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sábado, 17 de janeiro de 2009

Obama pede união para 'aperfeiçoar' os EUA

Barack Obama e sua família (a esposa Michelle e a filha Sasha) embarcam na Filadélfia (Foto: AFP)
Obama iniciou a viagem com a família, seguranças e representantes da imprensa

O presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama iniciou sua viagem de Filadélfia a Washington, onde ocorrerá a posse no dia 20 de janeiro, com um discurso no qual pediu união de todos.

"Acredito que nosso futuro é nossa escolha e se pudermos nos reconhecer nos outros e unir todos: democratas, republicanos, independentes, norte, sul, leste oeste, negros, brancos, latinos, asiáticos, nativos americanos, gays e heterossexuais e deficientes... então isto não apenas restauraria a esperança e oportunidade onde são necessárias, mas talvez poderíamos aperfeiçoar nosso país no processo", afirmou.

Pouco antes de embarcar no trem que o levou por uma viagem que refez a viagem do presidente Abraham Lincoln no século 19, Obama pediu que todos os americanos construam um país melhor.

"Começando agora, vamos levar para nossas vidas o trabalho de aperfeiçoar nosso país. Vamos construir um governo que é responsável com o povo. Vamos aceitar nossas responsabilidades como cidadãos para manter nosso governo responsável."

"Vamos fazer nossa parte para reconstruir este país, vamos garantir que esta eleição não é o fim do que fazemos para mudar a América, mas apenas o começo", acrescentou.

O presidente eleito lembrou dos problemas dos Estados Unidos e afirmou que o país precisa adotar novas formas de pensamento.

"Nossos problemas podem ser novos, o que é preciso para superá-los não é. O que é preciso é a mesma perseverança e idealismo que nossos fundadores mostraram."

"O que é preciso é uma nova Declaração de Independência, não apenas em nosso país, mas em nossas vidas. Independência de ideologia e pensamento estreito, independência de preconceitos e intolerância, independência do egoísmo", disse.

Viagem histórica

Assim como Abraham Lincoln em 1861, antes de assumir a presidência dos Estados Unidos, a viagem de Barack Obama começou em Filadélfia, onde o presidente eleito, seguranças e um grupo da imprensa embarcaram em um trem de 80 anos de idade.

Joe Biden e sua mulher Jill, embarcam
Obama fez uma parada em Wilmington para que Joe Biden e família embarcassem

A viagem seguiu para Claymont, Delaware, onde o trem passou lentamente para que Obama pudesse acenar para o público. Uma parada foi feita em Wilmington, para que o vice-presidente eleito Joe Biden e sua família se juntassem à viagem.

Em Baltimore, Maryland, Obama fez mais uma parada e um discurso para cerca de 40 mil pessoas, no qual afirmou que é preciso mostrar o espírito de luta dos antigos patriotas americanos.

"Apenas em algumas vezes em nossa história uma geração teve que enfrentar desafios tão grandes", afirmou.

"Uma economia vacilante, duas guerras - uma que precisa ser encerrada com responsabilidade e outra que precisa ser feita de forma sábia. Um planeta que está esquentando (...) devido à nossa insustentável dependência do petróleo."

"E ainda que nossos problemas sejam novos, o que é preciso para superá-los não é. O que é preciso é a mesma perseverança e idealismo que aqueles patriotas demonstraram", disse.

Na noite de sábado Obama chegou ao destino final da viagem, Washington, onde na terça-feira, fará o juramento da posse.

Antes da posse, uma série de eventos deverá iniciar as comemorações. No domingo Obama participará, junto com celebridades e cantores, de um concerto no Lincoln Memorial.

Na segunda-feira, o feriado de Martin Luther King, Obama, Biden e suas famílias participarão de atividades que visam encorajar cidadãos a ajudarem suas comunidades, em Washington.

domingo, 9 de novembro de 2008

Obama, lições de uma vitória

Se há algo que precisa ser destacado como elemento central na vitória de Barack Obama é justamente o reconhecimento dos movimentos sociais como atores de enorme importância para a revitalização da esfera pública.

Dois equívocos devem ser evitados quando analisamos a chegada de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos: o triunfalismo pueril e o ceticismo fatalista. Se o primeiro ignora os enormes desafios que esperam o próximo ocupante da Casa Branca, caindo em um voluntarismo inconseqüente, o segundo, aquele que prima pelo discurso do “nada muda, o imperialismo estadunidense continuará da mesma forma", renega a prática política como fator de transformação. Ambos desconhecem a práxis como critério de verdade e caem em um perigoso vazio.

Obama não é “um raio num dia de céu azul". A inflexão ética que representa sua eleição não pode ser vista como algo sem importância. Estamos tratando de um processo eleitoral. E uma eleição nunca deixa de revelar novas subjetividades que se expressam como adesão ao universo simbólico do candidato eleito. Desconsiderar esse ponto é o mesmo que renunciar à compreensão de características que definem os mecanismos de poder existentes em quaisquer sociedades.

Sem dúvida, a crise econômica favoreceu a vitória do candidato democrata, mas terá sido ela o fator decisivo? Há oito anos, o historiador Nicolau Sevcenko afirmava que "esses movimentos que a gente viu tomar as ruas de uma maneira teatral, fortemente simbólica, em Seattle, Toronto, Washington e Praga, são a projeção na praça pública desse grande nexo de pessoas de todo o mundo que convergem para uma crítica que pretende recolocar o homem no centro do processo histórico". As palavras de Sevcenko eram uma correta reflexão sobre o lugar da política no contexto da globalização neoliberal.

Há quem atribua ao ex-presidente Lyndon Johnson, quando assinou a lei dos direitos civis em 1964, a origem mais remota da vitória de Obama. Mas cremos ser mais preciso atribuí-la à massa crítica acumulada desde as manifestações de Seatlle.

O real sentido de seu êxito aponta para uma mudança de ênfase, tons e prioridades da sociedade estadunidense. E, dependendo da agenda que adote, o novo governo pode significar a revalorização da democracia, o desmentido da crença de que os agentes de mercado possuíam uma força econômica tão esmagadora que eram capazes de eliminar a ação política.

Se, de um lado, os fundamentalistas do livre mercado estavam convencidos de que a mundialização do capitalismo era o experimento mais bem-sucedido da humanidade, a ponto de tornar obsoleta a dimensão política, de outro, o discurso da esquerda não conseguia ultrapassar o nível da denúncia contra os estragos provocados nas economias e culturas nacionais. Ou seja, não lograva articular uma narrativa que demonstrasse, com eficácia, que as tendências globalizantes, supostamente criadoras de uma “sociedade mundial", controlada pelo mercado e impermeável a intervenções políticas nacionais, nada mais eram que uma quimera ideológica.

De fato, se há algo que precisa ser destacado como elemento central na vitória de Barack Obama é justamente o reconhecimento dos movimentos sociais como atores de enorme importância para a revitalização da esfera pública. É necessário apreendê-los como formas de organização que reconhecem novos direitos. As lágrimas do pastor Jesse Jackson não evocam apenas o passado, mas, sinuosamente, escorrem para o futuro.

A mesma crise econômica que limita a margem de manobra de Obama, dialeticamente, abre espaço para a imaginação criadora. Há os desafios impostos pelo endividamento das famílias norte-americanas, pelo aumento do desemprego, da desigualdade, e pela pilhagem do meio-ambiente sob o comando das corporações.

A ofensiva internacional de Bush II, formulada antes mesmo da chegada dos republicanos ao poder, precisa ser interrompida o mais rápido possível. A sociedade americana já se deu conta de que o "imperialismo democrático" das lideranças neoconservadoras não é sequer factível. A política externa de George W. Bush foi um desastre sem tamanho. É hora de elaborar nova agenda que contemple um multilateralismo efetivo. Os termos do novo cenário estão contidos em “Nossa Carta a Obama", publicada em Carta Maior.

O presidente que começou vencendo a máquina de seu próprio partido tem que estar ciente que o tempo corre contra ele. A direita já está se articulando com vistas às eleições parlamentares de 2010. E, paradoxalmente, aposta na crise que a apeou do poder. Nesse caso, mantém uma estreita sincronia com sua congênere brasileira. Sem falar da sintonia ética.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Obama por Obama: Yes, we can!

"Olá, Chicago! Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.

É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.

É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.

Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e Estados azuis.

Somos, e sempre seremos, os EUA da América. É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.

Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA. Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.

O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.

Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.

Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.

E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.

Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.

Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.

A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos EUA da América.

A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho. À melhor equipe de campanha formada na história da política.

Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir. Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.

Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.

Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.

Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.

Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.

Esta é a vitória de vocês. Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.

Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.

Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.

Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.

Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.

O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.

Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos. Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.

Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.

O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.

Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.

Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.

Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.

Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.

Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.

Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.

Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.

E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.

E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.

A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.

E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.

Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.

Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.

Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.

Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.

Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.

Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.

Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.

Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.

Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.

O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação. E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar. Podemos.

EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer.

Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?

Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.

Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.

E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.

Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os EUA".

Barack Obama, em 04/11/2008 no Grant Park de Chicago (Illinois) por volta das 23h locais (3h, horário de Brasília) Tradução Terra Magazine

A vitória de Obama por PHA e Rodrigo Vianna



Yes, we can !

05/11/2008 08:48

CARO LEITOR, VOCÊ VIVEU A UM DIA HISTÓRICO. AS PESQUISAS ERRARAM: OBAMA GANHOU DE GOLEADA.

SIM, NÓS PODEMOS ! YES, WE CAN !

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 2074

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

. A vitória de Obama é espantosa.

. A vitória de Obama é espantosa. . Foi preciso o neoliberalismo de Ronald Reagan-Margaret Thatcher-Pinochet-Fernando Henrique Cardoso ser enterrado na mesma vala em que se depositou o Muro de Berlim.

. Foi preciso que os Estados Unidos perdessem duas guerras – a do Iraque e a do Afeganistão.

. Foi preciso haver um presidente Bush, o mais impopular dos presidentes americanos, que explorou o medo como expediente eleitoral e construiu a coalizão mais reacionária da recente historia política americana.

. Foi preciso fazer a mais profunda intervenção estatal na economia americana para salvar Wall Street.

. Só assim, numa situação-limite, à beira do precipício, a sociedade americana foi capaz de eleger um negro, de esquerda, Presidente dos Estados Unidos.

. De forma esmagadora.

. Obama ganhou nos Estados Unidos inteiro: ele não é apenas um presidente da costa Leste (Nova York) e da costa Oeste (Califórnia).

. Ele É um presidente de todos os americanos.

. Em Nova York, onde foi a festa?

. No Harlem!

. A mensagem de inclusão política e social de Obama derrotou os Republicanos, e também o Establishment democrata, controlado pelo casal Clinton.

. Obama tem dois modelos à frente dele: Franklin Roosevelt e Jimmy Carter.

. Roosevelt assumiu em 1932, com a economia americana em frangalhos e se tornou um dos maiores presidentes americanos.

. Jimmy Carter sucedeu Richard Nixon, 1000 vezes mais inteligente que George Bush, e, mesmo assim, deposto depois do escândalo de Watergate.

. Carter assumiu como se fosse a vassoura que ia limpar Washington.

. Fez um governo medíocre e se tornou melhor ex-presidente do que Presidente, o que o Fernando Henrique Cardoso nem isso conseguiu ser: melhor fora do que dentro.

. Obama vai mostrar logo cedo se é Roosevelt ou Carter.

. Ao assumir no ponto mais profundo da Crise de 29, Roosevelt fechou os bancos por três dias – para ver quem comprava quem – e lançou um agressivo programa de intervenção estatal na economia, uma espécie de PAC + Bolsa Família, multiplicado por 100 – os “Cem Dias”

. Neste momento em que escrevo, 1H30 da manha, Obama vai ter maioria no Senado.

. Não será como o Presidente Lula, que não tem maioria no Senado, é repudiado pelo PiG, e tem que cortejar esse conjunto de mercadores reunidos no PMDB

. Obama tem o PiG ao lado dele (por enquanto ...).

. Pode, portanto, governar, imprimir a marca na Historia.

. Se tem maioria no Senado, pode mudar a inclinação do Supremo Tribunal Federal.

. Os brasileiros começam a se dar conta de que uma das – se não A mais importante – funções do Presidente da Republica é compor o Supremo.

. Num Supremo que, no momento, é presidido pelo Supremo Presidente, o empresário Gilmar Mendes, que, na verdade, reproduz no Supremo as crenças e os interesses econômicos (leia-se Daniel Dantas) de seus patronos – Fernando Henrique Cardoso e Nelson Jobim -, nesse Supremo, o Presidente Lula, por exemplo, teve a chance histórica de escolher 6 ministros em onze e construiu um dos Supremos mais conservadores da Historia da República.

. É bom lembrar que Carlos Alberto Direito não foi para o Supremo por decisão de Garrastazu Médici e seu Ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, mas por Lula e Jobim.

. Obama vai poder refazer a construção conservadora de Bush no Supremo americano.

. No Brasil, só nos resta rezar ...

. Uma palavra final sobre as pesquisas de opinião pública.

. As pesquisas do IBOPE e do Datafolha e a forma como o PiG as analisa são um dos instrumentos do PiG para manipular a opinião publica.

. O simples fato de só haver duas instituições de pesquisa de opinião pública eleitoral - nos Estados Unidos houve mais de 700 !!! nessa campanha - já é uma demonstração da parcialidade do processo – do partido a que as pesquisas servem.

. SÓ, SÓ, SÓ no Brasil se leva pesquisa tão a sério.

. Como SÓ, SÓ, SÓ no Brasil se dá tanta importância à corrida de Fórmula 1 !!!

. É a mesma coisa: como manipular a opinião pública para tomar uma grana.

. As pesquisas e o PiG beneficiam o candidato conservador.

. A F-1 dá uma grana à Globo.

. As pesquisas de opinião pública erraram nos Estados Unidos: não previram a vitória de goleada do Obama.

. Especialmente a vitória ampla e indiscutível, tão cedo, no Colégio Eleitoral.

. Como no primeiro turno de São Paulo: o IBOPE e o Datafolha disseram que a Marta ia ganhar e não ganhou.

. As pesquisas são o que são: um flagrante.

. Duas horas da manhã: OBAMA É O NOVO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS !!!

. Eu Vi!

. Ninguém imaginou que a essa hora, duas horas da manha em Brasília, um negro pudesse ser considerado presidente dos Estados Unidos, tão cedo.

. Eu gostaria de estar no Grant Park, em Chicago, à beiro do lago Michigan onde já corri como pseudo maratonista.

. E re-encontrar Jesse Jackson, em prantos, ele que foi um dos pioneiros dessa batalha dos negros americanos, na geração pós-Martin Luther King Jr.

. E estar ali na multidão e dizer: EU VI!

. Ou entoar aquele canto de inspiração bíblica: Yes! We can!

. Obama não será um Lula.

. Obama não vai se eleger pela esquerda e governar pela direita.

. A proposta de Obama é outra: ele é presidente de TODOS os americanos!

. Hoje, no mundo inteiro, todos votaram em Obama!

. Yes, we can!

*******************

A "FOLHA" ESQUECEU DO OBAMA; VITÓRIA DELE NÃO MUDA O MUNDO!

Rodrigo Vianna do Escrevinhador

quarta-feira, 05 de novembro de 2008 às 22:18

Meu primeiro espanto hoje foi com a "Folha de S. Paulo". Como faço todas as manhãs, caminhei até a garagem de casa e tirei do saco plástico o jornal deixado por ali no final da madrugada.
A vitória de Obama não estava na manchete! A "Folha" esqueceu de atualizar a edição desta quarta-feira?

A edição que segue para Tocantins, Amapá, Minas e até para o Rio não podia trazer a manchete com a vitória, porque é fechada cedo demais, por volta de 21 horas do dia anterior. Mas, eu moro em São Paulo, na zona sul da cidade, a menos de 20 km da redação da "Folha". E a edição que chegou à minha casa não trazia a vitória do Obama na capa. Meu vizinho assina o "Estadão". Fui espiar: ali, a vitória de Obama estava na manchete.

A "Folha" resolveu dormir mais cedo na terça? Será que o exemplar que chegou na casa do Serra também estava desatualizado? Isso vai dar demissão lá na Barão de Limeira...

Mas, meu segundo espanto hoje foi com a comoção geral. Juro que me senti um extra-terrestre. Em casa, na rua, na padaria e no trabalho só se falava de Obama. Com um olhar consternado, uma pessoa muito próxima chegou a me dizer: "eu queria estar em Chicago, ouvir Obama, participar da festa da vitória."
Festa de quem, cara-pálida?

Sinceramente, senti emoção mesmo quando Lula venceu em 2002. Aquilo me tocou, aquilo dizia respeito a mim.
Quanto a Obama, bem... Posso dizer que senti mais emoção com a volta do Corinthians à Série A do que com a vitória dele.
Sou um chato? Um mal-humorado?
Um nacionalista idiota? Talvez...

Deixemos a emoção de lado. E façamos, então, a leitura política dos fatos: a vitória de Obama significa uma virada de página, a derrota definitiva do conservadorismo, do projeto imperial americano, certo?
Não! Claro que não.
Obama derrotou o conservadorismo nas urnas, numericamente. Isso é fato (menos na capa da "Folha").
Mas, a vitória dele não significa que ingressamos numa nova fase.

Não dá pra comparar com a vitória do Exército Vermelho sobre Hitler, por exemplo.
Ou com a sova dos vietnamitas sobre as tropas imperialistas dos Estados Unidos. Muito menos com a queda do Muro de Berlim.

A vitória de Obama é uma vitória parcial. Muito parcial.
Uma vitória liberal. Como a de Carter nos anos 70. A de Clinton nos anos 90.
A diferença é o aspecto simbólico: agora é um negro governando um país racista.
Mas, por baixo do símbolo, há uma virada de página?
Sinceramente, acho que não!

Digo isso baseado nos números.
Vocês deram uma olhada no mapa da votação?
Ok, Obama ganhou na Flórida, no Novo México, no Colorado - territórios republicanos.

Mas, vocês viram qual foi a diferença na Flórida? Menos de 200 mil votos!
E a diferença nacional? Menos de dez milhões de votos!
Eu não li nada disso na capa da "Folha". Mas é fato!

Bush - como se sabe - quebrou os Estados Unidos, horrorizou o mundo, criou a terrível base de Guantánamo, passou por cima da ONU, e é o presidente estadounidense mais desprezado no Mundo nos últimos 50 anos.
McCain, candidato republicano, deveria ter levado uma surra homérica. Deveria ter sido caçado pelo eleitor, feito uma ratazana prenhe - como diria Nelson Rodrigues. No entanto, perdeu por pouco no voto popular.

No Colégio Eleitoral, a vitória de Obama foi esmagadora, isso é fato (menos na capa da "Folha").
Mas, no voto popular, não!
Isso significa o que? Que o conservadorismo republicano está mais vivo que nunca.
Vai se reagrupar.
A direita religiosa, os intervencionistas, os imperialistas, os racistas, a horda de bárbaros que levou Bush ao poder segue firme.
Despreza o que o mundo possa pensar, desconfia dos negros, dos latinos, e vai partir pra cima de Obama assim que se passarem os cem dias tradicionais de trégua no início de governo.

Mas, isso não é o mais grave. Isso é problema deles!

O que interessa a nós é que a máquina de guerra dos Estados Unidos não vai desaparecer.
O Imperialismo assumirá novas faces. Vem aí, de volta, o "soft power".
Clinton visitou o morro da Mangueira, vocês lembram? Obama também deve passar por lá nos próximos anos. Pode dar um pulo até o Haiti, um giro pela África, bater um papo com o Fidel...

Não acredito que a vitória de Obama abra uma nova fase na história mundial.

O Capitalismo não muda porque um negro chegou à presidência dos EUA.
O Capitalismo segue em crise. Os "red necks", que formam a base republicana na América profunda e que votaram de forma esmagadora em McCain, vão perder seus empregos com a crise que seguirá imensa. Mas, não botarão a culpa no legado de Bush. Vão pra cima de Obama, cobrando que ele "Salve a América".

Obama não poderá salvar os Estados Unidos de seus próprios erros...

Ele é apenas um liberal que venceu porque o adversário conservador quebrou o país.
Mas, venceu mesmo? Estou com a "Folha" aqui na mão, e não consigo saber...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Tchau Bush! Bem-vindo presidente OBAMA!

Pensei em muitas coisas pra escrever hoje, mas sequer tive tempo para redigir a crônica prometida da entrega do Jabuti. Entretanto não há como deixar passar em branco a eleição do 44º presidente dos Estados Unidos. Sem sombra de dúvidas o dia 04 de novembro tornar-se-a, ao menos para o mundo, um dia mais especial que o 4 de julho.

Em todo o globo as pessoas celebraram a vitória do primeiro candidato negro que alçou a Casa Branca com uma expressiva margem de vantagem sobre seu concorrente republicano.

Obama não é apenas o primeiro presidente negro dos EUA, é o primeiro estadista contemporâneo com uma visão para além dos EUA. Uma visão que recupera uma tradição de brancos e negros de fins do XVIII e início do XIX que circulavam ao menos entre Europa e África: William Edward Burghardt Du Bois, Thomas Paine. Ser filho de um queniano, com mãe branca estadunidense, ter vivido no Havaí, criado por padrasto indonésio que lhe deu uma irmã asiática possibilitou a este jovem político uma formação multicultural bem diferente da de um estadunidense médio como o era o ex-presidente Bush e seus similares. Obama aprendeu em seu cotidiano, desde o berço, que o mundo é feito de imensas diferenças socioculturais e pode ser interessante nesta diversidade.

Possivelmente sem a crise as chances de Obama teriam sido bem menores, talvez, agora estivéssemos assistindo a subida à presidência da primeira mulher a governar os Estados Unidos.

Porém, a mesma crise que auxiliou Obama a vencer na chapa dos democratas e a arrasar McCain nas urnas será o maior desafio do jovem presidente
. As expectativas do mundo em relação ao democrata liberal que defendeu em sua campanha a mudança e a esperança são gigantescas. Obama não pode falhar, embora seja apenas um homem que terá de lidar com a lógica perversa das corporações.
Moradores do Castro, em São Francisco, comemoram vitória do democrata Barack Obama.

Se ao menos seu país abandonar a lógica da dominação, da espoliação, da ocupação do terrorismo institucionalizado da era Bush, para o restante do mundo já será um imenso avanço.

Boa sorte presidente Obama, daqui do Brasil, uma pátria negra que assim não se enxerga, mando-lhe todas as energias dos orixás para iluminá-lo em seu mandato.

Com os votos de que em seu governo os Estados Unidos iniciem uma nova história privilegiando o verdadeiro respeito entre as etnias, a verdadeira cidadania planetária e que a sua vitória simbolize de fato uma mudança expressiva e positiva do século XXI.

***********
Selecionei, para nossa reflexão, parte desta expectativa, traduzida em uma celebrada esperança em algumas imagens flagradas pela AP. Selecionei também dois vídeos (um de Obama e outro de McCain após o resultado das urnas), assim como a celebração/mobilização da Avaaz.


O abraço da vitória: Obama e sua mulher Michelle.


Boston: O que mais me chamou a atenção ontem vendo as celebrações em Chicago foram a quantidade de pessoas brancas vibrando genuinamente com a vitória de seu candidato negro. Quando no Brasil teremos algo semelhante? Na foto, em Boston, mulheres vibram e aplaudem o anúncio da vitória do democrata Barack Obama.

Christine King Farris, irmã do líder Martin Luther King, e sua neta choram emocionadas após projeções apontarem vitória do democrata Barack Obama.

A bio política na era pós-racial? O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, comemora vitória em Chicago com sua mulher, Michelle, o vice-presidente Joe Biden e sua esposa Jill.


Quênia: na terra do pai de Barack Obama, queniano comemora vitória do presidente eleito dos EUA. Em toda a África, a população comemorou a vitória do primeiro negro a ocupar a Casa Branca.


Japão: A eleição de Barack Obama foi amplamente comemorada pelos japoneses que acompanharam a apuração pelos telões.

Membros da comunidade negra iraquiana dançam em Basra para celebrar vitória de Barack Obama nos EUA.


Havaí: Andy Winer, diretor da campanha de Barack OBama, vibra durante festa pela vitória do democrata em Honolulu.

Na Índia: escultura na areia de praia em Puri parabeniza vitória do democrata Barack Obama.

Rússia: Em São Petersburgo, na Rússia, simpatizantes celebram vitória de Barack Obama na corrida pela Casa Branca.

Califórnia: Moradores de Oakland, dançam no meio da rua comemorando a vitória de Obama na corrida pela Casa Branca.

Holanda: Slogan de campanha do democrata Barack Obama pintada na vitrine de uma livraria em Amsterdã, na Holanda.

China: Jovem chinesa aplaude vitória de Barack Obama durante festa organizada pela Embaixada dos EUA em Pequim.

Mensagem da Avaaz para Obama:

Prezado Presidente Obama
:

Nós cidadãos do mundo todo gostaríamos de parabenizá-lo pela vitória e celebrar os seguintes compromissos de campanha: um novo tratado global forte para lidar com as mudanças climáticas, o fechamento do presídio de Guantanamo e o fim da tortura, a retirada das tropas do Iraque e a duplicação da assistência de combate à pobreza. Nenhum líder ou país pode vencer estes desafios sozinho, mas trabalhando juntos dentro de um espírito de diálogo e cooperação, nós podemos sim gerar mudanças reais e duradouras.


Se quiser participar da campanha, clique aqui





terça-feira, 4 de novembro de 2008

internet, democracia e eleições- Obama o candidato pós-rede

QUEM GANHOU? A INTERNET, DE GOLEADA

(Luiz Carlos Azenha em seu site)

Muitos de vocês, caros leitores, não acreditam quando eu escrevo alguma coisa sobre os Estados Unidos. Normal. Aceitável. Vocês precisam de confirmação externa para cair na real e dizer: pois é, o Viomundo acertou.

Escrevi um texto dizendo que uma vitória de Barack Obama representa a passagem do bastão de uma geração para a seguinte na política dos Estados Unidos. Você imagina o José Serra vendo um vídeo no You Tube? Imagina o Lula lendo os comentários em um blog? É lógico que se ambos não entendem nada de internet, nem de tecnologia, jamais vão tirar proveito real das novas mídias.

Enquanto isso, o mundo mudou. Você, que me lê, não perde a viagem. Se está aqui é por um motivo muito simples: é uma pessoa do seu tempo. Pois, para confirmar o que escrevi, lá vai a tradução de um texto publicado hoje pelo New York Times, na versão digital, já que não leio mais jornal de papel, não ouço rádio, nem assisto televisão:

"Penso que analisaremos esta eleição como uma disputa transformadora", disse Mark McKinnon, um assessor das campanhas do presidente Bush em 2000 e 2004. "O ano em que as campanhas usaram a internet como nunca se imaginou. O ano em que adotamos a velocidade da luz. O ano em que o paradigma foi virado de cabeça para baixo, que a política foi de baixo para cima em vez de cima para baixo".

De uma forma considerável, dizem republicanos e democratas, isso é resultado de como a campanha de Obama buscou entender e tirar proveito da internet (e outras formas da assim chamada nova mídia) para organizar militantes e atingir eleitores que não se informam primariamente através de jornais e da televisão. As plataformas incluem o You Tube, que não existia em 2004, e as mensagens de texto nos celulares que a campanha disparou na segunda-feira lembrando os eleitores de que deveriam comparecer para votar.

"Fizemos algumas coisas inovadoras, inclusive na internet", disse Sara Taylor, que foi diretora política da Casa Branca durante a campanha de reeleição de Bush. "Mas apenas 40% do país tinham internet banda larga então. Agora você tem gente que não tem mais telefone fixo em casa. E Obama fez um ótimo trabalho através da nova mídia".

"Não sei quanto a você, mas eu vejo um anúncio do Obama na internet todo dia. Fiz isso nos últimos seis meses".

Mais crucial ainda para demonstrar como a campanha deste ano transformou a política foi o uso que Obama fez da internet para construir uma grande rede de arrecadação financeira que permitiu a ele acumular dinheiro -- depois de rejeitar o financiamento público da campanha -- para expandir o mapa eleitoral e competir mesmo em estados republicanos tradicionais.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Obama: "Eles vão dizer que eu não sou parecido com os presidentes nas notas de dólar"



Poderes da fé bandida: racismo no caminho da Casa Branca
Fátima Oliveira

"Eles vão dizer que eu não sou parecido com os presidentes nas notas de dólar"

Em minha família de origem, "quebradeira" era o mesmo que falta de dinheiro. Ao ouvir dizer que Wall Street quebrou, entendi. É falta de senso dizer que a "quebradeira" não chegará aqui. Basta lembrar que o capital volátil é bandoleiro e apátrida, como sentenciou Luís Nassif: "A lógica dos captais voláteis é correr riscos: tentar ganhar na alta e na baixa dos ativos". Mencionei a débâcle de Wall Street porque a intersecção dela com o racismo é a pedra de toque do cenário das eleições presidenciais dos Estados Unidos.


De janeiro para cá, escrevi sete artigos que falam em Obama. Por um motivo elementar: "Ainda que a distância ideológica entre um republicano e um democrata seja zero, com democrata na Casa Branca o mundo é sempre outro". Vaticinei: "muita água pesada vai rolar até novembro", pois "Obama é negro senhor de si (um abuso afro!), com senso de humor, performance de rock star e história de vida fiel aos valores liberais. É o único que arranha o establishment democrata e republicano e abala o status quo racista dos EUA profundo. Dele se espera, a qualquer momento, que diga: "I have a dream" (eu tenho um sonho), como Martin Luther King. Pode virar realidade" ("Obrigada Iowa", 8.1).


Registrei em "Tua raça NÃO morreu, Jim..." (29.1): "Escrevo sob emoção da avalanche do entusiasmo pela vitória de Obama nas primárias da Carolina do Sul que, dentre outros, sepulta o mito de que 'negro não vota em negro'". Em "Obamania & auto-estima de rock star" (19.2), digo que uma amiga se auto-interditou de falar comigo em Obama até novembro, argumentando que "É muito azar se ele ganhar! Logo agora que os EUA estão nas soleiras da recessão". Diziam que Obama não tocaria na questão racial. Eu respondia: pra frente é que se anda. O estilo Obama é "bateu, levou". Não demorou. Pude escrever: "Minha auto-estima se avoluma e cresce. Obama se firma como símbolo negro singular da determinação de luta pelo poder".


Em "Viajar pelo Brasil é como mover-se entre dois planetas" (10.6), constatei: "É simbólico o contexto no qual Obama sagrou-se candidato à Presidência dos EUA. Ao mesmo tempo em que um signo de racismo persistente foi publicado pelo jornal alemão 'Die Tageszeitung': uma foto da Casa Branca sob o título 'A cabana do pai Barack', em alusão ao romance 'A Cabana do Pai Tomás', de Harriet E. B. Stowe, sobre a escravidão no sul dos EUA. Pai Tomás é um estereótipo de escravo submisso. O jornal fez um insulto racista a Obama. A pergunta é: a fé bandida do racismo será extinta?"


Em "Mais um dedo de prosa sobre Obama. Eis a obamania" (17.6), escrevi: "Interessa-me especular a razão pela qual a candidatura Obama reverbera na luta anti-racista contemporânea e na auto-estima de negros em todo o mundo". Em "Eleições 2008: atitude na TV e no ciberespaço podem impulsionar candidaturas" (19.8), discorri sobre a competente e inovadora performance de Obama na Internet.


Hoje registro a bela e difícil jornada do primeiro negro numa final de disputa presidencial nos EUA. Chegue ou não à Casa Branca, ele nos legou a mais completa devassa contemporânea da amplitude e da profundidade da ranhetice criminosa do racismo explícito e implícito, pois estima-se que estão embutidos entre prós-Obama, nas pesquisas, entre 2% a 7% de racistas enrustidos que não sufragarão o nome dele no recesso da cabine eleitoral. Por que? Como disse Obama: "Eles vão dizer que eu não sou parecido com os presidentes nas notas de dólar".



Publicado em: 28/10/2008 no Jornal O Tempo

terça-feira, 3 de junho de 2008

DEMOCRATAS FAZEM HISTÓRIA: SENADOR BARACK OBAMA SERÁ PRIMEIRO NEGRO A DISPUTAR A CASA BRANCA

03 de junho de 2008 às 20:18

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Cerca de 40 anos depois da Suprema Corte dos Estados Unidos ter tomado decisões que acabaram oficialmente com a segregação racial no país, o Partido Democrata está prestes a fazer História ao escolher o primeiro negro para concorrer à Casa Branca. De acordo com a campanha do senador de Illinois, ele está a apenas 11 votos de obter a vitória matemática sobre Hillary Clinton, graças ao apoio dado nas últimas horas por superdelegados com direito a voto na Convenção Nacional Democrata.

A escolha coroa a extraordinária campanha de um político que era praticamente desconhecido do grande público há 12 meses. Desde então, Obama usou a internet, uma grande capacidade de organização e uma retórica que lembra os oradores do movimento negro por direitos civis para gerar o entusiasmo que garantiu a ele a vitória sobre a franca favorita, a ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton. Hillary e o marido, o ex-presidente Bill Clinton, controlavam a maior parte da máquina partidária antes de serem atropelados pelo senador em primeiro mandato.

Apesar do racismo e da discriminação persistirem nos Estados Unidos, Obama foi capaz de construir uma coalizão que juntou o entusiasmo dos jovens com o apoio dos democratas mais ricos e mais educados, que foram seduzidos pelo slogan do "Sim, Podemos", pela promessa de acabar com a guerra do Iraque e a prisão de Guantánamo e de promover uma reforma completa da política doméstica e externa dos Estados Unidos depois de dois mandatos de George W. Bush.

Nas próximas semanas a tarefa de Barack Obama será a de consolidar o seu apoio partidário. Em Montana, onde a temporada de prévias se encerrou, 60% dos democratas que votaram em Hillary disseram que votarão em Obama em novembro, mas 25% afirmaram que preferem o candidato republicano John McCain. Não se sabe ainda qual será o papel da senadora na campanha. Não foi descartada, ainda, a indicação dela a vice na chapa do partido, uma escolha que dependerá acima de tudo dos cálculos eleitorais do próprio Obama.

O senador demonstrou capacidade de atrair votos mesmo em estados de população majoritariamente branca. O problema dele parece ser mais geográfico do que racial. Obama se deu bem em estados historicamente liberais - como o Oregon - ou naqueles em que a economia não está completamente deprimida - Iowa, por exemplo. Mas fracassou miseravelmente em estados essenciais para uma vitória em novembro, como Ohio e a Pensilvânia, onde não foi capaz de conectar especialmente com os eleitores brancos de classe média baixa.

Mas a escolha do Partido Democrata não deixa de ser extraordinária: há apenas cinco décadas, em algums regiões dos Estados Unidos - especialmente no Sul - a segregação entre brancos e negros era política oficial. Só em 1954, na famosa ação Brown vs. Board of Education, a Suprema Corte do país derrubou oficialmente a segregação nas escolas. As fotos que ilustram esse texto são, em si, um retrato dessa mudança: a que aparece abaixo da família Obama retrata um negro usando um bebebouro para "gente de cor" em Oklahoma City, Oklahoma, em 1939.

A escolha de Obama se reveste de uma importância especial dadas as circunstâncias que tornam qualquer candidato democrata franco favorito para vencer em novembro. De acordo com pesquisa Gallup feita para o jornal USA Today, 55% dos americanos dizem que estão pior financeiramente hoje do que há um ano, o maior índice desde que o levantamento começou a ser feito. Além disso, usando uma inovadora campanha baseada acima de tudo em pequenas contribuições feitas através da internet, o senador de Illinois bateu todos os recordes de arrecadação. Só para se tornar candidato democrata gastou mais de 200 milhões de dólares.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Barack Obama e o racismo: o sonho de alguns não precisa ser conquistado às custas do sonho dos diferentes

O texto a seguir é longo, mas vale a pena dedicar algum tempo à leitura. Ele foi produzido em resposta do uso político que os opositores de Barack Obama fizeram do discurso de um pastor negro que defende a candidatura de Obama e de cuja congregação Obama faz parte.
Assista o vídeo polêmico aqui:

O discurso resposta de Obama ao uso político feito das declarações do pastor Jeremiah Wright inicia um novo paradigma nas campanhas políticas: a de um candidato encarar de frente acusações e problematizá-las, dando-lhe a devida importância.
O conteúdo do texto mostra uma perspectiva nova e democrática do que pode ser os Estados Unidos governado por uma candidato com esta clareza política e esta postura ética e, finalmente, tem referências muito próximas em relação às questões étnico-raciais que igualmente aqui são tratadas com grande dificuldades.

BARACK OBAMA E O RACISMO: O SONHO DE ALGUNS NÃO PRECISA SER CONQUISTADO À CUSTA DO SONHO DOS DIFERENTES

Tradução Luiz Carlos Azenha Publicado em 21 de março de 2008 às 00:21
(A versão postada no História em Projetos tem correções produzidas pela autora responsável do blog).

"Nós, o povo, com o objetivo de formar uma União mais perfeita.
Duzentos e vinte e um anos atrás, em um salão que ainda existe do outro lado da rua, um grupo de homens se reuniu e, com estas palavras simples, lançou a improvável experiência em democracia dos Estados Unidos. Agricultores e estudiosos; estadistas e patriotas que atravessaram um oceano para escapar da tirania e de perseguição religiosa finalmente leram sua verdadeira declaração de Independência numa convenção da Filadélfia que atravessou a primavera de 1787.
O documento que eles produziram eventualmente foi assinado, mas nunca concluído. Foi manchado pelo pecado original desta nação, a escravidão, uma questão que dividiu as colônias e levou a convenção a um impasse, até que os fundadores decidiram permitir que o comércio de escravos continuasse por mais vinte anos, deixando qualquer resolução final para as futuras gerações.
Naturalmente, a resposta para a questão da escravidão já estava contemplada em nossa Constituição - uma Constituição que tinha em seu núcleo a igualdade dos cidadãos diante da lei; uma Constituição que prometeu ao povo liberdade, justiça e uma união que poderia e deveria ser aperfeiçoada com a passagem do tempo.
E ainda assim palavras em um pergaminho não foram suficientes para livrar os escravos da servidão, ou garantir a homens e mulheres de todas as cores e credos seus direitos e obrigações como cidadãos dos Estados Unidos. Seriam necessárias gerações sucessivas de americanos dispostos a fazer sua parte - através de protestos e lutas, nas ruas e nos tribunais, em uma guerra civil e com desobediência civil e sempre correndo grande risco - para reduzir a distância entre a promessa de nossos ideais e a realidade de seu tempo.
Esse foi um dos objetivos estabelecidos no início desta campanha - continuar a longa marcha daqueles que vieram antes de nós, a marcha pelos Estados Unidos mais justos, mais iguais, mais livres, mais acolhedores e mais prósperos.
Eu decidi concorrer à presidência nesse momento da História porque acredito profundamente que não podemos enfrentar os desafios de nosso tempo a não ser que o façamos juntos - a não ser que aperfeiçoemos nossa União entendendo que podemos ter origens diferentes, mas temos também esperanças comuns; que não somos parecidos, nem viemos dos mesmos lugares, mas todos queremos ir na mesma direção - em busca de um futuro melhor para nossos filhos e netos.
Essa crença vem de minha fé indissolúvel na decência e na generosidade do povo americano. Mas também vem de minha própria história.
Sou filho de um homem negro do Quênia e de uma mulher branca do Kansas. Fui criado com a ajuda de um avô branco que sobreviveu à Depressão e lutou no exército de Patton durante a Segunda Guerra Mundial e de uma avó branca que trabalhou numa fábrica de bombardeiros em Fort Leavenworth enquanto o marido estava além-mar. Fui a algumas das melhores escolas dos Estados Unidos e vivi em uma das nações mais pobres do mundo. Sou casado com uma negra americana que carrega nela o sangue de escravos e donos de escravos - uma herança que passamos às nossas duas preciosas filhas. Eu tenho irmãos, irmãs, sobrinhas, sobrinhos, tios e primos de todas as raças e tons de pele, espalhados em três continentes e, enquanto viver, jamais vou esquecer de que em nenhum outro lugar da Terra minha história seria possível.
É uma história que não me tornou o candidato mais convencional. Mas é uma história que introduziu em minha herança genética a idéia de que esta Nação é mais do que a soma de suas partes - de todas as que existem, somos verdadeiramente únicos.
Ao longo do primeiro ano desta campanha, contra todas as previsões, vimos a fome do povo americano pela mensagem de unidade. Apesar da tentação de ver minha candidatura puramente através de lentes raciais, conseguimos grandes vitórias em estados com algumas das populações mais brancas do país. Na Carolina do Sul, onde a bandeira da Confederação ainda tremula, construímos uma poderosa coalizão de afro-americanos e americanos brancos.
Isso não significa negar que a questão racial não faz parte de nossa campanha. Em vários estágios, alguns comentaristas me chamaram ou de muito negro ou de não suficientemente negro. Vimos tensões raciais emergir durante a semana que antecedeu as prévias da Carolina do Sul. A mídia rastreou todas as pesquisas de boca-de-urna em busca de indícios de polarização racial, não apenas em termos de brancos e negros, mas negros e morenos também.
Ainda assim, apenas nas semanas mais recentes o debate racial tomou um caminho particularmente divisionista.
De um lado, ouvimos a sugestão de que minha candidatura de alguma forma é um exercício de política de ação afirmativa; que se baseia somente no desejo de liberais de comprar reconciliação racial pagando pouco. De outro lado ouvimos meu ex-pastor, o reverendo Jeremiah Wright, usar linguagem incendiária para expressar opiniões que têm o potencial não só de aumentar a divisão racial, mas de aviltar tanto a grandeza quanto a bondade de nossa Nação; e isso ofendeu tanto brancos quanto negros.
Já condenei, de forma inequívoca, as declarações do reverendo Wright que causaram tal controvérsia. Para alguns, algumas dúvidas persistem. Eu sabia que ele foi ocasionalmente um crítico feroz da política doméstica e exterior dos Estados Unidos? Naturalmente. Alguma vez ouvi declarações controversas dele enquanto estava na igreja? Sim. Discordei fortemente de muitas das opiniões políticas dele? Claramente - assim como muitos de vocês já ouviram declarações de seus pastores, padres ou rabinos das quais discordaram frontalmente.
Mas as declarações que causaram a recente tempestade não foram simplesmente controversas. Não foram apenas resultado da tentativa de um líder religioso de falar contra uma injustiça. Em vez disso, expressaram uma visão distorcida deste país - uma visão em que o racismo branco é endêmico, que eleva o que está errado com os Estados Unidos acima de tudo o que está certo; uma visão que vê os conflitos no Oriente Médio primariamente como resultado das ações de aliados como Israel, em vez de emanados da ideologia perversa e odiosa do islamismo radical.
Assim sendo, as declarações do reverendo Wright não foram apenas errôneas, mas divisivas, divisivas em um período em que precisamos de unidade; tingidas racialmente em um momento em que precisamos de união para confrontar uma série de problemas monumentais - duas guerras, a ameaça terrorista, uma economia decadente, uma crise de saúde pública e mudanças no clima potencialmente devastadoras; problemas que não são de negros, brancos, latinos ou asiáticos, mas problemas que desafiam a todos nós.
Dada minha origem, minha carreira política e meus valores e ideais, não há dúvida de que haverá aqueles para os quais minhas declarações e condenações não são suficientes. Por que me associei com o reverendo Wright? Por que não procurei outra igreja? Confesso que se tudo o que eu conhecesse do reverendo Wright fossem os trechos de sermões repetidos continuamente na televisão e no You Tube - ou se a Igreja Unida da Trindade fosse a caricatura vendida por alguns comentaristas - não há dúvida de que reagiria da mesma forma.
Mas a verdade é que isso não é tudo o que conheço do homem. O homem que encontrei há mais de vinte anos é o homem que me ajudou a adotar a fé cristã; o homem que falou de nossa obrigação de amar uns aos outros; de cuidar dos doentes e ajudar aos pobres. Ele é um homem que serviu a este país como fuzileiro naval; que estudou e deu palestras em algumas das mais importantes universidades e seminários e que por mais de trinta anos dirigiu uma igreja que serviu à comunidade fazendo na terra o trabalho de Deus - ao abrigar os sem-teto, alimentar os necessitados, dar creche e bolsas de estudo, pregar nas prisões e sair em busca daqueles que sofrem de AIDS.
Em meu primeiro livro, Sonhos de Meu Pai, descrevi a experiência de meu primeiro culto:
"Fiéis começaram a gritar, a se levantar dos assentos e a bater palmas, como se um vento carregasse as palavras do reverendo pela igreja... E naquela simples nota - esperança! - eu ouvi algo diferente; aos pés da cruz, dentro das milhares de igrejas de toda a cidade, eu pensei nas histórias comuns das pessoas negras se fundindo com as de Davi e Golias, de Moisés e do Faraó, dos cristãos nas jaulas dos leões, do campo de ossos secos de Ezequiel. Essas histórias - de sobrevivência e liberdade e esperança - se tornaram nossas histórias, minha história; o sangue que foi derramado foi nosso sangue, as lágrimas nossas lágrimas; assim que aquela igreja negra, naquele dia claro, parecia ser de novo uma nave carregando a história de nosso povo para futuras gerações e para um mundo mais amplo. Nossas atribulações e triunfos, ao mesmo tempo únicas e universais, negras e mais do que negras. Ao descrever nossa história, os episódios e a música nos permitiram resgatar memórias das quais não tínhamos vergonha... memórias que todos poderiam estudar e celebrar - e com as quais poderíamos começar a reconstrução."
Essa tem sido minha experiência na Trindade. Como em outras igrejas proeminentes de todo o país, a Trindade encampa toda a comunidade negra - o doutor e a mãe que depende de ajuda pública, o estudante modelo e o ex-bandido. Como outras igrejas negras, os cultos da Trindade são cheios de gargalhadas e algumas vezes de humor vulgar. São repletos de dança, de palmas, de gritos - que podem assustar ouvidos não acostumados. A igreja contém em si toda a bondade e a crueldade, a tremenda inteligência e a chocante ignorância, as lutas e sucessos, o amor e, sim, a amargura e o preconceito que fazem parte da experiência negra americana.
E talvez isso ajude a explicar meu relacionamento com o reverendo Wright. Ele pode ter sido imperfeito, mas é como um integrante da família. Ele reforçou minha fé, celebrou meu casamento e batizou minhas crianças. Nunca ouvi em minhas conversas com ele qualquer referência a grupos étnicos em termos depreciativos; nunca o vi tratar os brancos que não fosse com cortesia e respeito. Ele carrega as contradições - as boas e as ruins - da comunidade à qual serviu com dedicação por tantos anos.
Não posso deserdá-lo assim como não posso deserdar a comunidade negra. Não posso deserdá-lo assim como não posso fazer isso com minha avó branca - a mulher que ajudou a me criar, a mulher que se sacrificou continuamente por mim, a mulher que me ama mais do que a qualquer coisa nesse mundo, a mesma mulher que certa vez confessou ter medo de homens negros que passavam por ela nas ruas, e que em mais de uma ocasião repetiu estereótipos raciais ou étnicos que me espantaram.
Essas pessoas fazem parte de mim. E são parte dos Estados Unidos, um país que eu amo.
Há os que vão ver nisso uma tentativa de justificar ou desculpar comentários que são indesculpáveis. Posso garantir que não se trata disso. O mais seguro politicamente talvez fosse mudar de assunto e esperar que o episódio fosse esquecido. Podemos simplesmente considerar o reverendo Wright um caduco ou demagogo, da mesma forma que Geraldine Ferraro foi desprezada logo depois de suas declarações recentes, como se abrigasse um profundo preconceito racial. Mas acredito que a questão racial não pode ser simplesmente ignorada. Cometeríamos o mesmo erro que o reverendo Wright cometeu em seus sermões ofensivos sobre os Estados Unidos - simplificar, estereotipar e amplificar os pontos negativos que distorcem a realidade.
O fato é que os comentários que foram feitos e as questões que surgiram nas últimas semanas refletem as complexidades da questão racial neste país, sobre as quais nunca realmente nos debruçamos - parte de nossa União que ainda precisamos aperfeiçoar. Se nos afastarmos agora, se simplesmente recuarmos cada qual para seu canto, nunca conseguiremos nos unir e enfrentar os desafios na saúde, na educação, a necessidade de conseguir bons empregos para todos os americanos.
Entender essa realidade requer relembrar como chegamos até aqui. Como William Faulkner uma vez escreveu, "o passado não está morto e enterrado. Na verdade, ele nem mesmo passou." Não precisamos repetir aqui a história da injustiça racial nesse país. Mas precisamos relembrar que muitas das disparidades que existem hoje na comunidade afro-americana podem ser ligadas diretamente a gerações passadas que sofreram o legado brutal da escravidão e de Jim Crow.
Escolas segregadas eram e são escolas inferiores; ainda não foram consertadas, cinqüenta anos depois do caso Brown v. Board of Education - e a educação de baixa qualidade que ofereceram e oferecem ajuda para explicar a diferença entre as conquistas de estudantes brancos e negros.
Discriminação legalizada - quando negros foram impedidos, muitas vezes através de violência, de ter posse de propriedade, de receber empréstimos, de ter acesso às hipotecas da agência de habitação, ou foram excluídos de sindicatos, da força policial, do corpo de bombeiros - significa que famílias negras não puderam acumular qualquer riqueza para passar a futuras gerações. Essa história ajuda a explicar a diferença de renda entre negros e brancos e os bolsões de pobreza que persistem hoje em comunidades rurais e urbanas.
A falta de oportunidade econômica para homens negros, a vergonha e a frustração de não poder sustentar os próprios filhos contribuíram para a erosão das famílias negras - um problema que as políticas oficiais de ajuda podem ter contribuído para aprofundar. E a falta de serviços básicos para tantos bairros negros urbanos - parques para crianças, policiamento, coleta regular de lixo - ajudou a criar um ciclo de violência e uma negligência que continua a nos assombrar.
Essa é a realidade na qual o reverendo Wright e outros afro-americanos desta geração cresceram. Eles se tornaram adultos no final dos anos 50 e nos anos 60, uma época em que ainda havia segregação oficial e as oportunidades eram sistematicamente negadas. O que impressiona não é quantos fracassaram diante da discriminação, mas quantos homens e mulheres venceram; o que impressiona é quantos conseguiram abrir um caminho num beco sem saída para pessoas que viriam depois, como eu.
Mas para todos aqueles que se esfolaram com o objetivo de conseguir uma fatia do sonho americano, houve muitos que não conseguiram - aqueles que foram derrotados, de uma maneira ou de outra, pela discriminação. Esse legado de derrota foi passado adiante para futuras gerações - aqueles meninos e crescentemente meninas que vemos nas esquinas ou nas prisões, sem esperança ou perspectiva de futuro. Mesmo para os negros que avançaram, as questões relativas ao racismo continuam a definir o modo de ver o mundo de forma fundamental. Para os homens e mulheres da geração do reverendo Wright, as memórias de humilhação e dúvida e medo não sumiram; nem a raiva e a amargura daqueles anos. Essa raiva pode não ser expressa publicamente, diante de colegas de trabalho brancos ou amigos brancos. Mas encontra seu caminho nas cadeiras do barbeiro ou na mesa da cozinha. Em certas ocasiões, esse ressentimento é explorado por políticos, para ganhar votos em discursos com tons raciais ou para encobrir os próprios defeitos dos candidatos.
Ocasionalmente, esse ressentimento encontra caminho na igreja, no púlpito e na platéia. O fato de que tanta gente fica surpresa de ouvir a raiva expressa em alguns dos sermões do reverendo Wright nos relembra do antigo truísmo, segundo o qual a hora mais segregada da vida americana ocorre aos domingos de manhã. Esse ressentimento nem sempre é produtivo; na verdade, muitas vezes nos distrai da resolução de problemas reais; evita que encaremos nossa cumplicidade com essa situação e que a comunidade afro-americana faça as alianças necessárias para provocar mudanças reais. Mas a raiva é verdadeira; é poderosa; e simplesmente desejar que ela suma ou condená-la sem entender as raízes apenas serve para aumentar o desentendimento que existe entre as raças.
Na verdade, uma raiva similar existe em segmentos da comunidade branca. A maior parte dos trabalhadores e da classe média branca não acredita que foi privilegiada pela cor da pele. A experiência deles é a dos imigrantes - não receberam nada de graça, construíram tudo do nada. Trabalharam duro por toda a vida, muitas vezes apenas para assistir seus empregos sendo mandados para o exterior, suas aposentadorias sumirem depois de uma vida de trabalho. Eles estão ansiosos quanto ao futuro e sentem que o sonho não está se tornando realidade; numa era de salários estagnados e de competição global, as oportunidades são como um jogo de soma zero, nas quais o sonho de um é realizado às custas do outro. Assim, quando precisam mandar seus filhos de ônibus para uma escola [racialmente integrada] do outro lado da cidade; quando ouvem que um afro-americano tem vantagem para conseguir um emprego ou uma vaga na faculdade por causa de uma injustiça que eles nunca cometeram; quando alguém diz a eles que o medo do crime em vizinhanças urbanas é expressão de discriminação, o ressentimento aparece; e cresce com o tempo.
Assim como na comunidade negra, esse ressentimento nem sempre se expressa de forma educada. Mas ajudou a construir o cenário político por pelo menos uma geração. O desprezo pelos programas sociais e pelas cotas raciais ajudou a forjar a coalizão de [Ronald] Reagan. Os políticos rotineiramente exploraram o medo do crime para seus próprios objetivos. Apresentadores de talk-shows e comentaristas conservadores fizeram carreira desmascarando falsas acusações de racismo, ao mesmo tempo em que desprezavam discussões legítimas sobre injustiça e desigualdade racial como mera expressão do politicamente correto ou de racismo reverso.
Assim como a raiva dos negros se mostrou contraproducente, o ressentimento dos brancos nos desviou de identificar os verdadeiros culpados pelo aperto da classe média - uma cultura corporativa contaminada pelo uso de informações privilegiadas, pela contabilidade questionável e pela ambição desmedida; Washington dominada por lobistas e grupos de defesa de interesses especiais; uma política econômica que favorece poucos em detrimento da maioria. Ainda assim, desejar que o ressentimento dos brancos simplesmente desapareça, rotulá-lo de equivocado ou mesmo racista, sem reconhecer que há uma preocupação legítima - isso também aumenta o fosso racial e bloqueia o caminho do entendimento.
É onde estamos hoje. É o impasse racial em que nos encontramos. Ao contrário do que dizem meus críticos, brancos e negros, nunca fui ingênuo de acreditar que podemos acabar com nossas divisões em uma eleição, com uma única candidatura - particularmente uma candidatura tão imperfeita quanto a minha.
Mas reafirmei minha convicção - uma convicção que tem raízes em minha fé em Deus e no povo americano - de que, trabalhando juntos, podemos ir além de nossas feridas raciais; e de que não temos outra escolha a não ser continuar na busca por uma União mais perfeita.
Para a comunidade afro-americana, esse caminho significa abraçar o peso de nosso passado sem se tornar vítima dele. Significa continuar a insistir em Justiça em todos os aspectos da vida americana. Mas também significa amarrar nossos objetivos particulares - por melhor saúde, melhores escolas e melhores empregos - à aspiração de todos os americanos - da mulher que quer romper o teto da ascensão social, do homem branco que foi demitido, do imigrante que tenta alimentar sua família. E também significa assumir responsabilidade por nossas vidas - exigindo mais dos pais, passando mais tempo com nossas crianças, lendo para elas, ensinando-as que assim como elas podem vir a enfrentar desafios e discriminação em suas próprias vidas, nunca devem sucumbir ao desespero e ao cinismo; e ensinar que podem escrever seu próprio destino.
Ironicamente, essa noção essencialmente americana - e, sim, conservadora - de auto-ajuda, freqüentemente se expressa nos sermões do reverendo Wright. Mas o que o meu ex-pastor não entendeu é que embarcar em um programa de auto-ajuda requer a crença de que uma sociedade pode mudar.
O erro profundo nos sermões do reverendo Wright não é que ele falou sobre racismo em nossa sociedade. É que ele falou de nossa sociedade como se fosse estática; como se não tivesse havido progresso; como se esse país - um país que tornou possível a um integrante da congregação do reverendo concorrer ao cargo mais importante da nação e a construir uma coalizão de brancos e negros, latinos e asiáticos, ricos e pobres, jovens e idosos - estivesse irrevogavelmente ligado a seu passado trágico. Mas o que sabemos - e o que vimos - é que os Estados Unidos podem mudar. Essa é a genialidade dessa nação. O que já avançamos nos dá esperança - a audácia da esperança - de que podemos e devemos obter novas conquistas amanhã.
Na comunidade branca, o caminho para uma União mais perfeita requer reconhecer que o que prejudica a comunidade afro-americana não existe apenas no pensamento dos negros; que o legado da discriminação - e os atuais incidentes de discriminação, ainda que menos descarados que no passado - são reais e precisam ser enfrentados. Não apenas com palavras, mas com ações - investindo em nossas escolas e comunidades; dando a novas gerações acesso às oportunidades que faltaram para gerações anteriores. Isso requer que todos os americanos não acreditem que a realização de seus sonhos resulta da negação do sonho alheio; que investir em saúde, programas sociais e educação de crianças pretas, pardas e brancas fará com que todos os Estados Unidos prosperem.
No fim, o que é preciso é nada mais, nada menos, do que todas as grandes religiões do mundo exigem - que façamos pelos outros o que gostaríamos que fizessem por nós. Vamos cuidar de nossos irmãos, a Escritura nos diz. Vamos cuidar de nossas irmãs. Vamos descobrir o que há de comum entre nós e fazer com que nossa política reflita isso.
Temos uma escolha nesse país. Podemos aceitar a política da qual brotam divisões, conflitos e cinismo. Podemos encarar a questão racial apenas como espetáculo - como no julgamento de OJ Simpson; ou depois de tragédias, como o Katrina; ou como produto para alimentar os telejornais noturnos. Podemos repetir os sermões do reverendo Wright em todos os canais, todos os dias, e falar deles até as eleições. Podemos tornar a única questão da campanha se o povo americano acredita que eu simpatizo ou não com as palavras mais ofensivas que ele disse. Podemos bater na gafe de algum apoiador da Hillary [Clinton] como prova de que ela está explorando a questão racial ou podemos especular se os homens brancos vão todos votar em John McCain nas eleições gerais, independentemente das propostas dele.
Podemos fazer isso.
Mas, se fizermos, digo a vocês que na próxima eleição o tema será alguma outra distração. E outra. E mais outra. E nada vai mudar.
Essa é a opção. Ou, nessa hora, nessa eleição, podemos nos unir e dizer "não dessa vez."
Dessa vez queremos falar sobre as escolas que estão roubando o futuro de crianças negras e crianças brancas e crianças latinas e crianças asiáticas e crianças nativas. Dessa vez queremos rejeitar o cinismo que diz que nossos filhos não podem aprender; que crianças que não se parecem conosco não são problema nosso. As crianças dos Estados Unidos não são aquelas crianças, elas são nossas - e não vamos deixá-las ficar para trás na economia do século 21. Dessa vez não.
Dessa vez queremos falar sobre as filas no pronto-socorro cheias de brancos e negros e hispânicos que não têm seguro de saúde; que não têm poder para enfrentar os lobistas em Washington, mas que podem enfrentá-los, sim, se fizermos isso juntos.
Dessa vez podemos falar das fábricas fechadas que no passado deram uma vida decente a homens e mulheres de todas as raças, e das casas à venda que um dia pertenceram aos americanos de todas as religiões, de todas as regiões, de todas as profissões. Dessa vez queremos falar sobre o fato de que o problema verdadeiro não é que alguém que não se parece comigo conseguiu um emprego; é que as corporações para as quais você trabalha despacham os empregos para o exterior pensando só em lucro.
Dessa vez queremos falar sobre os homens e as mulheres de todas as cores e credos que servem juntos, que lutam juntos, que sangram juntos sob a mesma bandeira orgulhosa. Queremos falar sobre como trazê-los de volta para casa de uma guerra que nunca deveria ter sido autorizada, que nunca deveria ter sido lutada; queremos falar sobre como demonstrar patriotismo cuidando deles e de suas famílias, dando a eles os benefícios que conquistaram.
Eu não estaria concorrendo à presidência se eu não acreditasse em meu coração que é isso o que quer a vasta maioria dos americanos. Essa União pode nunca se tornar perfeita, mas geração após geração demonstrou que ela pode ser aperfeiçoada. E hoje, quando quer que eu sinta dúvida ou cinismo em relação a essa possibilidade, o que me dá esperança é a próxima geração - os jovens cujas atitudes e crenças e aceitação de mudança já fizeram história nessa campanha.
Há um caso em particular que eu gostaria de contar a vocês hoje - uma história que eu contei quando tive a honra de falar em homenagem ao aniversário do Dr. [Martin Luther] King na igreja dele, a Ebenezer Batista, em Atlanta.
Há uma jovem branca de 23 anos de idade chamada Ashley Baia, que ajudou a organizar nossa campanha em Florence, na Carolina do Sul. Ela trabalhou especialmente em uma comunidade afro-americana desde o início da campanha e, um dia, numa discussão, todos os voluntários contaram suas histórias e explicaram porque estavam lá.
Ashley disse que quando tinha nove anos de idade a mãe soube que tinha câncer. Por causa disso perdeu alguns dias de trabalho, foi demitida e ficou sem o seguro de saúde. A família precisou declarar falência e foi então que Ashley decidiu que tinha de fazer algo pela mãe.
Ela sabia que a comida era um dos maiores gastos da família e convenceu a mãe de que gostava muito e só queria comer sanduíches de mostarda e picles. Era a forma mais barata de se alimentar.
Fez isso durante um ano, até que a mãe melhorou; Ashley contou aos que participavam da conversa que a razão pela qual ela havia se juntado à campanha era para ajudar milhões de outras crianças do país que queriam e precisavam auxiliar os pais.
Ashley poderia ter feito outra escolha. Quem sabe alguém disse a ela que a fonte dos problemas da mãe eram os negros que dependiam de ajuda do governo e eram muito preguiçosos para trabalhar, ou hispânicos que estavam no país ilegalmente. Mas não foi essa a escolha dela. Ashley buscou aliados em sua luta contra a injustiça.
Assim que acabou de contar sua história, Ashley perguntou a outros presentes o motivo que os havia levado a entrar na campanha. Cada um tinha suas histórias e razões. Alguns citaram questões específicas. E finalmente chegaram a este senhor negro que tinha permanecido calado o tempo todo. Ashley perguntou por que ele estava lá. E ele não mencionou nada específico. Não falou em saúde ou economia. Não falou em educação ou na guerra. Não falou que estava lá por causa de Barack Obama. Ele simplesmente disse: "Estou aqui por causa da Ashley." "Estou aqui por causa da Ashley." Em si mesmo, esse momento de reconhecimento entre uma jovem branca e um velho negro não é suficiente. Não é suficiente para dar saúde aos doentes, empregos aos desempregados ou educação a nossas crianças.
Mas é um começo. É assim que nossa União se torna mais forte. E assim como muitas gerações se deram conta, nos 221 anos que nos separam daquele grupo de patriotas que assinaram um documento na Filadélfia, é assim que a perfeição começa."