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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Pague minhas alvíssaras!

FÁTIMA OLIVEIRA


Lá, as crianças não ganhavam presentes no Natal, mas alvíssaras no Ano Novo.

Quase sempre um doce ou um mimo pra enfeitar o cabelo, a roupa. Ou um perfume.


"Pague minhas alvíssaras!" Era o que a gente dizia no primeiro dia do ano para as primeiras pessoas muito próximas, parentas ou amigas – não valia para quem morava na mesma casa – que víamos, quando crianças lá na Palestina, povoado onde nasci, hoje cidade de Graça Aranha-MA. É que naquela cultura as crianças anunciavam a "boa nova" e encontrá-las cedo no primeiro dia do ano era um sinal de que o Ano Novo seria de muita sorte.

Lá, as crianças não ganhavam presentes no Natal, mas alvíssaras no Ano Novo. Quase sempre um doce ou um mimo pra enfeitar o cabelo, a roupa. Ou um perfume. E por que alvíssaras? Porque alvíssaras (substantivo feminino plural) é prêmio que se dá a quem traz boas novidades ou entrega coisa perdida ao dono.

A lembrança veio a propósito de leituras sobre os ritos de passagem que compõem os rituais do transcurso do Ano Velho para o Ano Novo, demonstrativos das diferentes maneiras de celebrar a chegada de um novo ano, por diferentes povos e setores de uma sociedade.

Sou fascinada com os ritos de passagem que marcam a chegada do Ano Novo – lendas, crendices, simpatias e superstições, posto que encerram tradições do âmbito dos desejos em interfaces com o sobrenatural, do fazer promessas, muito mais do que firmar propósitos do tipo: "Para o ano...", que no palestinês da gema de minha nascença quer dizer "no ano vindouro", justamente no "próximo ano".

Mas em especial fico intrigada, e bate uma curiosidade antropológica profunda, com a magia de Iemanjá sobre o povo brasileiro, já que nenhuma outra divindade arrasta multidões como ela. Nenhum santo da Igreja Católica Apostólica Romana, nem mesmo qualquer dos Papas que vieram ao nosso país, que a Igreja Romana enche a boca e arrota que é o maior país católico do mundo, aglutina gente como Iemanjá. Logo, há algo a desvendar, no campo da antropologia. Assim penso.

Sei o significado de um rito e de um ritual, mas fiquei numa dúvida cruel se o correto é dizer Ritos de Ano Novo ou Rituais de Ano Novo, foi então que a história das alvíssaras brotou docemente em minha memória.

E não pude deixar de conter o riso porque vovó, matreira que só ela, antes de sair de casa, para apreciar a rua, no primeiro dia do ano, a primeira providência era mandar "espiar" quem estava passando.

Se fosse um adulto ela não saía de jeito nenhum. Se fosse uma pessoa velha ela se benzia e dizia "Cruz credo!" E não saía. Então, gente ficava pastorando para avisá-la quando despontasse alguma criança. Recordo-me dela com um vestido de dois bolsos na frente onde escondia as alvíssaras... Deliciosas recordações...

Mas vejamos as definições de rito e de ritual. RITO (s.m.) – conjunto de regras e de cerimônias que se praticam numa religião, culto ou seita. Por exemplo, o rito da Igreja romana. Em Direito, rito é o conjunto de leis adjetivas que regem o exercício de uma ação em juízo. Por exemplo, rito processual. Já RITUAL (adj.) – relativo a ritos; conforme aos ritos: sacrifício ritual. — S.m. Livro que enumera as cerimônias e ritos que devem ser observados na prática de uma religião. Conjunto desses atos e práticas; rito, cerimonial.

Fiquei quase na mesma. Mas reaprendi a distinguir que rito é substantivo e ritual é adjetivo, mas pode ser substantivo quando se refere ao conjunto dos ritos de uma dada celebração. Então, posso dizer que os Rituais de Ano Novo são compostos por diferentes ritos, pois em geral em cada país a chegada do Ano Novo é celebrada de uma maneira. Num mesmo país os rituais podem ser diferentes, a depender se é na praia, na montanha ou na roça...

No Brasil, os rituais contemporâneos exigem a presença de água, o que é, sobretudo, uma incorporação de ritos de cultos afros, com as oferendas à Iemanjá, a grande mãe (mãe de todos os orixás), que na mitologia africana é a Rainha do Mar e a Deusa do Amor, chamada também de Dona Janaína, Sereia do Mar, Princesa do Mar, Inaê, Mucunã e é também considerada a Rainha das Bruxas.

Porém no sincretismo religioso brasileiro Iemanjá é Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Piedade, Virgem Maria, Nossa Senhora de Candeias (que também é Oxum!), Nossa Senhora dos Navegantes, cuja data oficial é 2 de fevereiro, mas em 31 de dezembro (réveillon) Iemanjá é a grande cultuada e recebe em geral oferendas que servem à sua vaidade (ela é muito vaidosa!), tais como espelhos, sabonetes, pentes, pulseiras, colares, coroas, velas, perfumes e flores.

Iemanjá no Brasil é cultuadíssima nas cidades portuárias, por reinar sobre as águas e proteger a pesca e pescadores, todavia se constituiu num mito-fenômeno de grande poder de aglutinação e credibilidade, pois quem nela crê diz que ela leva, num passe de mágica, todos os problemas para o fundo do mar.

Não à-toa, para muita gente, em nosso país, celebrar o Ano Novo só pode ser na praia! Quando a celebração ocorre em águas doces as oferendas devem ser pra Oxum, dotada de grande poder de sedução e Rainha das Águas Doces. Mas em geral ninguém lembra... E por todo lado o que se ouve é:

"Iemanjá é a rainha do mar
Iemanjá é a rainha do mar
Salve o povo de aruanda
Salve meu Pai Oxalá
Salve Oxóssi, salve os guias
Salve Ogum Beira Mar
Iemanjá
Iemanjá é a rainha do mar
Iemanjá é a rainha do mar
Vai ter festa na aruanda
Vai ter reza no Cantuá
Vai ter gira a noite inteira
E muitas flores no mar
Iemanjá".

Iemanjá, sabe-se que é uma "Deusa da nação de Egbé, nação esta Ioruba onde existe o rio Yemojá (Iemanjá). Orixá muito respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás. Por isso a ela também pertence a fecundidade."

Oxum é "Nome de um rio na Nigéria, em Ijexá e Ijebú. Segunda mulher de Xangô, deusa do ouro, riqueza e do amor. A Oxum pertence o ventre da mulher e ao mesmo tempo controla a fecundidade, por isso as crianças lhe pertencem. Dona dos rios e cachoeiras gosta de usar colares, jóias, tudo relacionado à vaidade, perfumes, etc".

Em Belo Horizonte, na lagoa da Pampulha, há uma estátua de Iemanjá, há 50 anos. Na data do cinqüentenário ( 18.08.2007) foi inaugurado o Portal da Memória, como um símbolo de proteção à Iemanjá, monumento de autoria do artista plástico Jorge dos Anjos, em memória dos orixás e conforme ele: "É um marco para Iemanjá, é um ponto de religiosidade".

Foi para Iemanjá que Edu Lobo e Vinicius de Moraes compuseram "Arrastão", celebrizada na voz de Elis Regina, que conquistou o 1º. lugar no I Festival de Música Popular Brasileira (1965):


Arrastão

Edu Lobo e Vinicius de Moraes

Eh, tem jangada no mar
Eh, eh, eh, hoje tem arrastão
Ê, todo mundo pescar
Chega de sombra João
Jovi, olha o arrastão entrando no mar sem fim
Ê meu irmão me traz Yemanjá pra mim

Minha Santa Bárbara
Me abençoai
Quero me casar com Janaína
Eh, puxa bem devagar
Eh, eh, eh já vem vindo o arrastão
Eh, é a rainha do Mar
Vem, vem na rede João
Pra mim
Valha-me Deus Nosso Senhor do Bonfim
Nunca, jamais se viu tanto peixe assim ...

Antonio Risério, no artigo "O ano-novo de Iemanjá" (2007), assim se expressou: "O que aconteceu com Iemanjá, no Brasil, é muito, muito interessante. Ela chegou em terras (e águas, claro) brasileiras aí pela segunda metade do século 18, trazida por negros nagôs – naquela época, vendidos, em boa parte, à Bahia, pelos reis do Daomé.

Mas, ainda nas décadas de 1920 e 1930, no Brasil, um poema sobre Iemanjá era tido – em nossos ambientes sociais economicamente mais privilegiados – na conta de coisa exótica, regionalismo, "pesquisa folclórica". Uma canção antiga de Caymmi – "a alodê Iemanjá oeá" – deveria soar, e soava, para determinados públicos, com algo estranho, distante. Como uma espécie qualquer de mistério remoto.

Hoje, o que a gente vê é coisa totalmente diferente. Todo mundo sabe quem é Iemanjá. Porque houve uma mudança enorme, uma transformação nas estruturas da sensibilidade brasileira. Uma mudança nas relações existentes no interior do conjunto de nossa configuração cultural. Os orixás passaram a povoar, inclusive, o cantão da assim chamada 'cultura superior'. Terreiros começaram a ser tombados, como bens preciosos do povo brasileiro, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Etc. E, no ano novo, levas e levas de brasileiros seguem para as praias, para, de algum modo, falar com a deusa do mar."

E prossegue: "É claro que a Iemanjá brasileira não é mais, exatamente, a Iemanjá africana. Nem poderia ser. A brasileira é brasileira, assim como a cubana é cubana. Mas a matriz, o desenho básico e profundo, está lá, na África. E é ela que atrai multidões para a beira do mar, no ano-novo. A Grande Mãe, com seu axé assentado sobre conchas e pedras marinhas. É ela que faz parte do rito de passagem de ano. Quando todos parecem pedir o recomeço, o renascimento, um novo começo da vida e do mundo."

Conto de Areia, de Romildo e Toninho, na inesquecível voz de Clara Nunes, é também uma música de rara beleza para Iemanjá, na condição de Deusa do Amor, mas reza a lenda que quando ela se apaixona por algum homem o leva para o fundo do mar, não permitindo que ele vivencie um amor terreno...


Conto de Areia

Romildo e Toquinho

"É água no mar
É maré cheia ô
Mareia ô, mareia


Contam que toda tristeza que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos molhados de mar
Não sei se é conto de areia ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia pra gente contar
Um dia morena enfeitada de rosas e rendas
Abriu seu sorriso de moça e pediu pra dançar
A noite emprestou as estrelas bordadas de prata
E as águas de Amaralina eram gotas de luar

Era um peito só
Cheio de promessa era só
Quem foi que mandou o seu amor
Se fazer de canoeiro
O vento que rola nas palmas
Arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas
de Iemanjá
E o mestre valente vagueia
Olhando pra areia sem poder chegar


Adeus, amor
Adeus, meu amor não me espera
Porque eu já vou me embora
Pro reino que esconde os tesouros
de minha senhora
Desfia colares de conchas pra vida passar
E deixa de olhar pros veleiros
Adeus, meu amor, eu não vou mais voltar
Foi beira-mar, foi beira-mar quem chamou


Das Gerais, com votos de um 2008 de merecidos prazeres, ofereço-lhes versos de Drummond, de Vinicius, de Mario Quintana, de Manuel Bandeira, Florbela Espanca e Hilda Hilst, em cintilantes dias de sol e belos dias de chuva, pois como falou Fernando Pessoa: "Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é".


Fátima Oliveira é médica, escritora, especialista em bioética e saúde da população negra e militante da causa negra e das mulheres.
E-mail: fatimaoliveira@ig.com.br
Fonte do texto: Portal Mário Lincoln


quinta-feira, 22 de maio de 2008

AFRICANIDADES: cabula lá e cá

Para os educadores interessados em desenvolver a 11645/03 (que substituiu a 10639/03) está imperdível o exemplar da Revista de História da Biblioteca Nacional 'Abolição em 8 tempos'

Destaco além dos temas que você encontrará na versão impressa da revista, a reportagem sobre uma palestra proferida pelo professor Robert Slenes, meu querido ex-orientador na Unicamp, um dos historiadores mais competentes sobre a temática da cultura dos cativos e a quem devo o refinamento do meu olhar para a história da África e da cultura afro-brasileira.

Abolição em oito tempos
Oito especialistas refletem sobre as origens, o processo e os efeitos do fim da escravidão no Brasil

01/05/2008

O texto é curto e direto: “Fica abolida a escravidão no Brasil. Revogam-se as disposições em contrário”. Onze palavras que mudariam o nosso futuro. Com o fim do cativeiro, o país entraria em uma nova fase, próspera e igualitária. Festa, júbilo, comoção coletiva nas ruas.

Cento e vinte anos depois, a promessa sugerida naquele belo pedaço de papel soa envelhecida como o próprio. Em que ponto do caminho as coisas deram errado?

Provavelmente, antes mesmo daquele 13 de maio de 1888. Para voltar no tempo e tentar entender o modo como a Abolição foi concebida e se desdobrou, convidamos oito estudiosos a refletir sobre diferentes aspectos daquele momento histórico.

O resultado revela o “jeitinho brasileiro” de acabar com a escravidão. Do ponto de vista religioso, nos separamos do destino norte-americano. Na esfera política, a autoria do feito foi disputada por republicanos e monarquistas. A princesa Isabel virou santa, a reforma agrária foi engavetada e o papel dos próprios negros, ignorado. Para completar, um vôo até a África de hoje, onde a escravidão persiste.

A Abolição ganha contornos reais.

Textos que você encontrará nesta matéria especial:

O papel das religiões - José Murilo de Carvalho
Sensibilidade inglesa - Manolo Florentino
Cor que faz a diferença - Wlamyra R. de Albuquerque
Liberdade é terra - Maria Alice Rezende de Carvalho
Abolição como dádiva - Lilia Schwarcz
Monarquia redentora - Robert Daibert Jr.
Contra a corrente, a cultura negra floresce - Nei Lopes
A abolição que não veio - Alain Pascal Kaly

Leia os textos completos na edição do mês, nas bancas



Cabula lá e cá O historiador Robert Slenes, da Unicamp, explica as origens da identidade cultural dos escravos das fazendas do Sudeste no século XIX Marina Lemle
Para se conhecer e entender a cultura dos escravos nas fazendas no Sudeste do Brasil no século XIX é preciso pesquisar os cultos do antigo Reino do Congo, de onde vieram em sua maior parte.
A premissa foi colocada por Robert Slenes, professor titular de História da Unicamp, em palestra realizada no Museu Nacional da UFRJ, no Rio, na última terça-feira, 20 de maio. Ele contou que, ao começar suas pesquisas sobre identidade escrava, percebeu que teria que beber em fontes africanistas.
De acordo com Slenes, em 1850, cerca de 90% dos homens e 2/3 das mulheres escravizadas em fazendas com 20 a 50 escravos no Sudeste eram africanos. A continuidade do tráfico negreiro manteria essa percentagem ao longo de todo o século XIX. Especialista em demografia da escravidão e história social dos escravos, ele revelou que mais de 90% dos escravos trazidos para o Sudeste no século XIX vieram da África Central, sendo ¾ da parte ocidental e ¼ da oriental.
Segundo o historiador americano, o processo de “creolização” – o encontro de culturas – começou na África, em Angola e no antigo Reino do Congo, onde as sociedades se tornaram mais escravistas entre 1810 e 1850, com a intensificação do tráfico português. O pesquisador, doutorado pela Universidade de Stanford, explicou que a identidade social dos escravos se faz através da identidade relacional entre eles. "Não é pela cultura, mas pelos encontros e choques com as outras culturas. É nas fronteiras que se define a identidade”, afirmou.
Religião una, com variações
Com a ajuda do lingüista Carlos Vogt, também da Unicamp, Slenes estudou o vocabulário de origem africana. Segundo Slenes, a maioria dos escravos era de etnias Banto, tendo línguas e manifestações culturais semelhantes. Entre elas, destaca-se o fogo dentro de casa. “O fogo mantido aceso na habitação é um caminho para o mundo espiritual. Através dele, os ancestrais cuidam das pessoas. Se apaga-se o fogo, as pessoas se sentem doentes”, disse.
Outras manifestações identificadas por Slenes na África Central e no Sudeste brasileiro são a adoração a pedras de formas estranhas, encontradas em riachos ou sambaquis; o culto de aflição, um culto de cura através de dança e música, com tambores; cultos de crise e rituais de purificação; cultos de governança, com instâncias políticas, em que uns se justificam perante outros, que fazem cobranças; reuniões em clareiras na floresta, perto de riachos, onde estariam presentes os espíritos da terra; a adoração aos primeiros habitantes da terra em que estão e a seus sacerdotes, o que, no caso brasileiro, leva os negros a procurarem os sacerdotes indígenas, promovendo o sincretismo; e a utilização de uma língua secreta, que inseria prefixos “ca” na frente de todas as palavras, como “Cabula”, onde “bula” significa “quebrar” e estaria relacionada ao transe religioso.
“Era uma religião una, com variações”, resumiu Slenes. Ele contou que o ponto culminante da cabula é quando a pessoa recebe um nome específico, que fica para o resto de sua vida e representa o seu guia espiritual.
De acordo com pesquisadores, as manifestações religiosas caminhavam junto com planos de rebelião, como as conspirações que ocorreram em Vassouras em 1848 e em São Roque, no Espírito Santo, em 1854.
Em sua pesquisa, um dos rastros que Slenes seguiu – e continua seguindo, visto que ainda há o que descobrir – é uma nota de rodapé de um livro de Leslie Bethell sobre o tráfico de escravos para o Brasil. A nota menciona um relatório secreto sobre um plano de rebelião de escravos comandado por um grupo religioso. Descoberto pelos senhores, o plano foi denunciado à assembléia legislativa do Rio de Janeiro, que enviou um dossiê ao “Itamaraty” inglês, que, por sua vez, publicou-o para os seus parlamentares. Assim, o que era secreto aqui tornou-se público lá, e Slenes conseguiu achar a cópia original nos arquivos ingleses. Ele acredita, entretanto, que se achar os documentos originais daqui, poderá conhecer melhor a cultura dos escravos.
Autor do livro “Na Senzala, uma flor”, de 2000, uma referência fundamental no tema, Slenes explicou que costuma esbarrar num problema metodológico: como recuperar preceitos cosmológicos sobre os escravos, sendo que eles não falavam ao mundo senhorial nem sob coação, e mesmo que dissessem algo, os senhores e delegados não saberiam registrar ou interpretar corretamente o que haviam dito?
Saiba mais:
Abolição em oito tempos - Oito especialistas refletem sobre as origens, o processo e os efeitos do fim da escravidão no Brasil. Leia na Revista de História da Biblioteca Nacional de maio, à venda nas bancas.
Herança negra - Quilombolas interagiam com comunidades locais e criaram núcleos locais que sobrevivem até hoje. Artigo de Flávio Gomes e Antonio Liberac C. S. Pires.Alberto da Costa e Silva.
Imagens da África - Desconhecer a África e a realidade dos africanos não impediu que Castro Alves denunciasse a violência e a degradação da escravidão. Artigo de
Central African Culture, “Kongo”/PanBantu Identity and Slave Resistance on the Plantations of Southeastern Brazil, ca. 1810-1888 – Estudo preliminar de Robert Slenes apresentado em seminário na Bahia em março de 2007. Arquivo PDF.
Quilombos e revoltas escravas no Brasil – Artigo de João José Reis, professor do Departamento de História da UFBA, na Revista USP de dez/1995-fev/1996.
Na Senzala, uma flor - Resenha do livro de Robert Slenes na revista Comciência, da Unicamp

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Favélafrica (Gato Preto) A família

Altino de Jesus Sacramento, mais conhecido como Gato Preto, é rapper.
Quarta feira ganhei dois presentes: conheci o professor Gerson, um jovem negro, professor concursado de Geografia que leciona para o Fundamental II em uma escola pública de Taboão da Serra (SP) e um cd do "Gato Preto" que ele me deu.
Apaixonado e comprometido com o seu trabalho educador, professor Gerson me falou com animação sobre o seu projeto desenvolvido com crianças da periferia de Taboão que une o ensino de Geografia e conceitos como urbanização, metropolização, favelização e hip-hop e me apresentou o compositor Gato Preto com uma epopéia do hip hop intitulada Faveláfrica.

Professor Gerson desenvolve esse projeto há cerca de 5 anos e me prometeu enviar as diretrizes para que eu possa socializar o seu trabalho aqui no blog da História em projetos.


Por hora, ouçam a canção e conheçam a letra de Faveláfrica, um verdadeiro grito de revolta contra o racismo; contra a herança escravagista, um libelo pela auto-afirmação da identidade negra, uma aula de história afro-centrada.

FAVELÁFRICA
(GATO PRETO, GRUPO a FAMÍLIA)

Certa noite ouvi gritos estridente e dolorosos
Os gritos eram de tamanha dor e tortura
Que eu me aproximei daquela triste e bela mulher negra
E perguntei o que havia
Ela cheia de dor, mágoa e tristeza
Respondia:
Lá vem ele, lá vem ele, lá vem ele, lá vem ele
Não compreendendo eu perguntei: Ele quem? Ele quem?
Melancolicamente ela bradava

O insano genocida, carrasco afanador de vidas
vai levar meus filhos inocentes por esses mares em tristes correntes
castigo, sangue, porões, pelourinho, chibata, grilhões
Filho do ódio, parasita, hospedeiro, filho do mal
chacal, condutor do pesadelo
Lá vem ele, lá vem ele, lá vem ele, lá vem ele
E ainda sem compreender novamente perguntei
Mas ele quem? Ele quem? Ele quem? Ele quem?

A Mãe África arduamente, incansavelmente respondia
O chacal carniceiro, abutre, bandido do estrangeiro
Destruindo nossos filhos simplesmente por dinheiro
Ele é! O NAVIO NEGREIRO

Reflito e sinto pena daquela preta ingênua
Que aceita ser chamada de mulata ou morena
Valéria, Valença, valei-me meu grande Deus,
De tanta inconsciência, porque ela se esqueceu

Do tapa na cara, a dor da chibata
O tronco, a senzala Na boca amordaça, da preta Anastácia
Chefe Ganga Zumba, Zumbi e Dandara
O racismo não passa, é tudo fachada
É jogada armada
É tapa na cara da nossa raça
O corpo na vala, a rota que passa, polícia que mata
Mais um preto arrasta, o capitão lá da mata
Do branco a risada, racista piada

É mesmo uma praga, pra mim isso basta,
tô pegando minhas facas
Minha língua é navalha, palavra que rasga
E fogo que se alastra, deflagra e conflagra
Mas não quero só fala, eu parto para prática

Olha lá no templo o irmão desiludido
Louco muito louco por um pouco de alívio
Sacaram de uma sacola era esmola era o dízimo
Fogueira, fumaça, carvão, forca, fogo, a inquisição
Católica religião, demagogia preconceito

Eu vejo o desrespeito. Simplesmente eu não aceito
Miscigenação forçada, Mãe África estuprada
Nunca descobridores. Invasores só canalha
Torturaram minhas raízes e nos deram as marquises
Agora surge o revide, o Gato Preto lhe agride

O guerreiro vai atacar, yalorixá, Yorubá
Keto e nação banto, Nagô povo africano
Nos roubaram a riqueza, a beleza e a nobreza
A terra, a natureza, dizimaram a realeza

Arquitetura, estrutura, medicina e cultura
Diamantes, agricultura, e todo poder de cura
Na minha religião, a inquisição e tortura
O ataque, o massacre, o abate os combates

As brigas, as intrigas na Serra da Barriga
Negros combatentes, lusitanos covardes
A trincheira tá armada, a arena e Palmares
Católica covarde, com o apoio do padre

Resultado do pecado, esticado lá na esquina
Pro negro só chacina, nos roubaram a auto-estima
Ter cabelo crespo é vergonha pra menina
Só somos lembrados, no pesado ou na faxina

Luther King, Zumbi, Marighela,
Malcon X e Nelson Mandela
O povo preto avante na guerra
Sabotage e Jr Abu-Jamal e Donizete

Eu quero a parte que nos cabe,
Eu quero a parte que nos cabe
Eu quero a parte que nos cabe
E o reparo dos massacres

Dr. Rui Barbosa de mente majestosa
Ação meticulosa, pra mim foi criminosa
Fogo nos documentos, fogo em toda prova
fogo na minha vida, fogo na minha história

Devastaram o império, saquearam o minério
Era a peste branca, apoiada pelo clero
Mais eu quero, quero, e espero, sigo reto meu critério
Por quê?
Chicote rasgou corpo, sangue rolou no rosto
O carrasco achou pouco, era sangue de um porco
Assim ele dizia, o chicote, chibata descia

O irmão traidor me persegue no asfalto
Hoje quatro rodas, mas ontem cavalo
Hoje é polícia, ontem capitão do mato
Fato do meu passado, não me faço de rogado

Conheço, reconheço, muito bem todos esses fatos
Não me sinto derrotado, vou além conquisto espaço
o Preto não é aceito, é simplesmente tolerado
Quero a parte no meu prato, do bolo meu pedaço

Patroa muito boa, falsa como um dragão
escraviza Seu João
Só gosta da Maria, de vassoura na mão
No tanque lava roupa, e a barriga no fogão
Uma falsa dialética de forma sintética
Ausência de ética, falando em estética

Negro marcado, intitulado plebeu
A África não vale, só padrão europeu
Diz que o branco é bonito,o feio aqui sou eu

O Professor me fale, dos meus líderes, meus mártires
Chega de contrastes, ascensão sociedade
Quero a parte que me cabe. Educação e faculdade
Não quero as calçadas, eu preciso é de aulas

Trabalho informação, não um copo de cachaça
O tolo quer maconha, eu prefiro um diploma
Informado, doutorado, diplomado e graduado
Igual a Milton Santos, foi lá no passado

Eu parto pro debate, digo não à todas grades
Incentivo o ataque, agrupamento pro combate
Quero reparação por todo o massacre
E se eu sou oitenta, cota oitenta pra minha classe

E pra você ouvir, eu vou lhe repetir
Quero a parte que me cabe, quero a parte que me cabe
Eu quero a parte que me cabe e o reparo dos massacres

Eles querem guerra eu quero é paz
mas se quer, eu quero é mais, defender meus ancestrais
e por isso corro atrás Gato Preto é sagaz
bola plano eficaz, destruindo os capatazes
por quê?
Criaram novos termos, camuflando o preconceito
Fingindo encobrindo, o desastre que causou
Pretinho, moreninho, mulato homem de cor
Não aceito eu sou negro, eu sou afro-brasileiro
Herdeiros de Zumbi, eu também sou guerreiro

Cartola, Mandela, Portela.
Marcos Garvei, Marighela
Revolta da Chibata a Revolta dos Malês
Desmontutu minha nação gege
Meu black, minhas tranças, Referência pras crianças
Minhas tranças, o meu black, referência pros moleques

Candomblé, capoeira, feijoada, a caseira
Foi minha mãe quem criou
Besteira muita asneira, o seu livro já falou
Princesa Isabel, nunca me libertou



Pequena biografia do compositor na versão de seu parceiro GOG:

O Incendiário

Gog
[fala] Pra mim foi difícil. Foi preciso me libertar e
derrotar o senhor do fracasso, dos pensamentos
limitados, depois disso, no podium da vida brilhava
sozinho: o incendiário.

Textos, textos e mais textos escritos.
Livros lidos, relidos e devolvidos,
distribuidos adiante, avante discipulos!
Não era uma pedra, mas estilhaçava vidros.

Despertou o menino!
O fogo que quando queima,
desperta quem tava dormindo.
O fogo se alastra, o caçador vira caça,
A chama da consciência briga, alivia, devasta,

Ela greme lareira, fogueira,
Fogo na madeira, fumaça,
Distorce o contexto, arruma pretexto,
Fecha o cerco, ameaça.

Sou carro pro racha, sou burro, sou caixa,
Sou bala, sou brasa, o microfone que rasga o verbo e
embala a fala,
Já fui lança, espada, fui flexa, fui faca, fui clave
d'água,
atual e primata, de zumbi à Zapata, de ponta à ponta,
o que conta o mapa?

Chão onde perversos criaram impérios e farças,
Explorando, levando mimérios, basta!
Aos dread's, à pele, ao carvão, ao rasta,
O RAP uma nação em construção, uma casa,
Comunhão entre os irmãos, sim, fim do medo!
De tanto brincar, quebrou o brinquedo!

O conto das ruas, o sol ou a lua, as lendas
libertárias,
Engrossam e reforçam as veias coronárias
E o sangue frio, pulsa, vervilha,
O incendiário tem QG em Brasília.

REFRÃO
O indcendiário, o incendiário:
Eu sou o cobrador, o terror, em forma de gente!
O indcendiário, o incendiário:
Eu sou o cobrador, o terror, em forma de gente!

[FALA]
Meu nome é Altino Jesus do Sacramento,
Criado nas ruas de Ilhéus como indigente,
Desprezado, largado, Mas fui recolhido pelo QG,
recebido
E me deram o nome de: O incendiário.

Cavalo sem dono, selvagem,
Não aceita rédias,
Aqui na lei da selva,
vida certa é minha regra.

Eu vim em prol da plebe,
40 graus de febre,
É pata de monstro
na cabeça dos vermes.

Acordei, despetei,
Levantei desde cedo.
Eu me livrei da dor,
Da fome, do pesadelo.

Minha fé, minha mente
Resistente não dá falha,
Me livra da vala,
Da maldita navalha.

Sou a volta
Da revolta de quem tava adormecido,
Sou a volta
Da revolta do moleque oprimido.

Ação sempre pensada,
Na calma de um monge,
Pois um ato impensado,
Corrompe, mata o homem.

Sou pelo povo pobre
Na favela dos estados,
No ataque predatório
No farol fechado.

A cobrança sendo feita,
Avante proletário,
Quem não deve, não trema, não tremas,
Justiça é meu lema.

Dizia Sabotage:
"gato preto é ladrão de cena",
Sou problema, comprenda,
Gladiando na arena.

Meu ataque é direto e reto,
Ódio e amor mesclado,
O amor é pelo meu povo,
Dose de ódio pros carrascos.

Família GOG,
Se liga pro plano de atitudes:
Guerreiros da Nova Ordem,
Só Leão que ruge.

Invadindo as faculdades,
Sedes para debates,
Ações, reuniões,
Convocando a comunidade

A sra. da lavoura,
O idoso com a marmita,
A menina no lixão,
Num barraco palafita.

Eu sou por todos nós
Um guerreiro Legionário,
Aqui fala um rebelde,
Gato-preto, incendiário.

[REFRÃO]

[FALA]
É..eu tive oportunidade
De ser mais um entulho
No lixão da humanidade...
Reaji,me reciclei, não foi fácil.

E me tornei
Defensor do proletário,
Aí vai o depoimento
Do incendiário:

A cor da pele, a cabeça raspada,
O crime, a cara feia,
O retrato falado,
Parece comigo, mas não fui eu, já era!

Periferia vamos juntos pra guerra,
100% pro arrebento,
Mil graus,
Sem dar trégua.

Porque eu vim pra convocar os adormecidos,
Acordem!
Levantem, abram os olhos, venham comigo,
Não demorem

Pra ação, revolução,
Inquisição da maldade,
Do pecado, da inveja e da vaidade,

Porque na oração do louco,
Só louco entende a vida,
O opressor quer minha cabeça
Porque meu verso contamina

Invadindo labirintos,
Becos, vielas castelos,
De madeira, de lona preta,
até os mais belos,

Porque a chama que invade a mente
É rebeldia em prol da gente,
Consequentemente,
Tarja Preta, pra quem tá doente

O grito se propaga no verso irado,
É agressão
Pra quem vê fogo por todos os lados,

Se alastrando em cima da base,
Rachando concreto, implodindo pilares,
Em muitos lugares, em vários andares,
Do arranha céu.

Mas também sou Liberdade,
Quebrando a algema no pulso do réu,
O amargo do féu,

Aqui o produto é inflamável,
Auto-corrosivo, na operação,
Meus modos são agressivos

E que os verdadeiros não tenham medo de mim,
Porque a larva do vulcão sou eu,
Enfim,

Me rebelei carbonizador,
Em pleno século XXI,
O príncipe do castelo de madeira,
O cidadão comum,

Denis preto, realista,
Frio e calculista,
Aqui o incendiário
Do Interior Paulista.

[REFRÃO]

Procurando suspeitos
Ridson Dugueto, Correio da Cidadania, 18-25 de abril, 2004


Altino Jesus do Sacramento, acusado no dia 28 de fevereiro de 2004 do porte de uma pistola Taurus 9 mm, numa noite de festa com amigos, onde comemorava o lançamento do sétimo trabalho fonográfico com o grupo que o acolheu em poesia, irmandade e amizade: A FAMÍLIA GOG. É o mesmo Altino que passou praticamente toda a infância e adolescência nas ruas de Ilhéus (Bahia), sobrevivendo com todos os sonhos cabíveis a um garoto de rua em qualquer lugar do mundo. Com muita malícia também, é verdade, necessária para a continuação de sua existência nessas condições. Porém, com muita dignidade, orgulha-se ao dizer: "Nunca botei qualquer droga na mão ou na boca, nunca fui de gangue, nunca botei mão em arma..." .

E carregava a honestidade que a fome compreende e perdoa, numa perspectiva onde certo e errado (novamente) levam outros conceitos, compreensíveis do ponto de vista da sobrevivência humana. Ele é o mesmo Jesus do Sacramento que, junto à Posse SUAT e aos grupos Extremamente e QG Nordestino (SP), sempre procurou atuar em prol da favela, palestrando contra o uso de drogas, contra a violência e a favor do orgulho negro e do estudo como única chance de salto de qualidade de vida para o povo carente de tudo na periferia.

O Sacramento que recebeu foi uma mostra de batismo de violência mesclada a preconceito, que é a lente programada com a visão do biótipo do marginal perfeito, aliada ao aprendizado da cartilha policial de antropologia criminal, racismo transformado em prática que vem desde os tempos das quatro patas até os dias de hoje, com as atuais quatro rodas.

Abordado em frente a sua casa, com a acusação de ser portador de uma arma de fogo que nem encontrada com ele foi, assim está no seu depoimento:

"Começou um corre-corre, então eu saí do local andando, e fui em direção a minha casa, quando vi os policiais lá dentro. Então eles me revistaram, me algemaram dando voz de prisão e dizendo que já haviam encontrado a arma, mas eu não sabia que arma era essa, ou onde a encontraram, e Everton (seu cunhado e MC do grupo QG Nordestino), eu nunca o vi armado!".

Altino e Everton passaram os 22 dias seguintes presos no 34o. Distrito policial da Vila Sônia, com outras pessoas acusadas das mais diversas naturezas criminais, enquanto, do lado de fora, amigos, esposa e militantes do movimento negro e do movimento hip-hop concentravam esforços em juntar materiais produzidos em debates e palestras ministrados por ele, assim como shows com sua participação, com o pensamento de anexá-los ao seu processo como provas de seu trabalho artístico social.

Um advogado de sua confiança foi contatado para encaminhar sua defesa, e Robson, amigo de Altino e Everton, ficou encarregado de encontrá-lo para pagar seus honorários. Passando próximo à mesma delegacia onde detidos estavam seus amigos, foi abordado por policias que, ao revistarem-no, encontraram a quantia em dinheiro de 1.800 reais, destinados ao pagamento do advogado. Indagado sobre a procedência do dinheiro, Robson explicou por que carregava a quantia e, então, foi detido e encaminhado para a delegacia próxima, onde os policias que o enquadraram apresentaram uma arma de calibre 38, de numeração raspada, alegando que Robson a carregava quando foi revistado.

Foi acusado de porte ilegal de arma, e conta que, antes, foi agredido pelos PMs. Em seguida, acusaram-no de tentativa de suborno, supostamente com a mesma quantia que Robson carregava consigo.

Altino Jesus do Sacramento é conhecido como Gato Preto, músico e escritor que mantém trabalhos com o Rapero GOG, de renome nacional no hip-hop, com o grupo Extremamente - do qual é membro fundador. Milita nas atividades da Posse SUAT e participa desde oficinas educativas em FEBEMs e escolas até shows comunitários que contam com a arrecadação de livros e alimentos para a comunidade onde mora, Jd. Colombo. Escreve na Literatura Marginal, projeto literário que conta também com a participação de outros escritores.

Seu cunhado Everton é conhecido no Colombo por Cob, é MC do grupo QG Nordestino, e acompanha Gato Preto na maioria dessas atividades, principalmente as relacionadas a sua comunidade.

Ambos estão em liberdade provisória mediante pagamento de fiança, e vão ter que enfrentar um processo e provar sua inocência perante a "justiça". A mesma "justiça" que tem a responsabilidade de punir aqueles que "representam perigo à sociedade". E eu nem vou buscar precedentes e fatos históricos para dizer que essa "justiça" é uma grande mentira. Gato Preto e Cob não são os primeiros jovens negros a serem acusados de crimes que não cometeram, cujos únicos critérios para suspeitas são: negro e pobre.

Mas vou dizer que, apesar de Gato Preto, Cob e Binho (Robson) não portarem armas, existem, sim, muitas pistolas, submetralhadoras, munição, assim como drogas de quase todas as espécies; e que muitos jovens sem estudo ou trabalho, sem amparo ou assistência, sem moradia digna ou estrutura familiar são diariamente presos pelas respectivas acusações de tráfico de drogas, porte de armas, assassinatos e formação de quadrilha; e que essas armas e drogas estão sendo atiradas diariamente nas favelas do Brasil como Napalm no Vietnã, e que quem dá a ordem pra o despejo de tantas causas de degeneração da vida humana não freqüenta festas da periferia, não circula por bairros periféricos, não tem pele escura pra refletir as cores dos "giroflex" das viaturas, e, ainda, "surpreendentemente", não foi encontrado para prestar depoimentos... será que o procuram?

Binho continua refém do Estado, preso no 34a. Distrito Vila Sônia, e a primeira audiência de Gato Preto acontece no dia 15 de Abril de 2004.

Há uma grande parcela da "sociedade" brasileira a favor da pena de morte, da diminuição da maioridade penal e de outras penas mais duras para casos semelhantes a esse, e encontram respaldo em programas de televisão que vendem pânico e promovem mais medo e violência na população. Os nomes dessas pessoas também não estão envolvidos no processo.

Ridson Dugueto, 20 anos, mora na favela do Jardim Jaqueline (SP). Ele faz parte do grupo de rap Extremamente, que integra a posse de hip-hop Sindicato Urbano de Atitude (SUAT).

site oficial do grupo A família

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

CURSO DE HISTÓRIA DAS CULTURAS AFRICANAS E AFRO-BRASILEIRAS

INTRODUÇÃO

O curso de formação permanente de Agentes Educativo-Culturais HISTÓRIA DAS CULTURAS AFRICANAS E AFRO-BRASILEIRAS - têm como intuito propiciar a formação sistemática, à difusão de conhecimentos científicos e técnicos acerca das culturas e histórias das populações africanas e afro-brasileiras.

Essa iniciativa pretende não ser uma ação isolada que se encerra em si mesma, mas ser algo permanente de modo que se estabeleçam a partir das Oficinas exposições, performances e a produção de publicações (materiais didáticos, paradidáticos e acadêmicos) entre outras possibilidades.

SINOPSE

A oficina de formação permanente de Agentes Educativo-Culturais vem atender as proposituras Lei Federal n.10.639 de 09/01/2003, que alterou a Lei de Diretrizes Básicas da Educação Nacional e torna obrigatória a. temática da “História das culturas africanas e afro-brasileiras”. E do que determina o Decreto Estadual n° 48.328 de 15/12/2003 publicado no D.O. de 16/12/2003 que institui no âmbito da administração pública do Estado de São Paulo a Políticas de Ações Afirmativas para Afrodescendentes e dá providências correlatas.

OBJETIVOS

  • Inserir conhecimentos sobre a História e a realidade da África, da relação entre África-Brasil e da cultura produzida pelos afro-brasileiros na sociedade nacional;

  • Dialogar e debater sobre a implementação da lei 10.639 e a presença das culturas de matrizes africana e afro-brasileira na cultura brasileira;

  • Entender e interpretar as práticas sociais e culturais relativas à questão étnico-racial e as questões atinentes à África no Brasil;

  • Estimular a democratização da informação e conhecimento no intuito de contribuir com a valorização, fortalecimento e afirmação da identidade étnico-racial paulista.

PÚBLICO ALVO

Agentes de atividades culturais da Secretaria Estadual e Municipal de Cultura;

Profissionais da área da educação, lideranças, multiplicadores e ativistas dos movimentos sociais;

Técnicos e funcionários das Oficinas Culturais;

Público em geral.

VAGAS E SELEÇÃO

(sessenta) primeiros inscritos.

CORDENADOR

Christian Fernando dos Santos Moura

Possui graduação em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2003). Atualmente é professor titular - Secretaria de Estado da Educação de São Paulo. Mestrando em Artes no Programa de Pós-graduação em Artes do Instituto de Artes IA UNESP. É pesquisador do grupo de extensão e pesquisa universitária da UNESP, NUPE (Núcleo Negro da UNESP para Pesquisa e Extensão) e Professor de História do Brasil Colônia e República da UNIBAN Universidade Bandeirantes. Tem experiência na área de História, com ênfase em História, atuando principalmente nos seguintes temas: História da África, negro, preconceito, teatro, racismo e educação.

CONVIDADOS

Oluemi Aparecido dos Santos.

Francisco Sandro da Silveira Vieira.

Lílian Santiago Solá

CARGA HORÁRIA

39 (trinta e nove) horas, 13 (treze) encontros de 3 (quatro horas).

DATAS E HORÁRIOS

Aos sábados, de 05/abril a 28/junho, das 14h00 horas às 17h00.

LOCAL

Oficina Cultural Oswald de Andrade

Rua Três Rios, 363, Bom Retiro

Telefones (11) 3221-5558 / 3222-2662

oswalddeandrade@assoc.org.br

Inscrições: segunda a sexta-feira, 10h às 20h.

(Veja detalhes do programa em nossa biblioteca virtual)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Ainda em relação à 10639/03, vamos conhecer dois Gaudis negros brasileiros, parte II

Principal link relacionado a este post: Gabriel Joaquim dos Santos

O outro Gaudi brasileiro
:

A vida e a obra desse outro arquiteto negro espontâneo foi contada no Documentário dirigido por Sérgio Oskman, que divulgou Estevão da Silva Conceição junto da comissão organizadora do Aniversário dos 150 Anos de Gaudí.
Fascinados pela obra deste baiano, a Comissão ofereceu-lhe uma viagem a Barcelona, para ver, de perto, a razão por que todos lhe chamam o Gaudí Brasileiro.

Estevão Silva da Conceição: pequena biografia de um migrante negro baiano na favela de Paraisópolis, São Paulo, SP, que reiventou a beleza na miséria.


Abaixo, uma pequena mostra de sua criação que como diria o primeiro Gaudi brasileiro, Gabriel Joaquim dos Santos "é tudo caquinho transformado em beleza"

escada

sala

detalhe interno










fachada externa

















Estevão posa na frente de sua casa









Ainda em relação à 10639/03: vamos conhecer dois Gaudis negros brasileiros? parte I

Principais links relacionados a este post:

Estevão da Conceição

Museu Afro Brasil

Aniversário da 10639/03

Educação para igualdade étnico-racial

Fontes para implementação da 10639/03

Miss minas terrestres

IDH de negros não aumenta no país






Você já ouviu falar da Casa-da- flor? Não?
Então não sabe o que está perdendo.










(fachada externa da Casa-da-Flor)




Conheça uma breve história de seu criador e sua belíssima obra:


A casa foi construída por Gabriel Joaquim dos Santos a partir de 1912, em São Pedro da Aldeia, RJ.
Gabriel Joaquim dos Santos era um homem pobre, negro, trabalhador das salinas da região, e que nunca freqüentou uma escola. De 1923 a 1985, quando faleceu esse arquiteto criativo e espontâneo foi embelezando seu lar com materiais recolhidos no lixo doméstico e no refugo das obras civis do local, guiado por sonhos e uma fértil imaginação.

Com o objetivo de preservar e divulgar a casa e o trabalho de Seu Gabriel, um grupo de admiradores criou, em 1987, a Sociedade de Amigos da Casa da Flor, hoje Instituto Cultural Casa da Flor, uma entidade civil sem fins lucrativos.


A forma poética do discurso de Gabriel Joaquim dos Santos


  • Eu tenho um pensamento vivo.
  • Sonho pra fazer e faço.







  • Seu Gabriel no jardim de sua Casa-da-flor


  • A casa depende do espírito, é uma casa espiritual.














  • lamparinas, detalhe interno da Casa-da-flor

  • Aquelas flores é feita com caco, de telhas, é um coisa mais forte, caco de pedaço de pedra, porque quero fazer que fique aí, não se desmanche. A chuva bate, lava, é sempre, é uma sempre-viva aquilo.
  • Às vezes saio para ver essas coisinhas que eu mesmo faço e eu mesmo fico satisfeito, me conforta.

  • Esta casa não é uma casa, isto é uma história, é uma história porque foi feita por pensamento e sonho.

  • Deus me deu essa inteligência. Vêm aquelas coisas na memória e eu vou fazer tudo perfeitinho como eu sonhei.
  • Trabalhei sozinho, todo esse movimento que está aqui não tem ajuda, eu que fiz tudo com as minhas mãos.
  • Eu quero os cacos porque dos cacos eu vou fazer as coisas para as pessoas se admirar, pra quê quero comprar uma jarra nova? Jarra comprada eu não preciso. Isso não tem graça.

  • O Brasil é uma nação muito grande, precisa paz, precisa civilização, precisa educação. Precisa muito cuidado com o Brasil.
  • Eu indo em Cabo Frio, entro na casa daquelas grã-finas, eu trago tudo na mente que eu vi naquela casa, aí é que está, não tiro retrato não, se eu tiver o material, chego em casa e vou fazer perfeito.


  • Ainda está claro do dia, eu já estou procurando a cama, mas não pra dormir, prá pensar। Me deito na cama, pego a imaginar até meia-noite, pensando. O meu sentimento vai muito longe.

  • Vem uma pessoa com um azulejo, eu boto. Vem uma pessoa com um caramujo, eu boto. Vem uma pessoa com um prato quebrado, quebra uma jarra, eu faço aquela ramagenzinha, uma rosa, boto prá enfeitar.

  • (extraídos de Casa da Flor, visite o site e conheça os apontamentos poéticos de seu Gabriel)

  • No site oficial vc pode adquirir esses belíssimos cartões postais



    sábado, 8 de dezembro de 2007

    Lançamentos! Fontes para os professores comprometidos com a implementação da 10639/03

    Links correlacionados:
    educação para igualdade étnico-racial
    fontes para implementação da 10639/03
    miss minas terrestres


    Consulte também o diretório Biblioteca do Professor; pasta Educação para a Igualdade racial na Biblioteca Virtual da História em Projetos

    A criação do mundo ( por Ana Luísa Vieira)

    Aprisionada por caçadores de escravos na África, Adetutu é jogada no porão de um navio negreiro rumo ao Brasil. Preocupa-se com o destino, mas resolve fazer jus ao próprio nome, que significa A-Coroa-Paciente ou A-Princesa-Sabe-Esperar. Durante o caminho, tem um longo sonho com a criação da terra e dos humanos por seus deuses, chamados de orixás.

    São esses episódios sonhados a base de Contos e Lendas Afro-Brasileiros – A Criação do Mundo (Companhia das Letras, 224 págs., R$ 28). Escrito pelo sociólogo Reginaldo Prandi, com ilustrações de Joana Lira, o livro é voltado ao público jovem e traz a história do candomblé, com personagens como Olorum, o Ser Supremo.

    Ao final do livro, pequenos capítulos detalham os emblemas e as personalidades de cada orixá.
    **************



    Editora da Universidade Federal da Bahia lança livro
    que não se encontrava no país há muito, muito tempo!

    Frantz Fanon - Pele Negra, Máscaras Brancas
    - de leitura obrigatória!


    10 de abril, às 18h - Centro de Estudos Afro-Orientais - CEAO / UFBA
    Praça Inocêncio Galvão, s/n, Largo Dois de Julho

    **************
    A História em Projetos trabalha com a história do continente africano e investe na recuperação da história dos afro-descendentes no contexto da Diáspora e na representação dos negros como sujeitos da história.

    Ao longo de todos os volumes de nossa coleção, os professores encontram uma abordagem diferenciada sobre a história e culturas africanas e afro-brasileira.

    Nosso compromisso com a Lei 10.639/03 reflete-se na linguagem e representações dos afro-brasileiros e da África sem estereótipos, estimulando o desenvolvimento de uma visão de respeito às diferenças entre todas as crianças.

    Por isso, o blog da História em Projetos apoia o lançamento do livro História e Cultura Afro-Brasileira de Regiane Augusto de Mattos, publicado pela Contexto.

    Pensado e elaborado de forma didática, esse livro ajuda a preencher uma grande lacuna na formação docente, contribuindo para a implementação da 10639/03.
    O livro mostra que, apesar dos obstáculos impostos pela escravidão no Brasil, os africanos e seus descendentes encontraram meios de organização e manifestação de suas culturas, o que influenciou profundamente a sociedade brasileira.
    *******************

    Ensino de cultura afro-brasileira é prejudicado pela falta de professores (Agência USP de Notícias - 07/12/2007 16:50

    Renato Sanchez
    renato.sanchez@usp.br

    Faltam materiais didáticos e professores preparados para o ensino de história e cultura afro-brasileiras nas escolas de todo o País. A afirmação é da professora Regiane Augusto de Mattos, mestre em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Ela lembra que desde 2003, a lei federal nº 10.639 tornou obrigatório o ensino de História da África e da cultura afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio.

    Para Regiane, a nova legislação representa um avanço no reconhecimento da cultura africana como uma das principais matrizes da cultura brasileira. Ela aponta, no entanto, algumas dificuldades para que a lei seja implementada de fato nas escolas. A principal delas é a questão da formação dos professores já que o tema é pouco abordado mesmo nas faculdades de história. “Para se ter uma idéia, a disciplina de História da África só foi introduzida no currículo da FFLCH em 1997. Imagine quantos professores se formaram sem nunca ter estudado o tema”, avalia.

    Quase cinco anos depois da aprovação da lei, Regiane publicou o livro História e Cultura Afro-brasileira (Editora Contexto, 224 páginas, R$29,00). Ela afirma que a idéia é suprir a carência por material didático. O livro aborda em três capítulos temas relacionados aos conteúdos exigidos pela nova legislação: a História da África antes do século XV; a África depois da chegada dos europeus; e a influência na cultura brasileira.

    Os críticos da obrigatoriedade afirmam que ela inclui a historiografia africana mas exclui a dos árabes, judeus, asiáticos etc. Regiane discorda: “A cultura brasileira vem de três matrizes principais: a africana, a européia e a indígena. Seria desejável incluir também a história indígena no currículo para que as crianças entendam como se originou a cultura com a qual elas hoje se identificam”.

    Prova de que há uma deficiência no ensino do tema, são as noções equivocadas do senso-comum sobre a África e sua cultura. Um dos enganos mais comuns, afirma a pesquisadora, é pensar o continente como uma coisa única e homogênea. “Há muita diversidade de organização política, cultos religiosos e etnias e é importante ter em mente essa diversidade para entender a influência dessa diversidade na formação da cultura brasileira”, afirma.

    Para exemplificar, ela usa a questão religiosa. “Quando se fala na religião dos escravos no Brasil, pensamos exclusivamente no candomblé. Mas haviam também os islamizados. Inclusive houve, em 1853, uma revolta no nordeste do Brasil liderada por escravos de religião islâmica, a chamada Revolta dos Malês”, conta a professora. Ela critica também a associação automática que se costuma fazer entre os termos africano e escravo: “Havia sociedades que participavam do comércio de escravos capturando pessoas de sociedades inimigas e comercializando. Além disso eram economicamente relevantes o comércio de ouro e do marfim extraído das presas de elefantes”, afirma Regiane.

    Outro ponto interessante, e comumente ignorado, é a tradição oral existente na maioria dos povos africanos. “Havia algumas sociedades que apresentavam formas de escrita mas, em geral, a transmissão de conhecimento era feita oralmente”, conta. “Além disso, os idosos tinham um papel muito importante, participavam de conselhos de anciãos e gozavam de muito respeitos entre os outros integrantes dessas sociedades ”, finaliza.

    **********
    Lançamento do Cadernos Negros

    A comunidade Amigos dos Cadernos Negros e o Quilombhoje - Literatura convidam você, familiares e amigos para a festa de lançamento do livro CADERNOS NEGROS volume 30 - CONTOS

    Dia 14/12/2007 (sexta-feira) às 19hs

    No SESC PAULISTA (auditório)

    Av. Paulista, 119 (Metrô Brigadeiro)

    Entrada Franca

    PROGRAMAÇÃO

    - Sensibilização sobre Auto-Estima com a Psicóloga Maria Célia Malaquias

    - Comentários sobre o livro: Escritora Elizandra Souza

    - Performance: Akins Kinte e MC Rafão (Casa de Cultura de Santo André)

    - Apresentação Artística: Cia. Koteban (Balé Afro e Percussão)

    Cadernos Negros volume 30 - contos: Você precisa ler

    É com muito orgulho pelo caminho já trilhado e desejosos de prosseguirmos sempre adiante nessa longa estrada de lutas que convidamos você, seus familiares e amigos para celebrar conosco a concretização de mais um projeto, herdeiros que somos do legado de nossos ancestrais, que resistiram em nome de um sonho: a liberdade.

    Hoje nosso confronto se dá em vários campos: discriminação, invisibilidade, ausência de cidadania. Por isso estamos aqui, há 30 anos mostrando nossa cara e dando nossa cara a uma tradição que durante tanto tempo nos foi negada: a literária.

    Os Cadernos surgiram em meio à efervescência do movimento negro, em 1978. Desde então vêm perpassando gerações, acionando em seus leitores a consciência de que, sim, podemos e devemos ocupar nosso espaço nesta sociedade e país que foram construídos à base de muito suor de nossos antepassados.

    Embora com três décadas de vida, os Cadernos ainda enfrentam as dificuldades financeiras e culturais de sempre. O livro sai porque é feito na raça. A leitura ainda é pouco habitual entre a população, que, quando lê, opta pelo que o grande mercado oferece. Algumas luzes se acendem para se apagar em seguida.

    Mas a série Cadernos Negros já conquistou um público que a acompanha, além de merecer atenção em alguns centros acadêmicos.

    O lançamento do volume 30 de Cadernos Negros é mais do que uma festa, é um rito de passagem, a superação de mais uma fase e a preparação para outras que virão. Portanto, precisamos estar todos juntos, lá, nos encontrando, lendo, conversando e comentando sobre nossos contos. Enfim, sendo o que somos: povo brasileiro.

    E temos sede de literatura afro!

    Cadernos Negros volume 30 - contos: você precisa ler!

    AUTORES: Ademiro Alves (Sacolinha), Luiz Carlos de Oliveira,Allan da Rosa, Márcio Barbosa, Conceição Evaristo, Mel Adún, Cristiane Sobral, Michel da Silva, Cuti, Miriam Alves, Décio Vieira, Oubi Inaê Kibuko, Edson Robson, Raquel de Almeida, Elizandra, Rosário Ngunza, Esmeralda Ribeiro, Ruimar Batista da Costa, Helton Fesan, Sergio Silva, Henrique Cunha, Sidney de Paula, Lande Onawale, Zula Gibi.

    APOIO

    SESC - Paulista * Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo * Cone - Coordenadoria dos Assuntos da População Negra (PMSP) * Secretaria Especial de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) * Fundação Cultural Palmares * comunidades orkutianas: Amigos dos Cadernos Negros, Gostando Mais de Nós Mesmos e Sessão Pipoca Preta Convida * Cabeças Falantes Online * T2P - Tela Preta Produções.

    REALIZAÇÃO: Quilombhoje

    *************

    BOLETIM AÇÃO EDUCATIVA (São Paulo, terça, 11 de dezembro de 2007)

    Lançado o livro Igualdade das Relações Étnico-Raciais na Escola

    O estudo acompanhou a implementação da lei 10.639 em quinze escolas de três capitais brasileiras: Belo Horizonte, Salvador e São Paulo.

    Após o mês da Consciência Negra, o debate sobre a temática racial continua na Ação Educativa. No dia 7 de dezembro, o programa Pesquisa e Ação Política, promoveu o lançamento do livro Igualdade das Relações Étnico-Raciais na Escola: Possibilidades e Desafios para a Implementação da Lei 10.639/2003.

    O livro é resultado de um estudo promovido pela Ação Educativa, Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade - Ceert e Ceafro. O estudo acompanhou a implementação da lei 10.639 em quinze escolas de três capitais brasileiras: Belo Horizonte, Salvador e São Paulo. A lei, de janeiro de 2003, tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nos currículos escolares.

    A pesquisa envolveu entrevistas e dinâmicas com pais, professores, alunos e funcionários. "A intenção foi tentar refletir a percepção de cada grupo sobre as relações raciais dentro da escola e saber o entendimento que tinham sobre a história e a cultura africana e afro-brasileira", explica Tânia Portella, assessora do programa Pesquisa em Políticas Educacionais da Ação Educativa. Segundo ela, a escolha das escolas se deu de forma a contemplar diferentes realidades e públicos em cada uma das capitais.

    O evento do dia 7 teve início às 14h30 no auditório da Ação Educativa onde os responsáveis pela pesquisa nos três estados apresentaram os resultados da consulta. A partir das 18h ocorre o coquetel de lançamento, com quitutes africanos e apresentações culturais como contação de histórias e show de kalimba, instrumento típico africano.