi selada. Quanto aos corações suburbanos ainda não se sabe se a paz foi aceita.
O preconceito não é incomum na história das eleições brasileiras.
Em 1998, dez anos atrás, a milenar Igreja Católica ainda distribuía notas com restrições impostas a candidatos que contrariavam preconceitos e princípios da fé religiosa. É o que se pode ver no panfleto Candidatos Que Não Merecem o Voto dos Católicos, guardado nos arquivos do deputado udenista Álvaro Valle (1934/2000), em poder do CPDOC da Fundação Getulio Vargas, no Rio. Candidatos a favor da união civil de homossexuais, do aborto, por exemplo, entravam no índice de proibição.
Registre-se que os padres, em geral, não eram bem-sucedidos. Ao contrário, uma frase atribuída ao brigadeiro Eduardo Gomes (1896/1981) pode ter decretado a derrota dele. Em 1945, quando disputou a Presidência da República, ele teria dito em algum momento da campanha: “Não preciso do voto dos marmiteiros”.
Os anais políticos sugerem duas considerações. A frase contribuiu para a derrota de Eduardo Gomes, mas ela teria sido criada pelo empresário Hugo Borghi, adversário do brigadeiro. Se assim foi, prevaleceu a versão sobre o fato.
O fato, a frase de Gabeira, e a versão, a frase de Eduardo Gomes, têm o mesmo timbre elitista e, coincidentemente, encarnam em tempos diferentes ídolos políticos da classe média urbana.
A eleição presidencial de 1989, a primeira após a ditadura militar, também foi marcada por um episódio que mexeu com preconceitos dos eleitores. Foi a primeira derrota de Lula. O oponente do operário candidato do PT era Fernando Collor de Mello, um rebento político da ditadura.
Durante o horário eleitoral, Collor apresentou Miriam Cordeiro ao País, com estardalhaço. A soldo de Collor, ela acusou Lula, com quem teve uma relação amorosa, de tentar induzi-la ao aborto de uma filha dos dois.
A imprensa brasileira, que, contra Lula, sempre usa medida diferente da medida rotineira, repicou a história com grande destaque. Miriam Cordeiro virou tema do Jornal Nacional.
Os eleitores das classes média e alta costumam descarregar seus votos contra quem desafia seu falso moralismo ou desperta sua doutrina autoritária. Por sua vez, os eleitores mais pobres desprezam naturalmente candidatos que manifestam publicamente seus preconceitos sociais. O campo é fértil.
FONTE: Carta Capital, 17/10/2008


