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quinta-feira, 19 de março de 2009

Só agora a Folha descobriu: Isarael cometeu CRIME DE GUERRA

Durante todo o período da ocupação denominada cinicamente por Israel de “soldadinho de chumbo” (Cast Lead) publiquei neste blog uma série de artigos de jornalistas, ativistas pela paz e estudiosos sobre a ocupação sionista na Palestina, mais conhecido como Estado de Israel.

Se você acabou de chegar por aqui, faça uma busca com palavras chaves como: ocupação palestina, sionismo, Israel, crime de guerra, crime contra a humanidade, genocídio e termos correlatos vc encontrará textos, fotografias, charges que problematizam historicamente a ocupação na Palestina, além de textos contundentes que denunciavam a barbárie levada a cabo nos quase 30 dias de ataques israelenses ao povo palestino de Gaza, sob olhar condenscendente dos líderes mundiais (com raras exceções como Hugo Chavez e Evo Morales que condenaram o massacre).

Hoje a Folha de São Paulo descobriu o Haaretz, jornal em que escreve Gideon Levy, autor que você encontrará por aqui.
Na matéria abaixo, membros do exército israelense relatam que asssasinaram civis, famílias inteiras ’só porque podiam’ fazer isso.


Israel já sofreu duas condenações internacionais. Espero que os chefes do Estado, Forças Armadas e todos envolvidos neste genocídio do povo palestino sejam punidos e que os líderes mundiais façam Israel cumprir os acordos assinados e desocupem a Palestina, ponham fim ao famigerado bloqueio à Gaza e que os palestinos da Cisjordânia, de Gaza e Israel Leste possam viver em paz e com autonomia.

Crédito das imagens

da Folha Online 19/03/2009 - 10h50 Atualizado às 11h31.

Soldados de Israel relatam assassinatos de crianças e vandalismo em Gaza


Os soldados israelenses que lutaram durante os 22 dias da recente ofensiva contra o movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza, admitiram que mataram civis [ao menos 900, segundo números do ministério palestino] que não representavam ameaça às tropas e destruíram intencionalmente suas propriedades, "simplesmente porque podiam". As declarações foram divulgadas em reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal israelense "Haaretz".

As confissões chocam pela franqueza. "A atmosfera em geral, não sei como descrever. As vidas de palestinos, digamos que são menos importantes que as de nossos soldados", diz um dos trechos da declaração de um chefe de pelotão que atuou em Gaza, ao justificar a morte de uma palestina e seus dois filhos, mortos por um atirador de elite israelense. "Porque, depois de tudo, fez seu trabalho segundo as ordens que lhe foram dadas. [...] Assim, se eles estão preocupados, podem justificar desta forma", completa.

O jornal publicou trechos de declarações de militares que lutaram durante a operação em Gaza realizada entre 27 de dezembro e 18 de janeiro deste ano e que deixou ao menos 1.300 mortos, entre eles ao menos 900 civis, além de destruir milhares de casas e a infraestrutura do território palestino.
Os militares, entre eles pilotos de combate e soldados de infantaria, fazem as revelações em relatório do curso preparatório para soldados de Yitzhak Rabin. Seus testemunhos contradizem declaração oficial do Exército israelense sobre o rígido comportamento moral de suas forças durante a operação e confirmam em parte as acusações de organizações internacionais de direitos humanos que criticaram o excesso de violência na operação.

Falha de comunicação

Os testemunhos incluem a descrição de um líder de um pelotão de infantaria sobre um incidente no qual um atirador de elite disparou por engano contra uma mulher palestina e seus dois filhos. Segundo o militar, o comandante de outro pelotão deixou que a família saísse de um edifício no qual tinha ficado retida por soldados sob seu comando, para evitar que fosse confundida com militantes do Hamas.

"Disseram para que fossem pela direita. Uma mãe e os dois filhos não entenderam [o comandante] e foram à esquerda, mas esqueceram de dizer ao atirador de elite no telhado que deixasse eles irem, que tudo estava normal e que não devia atirar. E ele fez o que achava que devia fazer, cumpria ordens", disse.

Segundo o militar, "o atirador viu a mulher e os dois filhos se aproximando dele além das linhas que ninguém devia atravessar". "Atirou. Em qualquer caso, o que aconteceu é que os matou", resume.

O chefe de pelotão disse ainda não acreditar que o atirador se "sentisse mal a respeito", afinal, fazia apenas seu trabalho.

Não há lógica

Segundo o jornal, o chefe do pelotão conta ainda que foi conversar com seu comandante sobre as regras da operação que permitiam que os militares "checassem" as casas à procura de militantes palestinos com armas na mão e atirando sem nem ao menos avisar os moradores com antecedência.

Depois que as regras foram mudadas, afirma o jornal, o líder do pelotão reclamou que eles "deveriam matar todo mundo em Gaza". "Todo mundo é terrorista", explicou.

"Você não tem a impressão dos comandantes de que há qualquer lógica nisso, mas eles não dizem nada. Nós escrevíamos "morte aos árabes" nas paredes, pegávamos as fotos de família deles e cuspíamos nelas, apenas porque podíamos", conta o chefe do pelotão.

"Eu acho que este é o principal: Entender o quanto as Forças Armadas israelenses caíram no âmbito de ética. Isso é o que eu mais me lembrarei", disse o soldado.

O chefe do serviço jurídico do Exército israelense, Avichai Mendelblit, ordenou a abertura de uma investigação sobre as circunstâncias dos fatos relatados pelos soldados, que considera "errôneos" e "inaceitáveis" para as Forças Armadas de Israel.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

"Sob a bandeira preta da ilegalidade"


Uri Avnery, 1/2/2009



UM JUIZ ESPANHOL iniciou inquérito judicial em que acusa vários políticos, militares e personalidades israelenses por prática de crime de guerra e de crime contra a humanidade. Fato gerador: a bomba de uma tonelada lançada em 2002 sobre a casa de Salah Shehade, líder do Hamás. Além da vítima visada no atentado, foram mortas outras 14 pessoas, a maioria das quais, crianças.


Para os que tenham esquecido: o então comandante da Força Aérea de Israel, Dan Halutz, foi entrevistado, à época, sobre o que sentia quando bombardeava um prédio residencial. A resposta dele, inesquecível: "Uma leve trepidação na asa." Quando nós, do Gush Shalom [Movimento da Paz] o acusamos por crime de guerra, exigiu que fôssemos julgados, nós, acusados de traição. Com ele estava o primeiro-ministro, Ariel Sharon, que nos acusou de desejar "entregar os oficiais do exército de Israel ao inimigo". Fomos oficialmente notificados pelo Procurador Geral de que o Estado de Israel não investigaria o ataque à bomba.


Eu deveria estar feliz, portanto, que, depois de tanto tempo, alguém tenha decidido dar andamento àquele processo (por mais que pareça motivado por pressão política). Mas lamento que tenha acontecido na Espanha, não em Israel.


Os telespectadores em Israel têm sido brindados com imagens bizarras: os oficiais do exército mascarados, como criminosos comuns, porque a lei passou a proibir que sejam identificados. Como os pedófilos e os estupradores.


As ordens dos censores militares aplicam-se a todos os oficiais, de comandantes de batalhão para baixo e que tenham participado na guerra de Gaza. Dado que já se conhecem todas as caras dos comandantes de brigada para cima, o mascaramento obrigatório não os inclui.


Imediatamente depois do cessar-fogo, o ministro da Defesa, Ehud Barak, assinou lei especial que dá apoio e cobertura especiais do Estado a todos os soldados e oficiais que participaram da guerra de Gaza e que possam ser acusados, em qualquer lugar do mundo, por prática de crime de guerra. O que parece confirmar um ditado hebraico: "Em cabeça de ladrão, chapéu pega fogo."


NADA TENHO a objetar a esses processos fora de Israel. O que interessa é que os criminosos de guerra, como os piratas, sejam julgados. Não importa muito onde sejam presos. (Essa foi a regra aplicada pelo Estado de Israel quando sequestrou Adolf Eichmann na Argentina e o enforcou em Israel por crimes cometidos fora do território de Israel e, de fato, antes de Israel existir.)


Mas sou israelense e patriota e preferiria que israelenses suspeitos de crime de guerra fossem julgados em Israel. Porque é necessário, por respeito aos oficiais e soldados decentes do exército de Israel e para educar as futuras gerações de cidadãos e de soldados.


Não é preciso recorrer só às leis internacionais. O Estado de Israel tem leis contra crimes de guerra. Basta lembrar a sentença imortal cunhada por Binyamin Halevy, em função de juiz militar, no julgamento que condenou os policiais israelenses de fronteira, responsáveis, em 1956, pelo massacre em Kafr Kassem, quando dúzias de crianças, homens e mulheres foram assassinados por violar um toque de recolher que nem sabiam que houvesse sido implantado.


O juiz declarou que mesmo em tempos de guerra há ordens que carregam a "bandeira preta da ilegalidade". São ordens "manifestamente" ilegais – isso é, ordem que qualquer pessoa normal sabe que são ilegais, sem precisar consultar advogados.


Criminosos de guerra envergonham o exército cujo uniforme vistam – sejam generais ou soldados rasos. Como soldado combatente que eu era, no dia em que as Forças de Defesa de Israel, o exército de Israel, foi oficialmente criado, envergonho-me dos criminosos de guerra e exijo que sejam expulsos do exército e julgados em Israel.


Minha lista de suspeitos inclui políticos, soldados, rabinos e advogados.

NÃO HÁ nem sombra de dúvida de que, na guerra de Gaza, cometeram-se crimes de guerra. Falta determinar quem os cometeu e a extensão dos crimes.

Exemplo: soldados gritaram para os moradores de uma casa, que saíssem. Uma mulher e quatro crianças saíram, usando lenços como bandeiras de rendição. É absolutamente claro que não eram combatentes armados. Um soldado de um tanque próximo levantou-se, mirou e matou-os a queima-roupa. Segundo testemunhas das quais nada autoriza a duvidar, aconteceu mais de uma vez.


Outro exemplo: o bombardeamento da escola da ONU, repleta de refugiados, de onde não saiu um único tiro – o que até o exército já admitiu, depois de desmascaradas as desculpas iniciais.

Esses são casos "simples". Mas o espectro de casos é muito mais amplo. Uma investigação judicial criteriosa teria de começar por cima: pelos políticos e oficiais superiores que decidiram iniciar a guerra e autorizaram os planos; todos esses têm de ser investigados a partir das decisões que tomaram. Em Nuremberg fixou-se para sempre o entendimento de que é crime iniciar guerra de agressão.


Investigação objetiva tem de determinar se se justifica a decisão de iniciar a guerra de Gaza, ou se haveria outros meios para deter o lançamento de foguetes contra o território de Israel. Claro que país algum aceitaria que suas cidades e vilas fossem bombardeadas. Mas não haveria meio de evitar que fossem, no caso de Israel, mediante contato com as autoridades em Gaza? A verdadeira causa da guerra de Gaza foi a decisão, pelo governo de Israel, de boicotar o Hamás, vencedor de eleiçõs democráticas na Palestina? O bloqueio imposto a 1,5 milhão de habitante da Faixa de Gaza contribuiu para que começassem os ataques com Qassams? Em resumo: antes de decidir iniciar uma guerra brutal, o governo de Israel considerou devidamente todas as alternativas?


O plano de guerra incluiu ataque massivo contra a população civil na Faixa de Gaza. O real objetivo da guerra pode ser inferido, menos das declarações oficiais dos que a iniciaram e mais de suas ações. Se nessa guerra foram mortos cerca de 1.300 homens, mulheres e crianças, a maioria dos quais não eram combatentes; se cerca de 5.000 pessoas foram feridas, a maioria das quais, crianças; se mais de 2.500 residências foram destruídas total ou parcialmente; se a estrutura básica de vida foi totalmente demolida em Gaza – é evidente que nada disso aconteceria acidentalmente. Tudo isso tem, necessariamente, de ter sido parte do plano de guerra.


O que políticos e oficiais do exército de Israel declararam durante a guerra deixa claro que o plano de guerra visava a pelo menos dois objetivos; e ambos configuram crime de guerra:


(1) causar morte e destruição em larga escala, para "fixar um preço", "para marcar a fogo a consciência [do inimigo]", "para reforçar o poder de contenção" e, sobretudo – para levar a população a levantar-se contra o Hamás e derrubar o governo. Evidente que, em todos esses objetivos, o alvo sempre foi a população civil. E


(2) evitar baixas no exército de Israel a (literalmente) qualquer preço, destruindo tudo, prédios e vidas humanas nas áreas nas quais o exército de Israel se movesse, destruindo também casas habitadas e impedindo o socorro aos feridos, matando gente indiscriminadamente. Em alguns casos, os habitantes foram avisados de que fugissem, mas foi gesto para, apenas, contruir algum álibi: não havia para onde fugir e os fugitivos também foram fuzilados durante a fuga.


Uma corte independente terá de decidir se tal plano de guerra respeita a legislação nacional e internacional, ou se, desde o início, configura crime de guerra e crime contra a humanidade.

Foi guerra entre um exército regular com grande capacidade de ataque contra uma força de guerrilha. Mas nem em guerras assim tudo é permitido. Argumentos como "os terroristas do Hamás escondiam-se entre os civis" e "usaram a população como escudos humanos" servem talvez para propaganda, mas nada mudam, de substancial: é sempre assim em guerra de guerrilhas. E o grande risco de atingir civis tem de ser considerado na decisão de iniciar uma guerra sob essas condições.


Em Estado democrático, os militares são subordinados aos dirigentes políticos. OK. Mas isso não inclui obedecer ordens "manifestamente" ilegais, sobre as quais paire "a bandeira preta da ilegalidade". Desde os julgamentos de Nuremberg, já não se aceitam desculpas de "obedecer ordens".


É indispensável, portanto, examinar a responsabilidade pessoal de todos os envolvidos – do Chefe de Estado, do Comandante Militar, do Comandante de Operações e dos Comandantes de Divisão até o último soldado. Pode-se deduzir das declarações dos soldados que muitos acreditavam que o serviço era "matar a maior quantidade possível de árabes". Isso só significa uma coisa: não distinguir entre combatentes e não-combatentes. Essa ordem é completamente ilegal, seja explícita seja implícita numa piscadela ou num cutucão. Os soldados entenderam que esse era "o espírito do comandante".


DENTRE os suspeitos de crimes de guerra, os rabinos têm lugar de honra.

Todos os que incitaram a prática de crimes de guerra e conclamaram os soldados, direta ou indiretamente, a cometer crimes de guerra devem também ser julgados por crime de guerra.

Quando se fala de "rabinos", pensa-se em homens velhos, de longas barbas brancas e grandes chapéus, que dão voz a saberes veneráveis. Os rabinos que acompanharam os soldados de Israel são de espécie muito diferente.


Nas últimas décadas, a educação religiosa financiada pelo Estado, em Israel, tem formado "rabinos" que mais parecem padres católicos medievais do que os velhos sábios judeus poloneses ou marroquinos. Esse sistema de doutrinação massiva converte os jovens a uma espécie de culto tribal violento, totalmente etnocêntrico, que vê a história universal como uma história sem fim dos judeus vítimas eternas. É uma religião do Povo Eleito, indiferente a outros povos, uma religião sem compaixão por quem não seja judeu, que glorifica o genocídio decretado por Deus narrado na Bíblia, no Livro de Josué.


Os "rabinos" professores de educação religiosa dos mais jovens são os que resultam desse tipo de educação religiosa. Por influência deles, está em andamento um movimento para converter "por dentro" o exército de Israel. Oficiais que usam kippa substituíram os oficiais educados nos Kibbuts e que, até há pouco tempo, eram maioria no exército. Muitos dos oficiais das patentes médias e mais baixas do exército de Israel pertencem a esse grupo.


O exemplo mais destacado é o "Rabino Comandante", coronel Avichai Ronsky, que declarou que sua missão é reforçar "o espírito de combate" dos soldados. É homem de extrema direita, próximo do espírito do falecido rabino Meir Kahane, cujo partido foi tornado ilegal em Israel, por militância de ideologia fascista. Os soldados receberam brochuras patrocinadas pelo rabinato do exército, com artigos desses "rabinos" de extrema direita.


Esse material inclui incitamento político, a idéia de que a religião judaica proíbe "ceder um milímetro que seja da 'Grande Israel'"; que os palestinos, como os filistinos (nome étnico do qual deriva a palavra Palestina), são povo estrangeiro que invadiu Israel; e que ceder aos árabes (como se lê também no programa oficial do governo de Israel) seria pecado mortal. Desnecessário dizer que, evidentemente, a distribuição de propaganda política aos soldados viola, é claro, as leis militares.


Os rabinos pregaram aos soldados, abertamente, que fossem cruéis, impiedosos contra todos os árabes. Tratá-los com piedade seria – disseram eles –, "terrível, horrenda imoralidade". Esse material foi entregue aos soldados religiosos que partiam para combate. E isso ajuda a entender por que as coisas aconteceram como aconteceram.


QUEM PLANEJOU essa guerra sabia que a sombra dos crimes de guerra pairava sobre toda a operação que estava sendo planejada. Prova: o Procurador Geral (cujo título oficial é "Conselheiro Legal do Governo" [Legal Advisor to the Government] trabalhou no planejamento da guerra). Essa semana, o Advogado Geral do Exército, Coronel Avichai Mandelblut, revelou que seus funcionários trabalharam alocados em todos os comandos, durante toda a guerra, do Gabinete do Comandante do Estado-maior Geral do Exército, até os comandos de divisão.


Tudo isso leva à conclusão inescapável de que também os conselheiros para temas legais no governo de Israel são diretamente responsáveis pelas decisões tomadas, pelas ordens distribuídas e pelas ações executadas, do massacre dos formandos de uma escola de Polícia, assassinados durante a cerimônia de formatura, até o bombardeio de instalações da ONU. Todos os advogados que participaram das deliberações antes de as ordens serem expedidas são responsáveis pelas conseqüências das ordens, a menos que provem que apresentaram objeção formal.


O Advogado Geral do Exército, a quem cabe dar aconselhamento técnico, profissional e objetivo ao Exército de Israel, fala de um "inimigo monstruoso" e tem tentado justificar as ações do exército, dizendo que o exército de Israel enfrentava "inimigo sem freios, que declarara que 'ama a morte' e esconde-se atrás de mulheres e crianças". Essa linguagem, perdoável talvez nos discursos de algum soldado bêbado de violência e morte, como o chefe de batalhão que ordenou que seus soldados se suicidassem, se houvesse risco de serem capturados, é totalmente inadmissível no discurso do principal advogado-oficial conselheiro do Exército de Israel.


TEMOS DE SEGUIR os trâmites legais, todos eles, em Israel, e exigir investigação independente e lutar até que sejam indiciados todos os criminosos que cometeram crime de guerra, na guerra de Gaza. Temos de exigir que se cumpram esses imperativos de lei, ainda que as chances de que se venha a cumprir sejam, de fato, mínimas.


Se nossos esforços falharem, ninguém terá o que objetar se Israel for julgado em tribunais no exterior, seja em corte internacional seja em cortes nacionais de países que respeitam os direitos humanos e a lei internacional.


Até lá, Israel vive sob a bandeira preta da ilegalidade.


* URI AVNERY, 31/1/2009, "Black Flag", Gush Shalom [Grupo da Paz]: Tradução de Caia Fittipaldi, autorizada pelo autor.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Olhares judeus de pura razão e humanismo para enfrentar o sionismo



Reproduzo aqui do Vi o mundo os seguintes artigos: "O próximo passo" de Gideon Levy, jornalista israelense que escreve no Haaretz, Telavive e "Israel x Gaza. Como incendiar o mundo muçulmano" do historiador Gabriel Kolko.
Todas as charges fazem parte da exposição ocorrida recentemente na Jordânia, intilulada Gaza Cartoons.
Não deixe de ler também no Vi o mundo a interessante análise de Fisk sobre as relações entre o novo presidente dos EUA e o Oriente Médio, AQUI.


Mais uma vez choro, o texto de Levy condensa o dossiê da barbárie registrada em fotografias que decidi publicar hoje aqui no blog da História em Projetos. Por mais chocante que seja ver o horror ao vivo e a cores, seria hipocrisia poupar nossos olhos, precisamos olhar com olhos de ver, para parar de naturalizar a violência e ficarmos imóvel diante de tanto horror.

Que a visão humanista destes poucos israelenses prevaleça sobre a barbárie. Que os facínoras que provocaram tanta destruição sejam julgados e paguem efetivamente por desumanizar a vida na Palestina.


O próximo passo

Gideon Levy, 23/1/2009, Haaretz, Telavive



A vasta maioria festejou aos gritos, uma minoria muito pequena gritou em silêncio, como um assovio na escuridão. A imensamente dominante maioria só queria mais e mais, a minoria muito pequena só queria que aquilo parasse. A absoluta maioria gargalhou, encomendou pizzas e filmes com cenas dos bombardeios, e muitos subiram aos telhados próximos à fronteira de Gaza, com os filhos, para assistir ao massacre com seus próprios olhos. Uma mínima maioria tentou protestar, encolhida de vergonha e de culpa, a cada nova imagem que chegava de Gaza.

Nunca antes, desde o verão de 1967, viu-se tão eficaz lavagem cerebral, e tal coro tão uniformemente manipulado – e voltou então o coro nacionalista bestial, insensível, cego. Mas agora, a poeira baixou nas ruínas, e não há bandagem suficiente para cobrir todas as chagas; os cemitérios cheios, os hospitais lotados; os feridos, os quebrados, os incapacitados, os amputados, os aleijados, os traumatizados, os enlutados, os milhares de feridos e as dezenas de milhares de novos desabrigados e sem-teto tentam reabilitar o que possam. Agora, é tempo de elaborar sobre alguma alternativa à guerra mais brutal e mais cruel de toda a história de Israel, e a mais completamente desnecessária.

Primeiro, há caminho que Israel jamais quis trilhar. Nem Oslo nem a retirada de 2005 foram suficientes. Sendo a guerra sempre o meio preferido e a violência sem freio, Israel praticamente sempre falou pela força, só a violência, como única linguagem. Pela força e por golpes, Israel fez a guerra, mais uma guerra. A força veio do exército; os golpes, da imprensa. Qualquer via alternativa foi sempre condenada.

Segundo, nunca é possível reconstruir, seja o que for, a partir só do que se ouve num determinado instante. Temos de lembrar o contexto, e o contexto sempre foi distorcido, a ponto de ter-se tornado irreconhecível.

O cessar-fogo com o Hamás foi firmado dia 19/6/2008. Foi recebido com frieza em Israel e com o azedume com que se recebem movimentos políticos. Ehud Olmert disse que seria "frágil e de curto-prazo", como profecia feita para se autocumprir. Nos meses seguintes, Israel foi intoxicada pelos mais aterrorizantes relatórios e análises dos serviços de segurança, sobre o quanto o Hamás se estaria armando, sobre os danos causados pelo cessar-fogo, pelos perigos que ameaçavam os israelenses por causa do cessar-fogo e sobre o quanto o Hamás, só o Hamás, beneficiava-se com o cessar-fogo. Apagou-se do mundo o fato de que os moradores do sul de Israel viveram tempos de sossego, praticamente sem nenhum Qassam. As centenas de túneis em Rafah, a maiorias dos quais traziam oxigênio para Gaza sitiada – à qual, mesmo quando se abriam os postos de fronteira, Israel sempre proibiu a chegada dos bens indispensáveis à vida, cadernos para as crianças, cimento para construir – foram descritos em Israel como se existissem exclusivamente para o contrabando de armas: túneis demoníacos, pelos quais teria passado tudo que, de algum modo, se assemelhasse a armas nucleares.

A nua verdade sobre o que estava sendo contrabandeado pelos túneis só foi conhecida na guerra: pouca, parca, fraca munição.

O acordo de cessar-fogo, é preciso lembrar, incluía que Israel abriria os postos de fronteira. Depois de assinado o acordo, Israel decidiu que os postos de fronteira permaneceriam fechacos, porque a passagem de Karni seria "inadequada".

Depois, começou o método "zipper": fechavam-se os postos de passagem depois de cada rojão Qassam, o velho método do chicote-e-cenoura. Sim, claro que houve Qassams e morteiros – poucos, desnecessários, improdutivos, errados, estéreis – que deveriam ter sido relevados com sabedoria. A cada evento, uma nova e maior violação do acordo de cessar-fogo, por Israel, que incluiu invasão por terra, dia 4/11/2008, para explodir uma casa e um túnel e para assassinar seis homens do Hamás – e que foi completamente ato de guerra de Israel a Gaza.

Depois disso, tudo se deteriorou muito rapidamente, como Israel previa, como Israel aparentemente quis que acontecesse.

Ainda que não se incluísse na discussão uma única palavra sobre o contexto amplo, histórico – os refugiados que vivem em Gaza desde 1948, o que os torna refugiados de guerra e os 40 anos de ocupação em Gaza, desde 1967 – o contexto a ser considerado hoje tem de incluir, necessariamente, o sítio e o boicote que Israel e a comunidade internacional impuseram (i) ao Hamás, partido que chegou ao poder mediante eleições perfeitamente democráticas, em janeiro de 2006; e (ii) também contra o governo palestino de unidade nacional estabelecido em março de 2007.

Tudo isso aconteceu antes de o Hamás assumir o controle de Gaza, pela força, por golpe, depois de não conseguir instituir-se como poder democrático, nascido de eleições democráticas, pelo tipo de oposição que lhe fez o partido Fatah. Todo esse curso de eventos teria de ter sido conduzido de outro modo, mas, então, o leite e o sangue já estavam derramados.

Nem o Hamás deveria ter sido boicotado, nem Gaza deveria ter sido sitiada. Israel nada ganhou nem com o boicote nem com o bloqueio. O resultado está aí, a vista de todos: estamos olhando para ele.

Desde a questão com a OLP (Organização de Libertação da Palestina), há anos, o rejeicionismo israelense nada trouxe de bom; só trouxe mais e mais violência, novos ciclos de violência e de radicalização, tanto dos palestinos quanto dos israelenses.

Hoje, o Hamás é mais forte do que era antes da guerra; a guerra sempre fortalece os extremismos, de todos os lados, o deles e o nosso. Depois a OLP converteu-se em Hamás e hoje é Jihad Mundial. Gaza não se tornou "moderada", como interessaria a Israel; está sangrando, devastada, e Israel nada lhe ofereceu, até hoje.

O sítio de Gaza fracassou, o bloqueio só trouxe danos, mesmo que se ignorem todos os seus aspectos ilegais e imorais. Agora, em vez de bloqueio – que a legislação internacional define como "castigo coletivo" e considera crime –, Israel está obrigada a abrir todas as passagens de fronteira. Abri-las, não fechá-las. Abri-las para a passagem de artigos de primeira necessidade, é claro, sim, e abri-las para a passagem de pessoas. Hoje. Abertura controlada, como em todas as fronteiras do mundo, mas abri-las.

Gaza precisa de uma passagem para o mundo, e essa passagem tem de passar por Israel. Israel não pode continuar a fingir que não ocupa Gaza há 40 anos, como se a ocupação não tivesse jamais existido e, agora, 'entregar' Gaza aos egípcios. O destino de Gaza é responsabilidade de Israel.

Passagens de fronteira desimpedidas e uma via livre de acesso aos territórios ocupados da Cisjordânia e com o mundo é um dos direitos básicos dos habitantes de Gaza.

Hoje, o primeiro-ministro de Israel, qualquer primeiro-ministro, todos os primeiros-ministros, têm de abrir diálogo com a Palestina, com toda a nação palestinense. Não apenas mais um diálogo, diálogo por diálogo, como o escritor David Grossman sugeriu essa semana no Haaretz – Israel já consumiu sua quota de falsos diálogos – mas negociações práticas, com objetivo, determinadas, com o claro e declarado objetivo de pôr fim à ocupação. Assim se demonstraria o "poder de contenção", a mais importante de todas as promessas e de todas as soluções.
As negociações, agora, têm de visar ao estabelecimento de um Estado Palestino, nas fronteiras de 1967, que são as máximas fronteiras legais de Israel e as fronteiras mínimas, legais, da Palestina. Deve parar hoje a construção de qualquer colônia. Devem-se tomar as medidas necessárias para evacuar todas as colônias da face da terra.

Basta de conversas rasas e ocas sobre se Israel estaria "preparada" para a Solução dos Dois Estados. Basta de exibir pesquisas que mostram que isto ou aquilo seria "o que a maioria dos israelenses" deseja ou não deseja. Basta de repetir o que tantos políticos e diplomatas teriam algum dia dito, contra ou a favor do Estado da Palestina. É hora de fazer acontecer o Estado da Palestina.

De nada adianta falar com o presidente Máhmude Abbas (Abu Mazen) e, ao mesmo tempo, prosseguir a construção de mais uma colônia em Modi'in Ilit. É impossível continuar a falar só com Máhmude Abbas, porque ele é ontem, é o homem de ontem para os palestinos e só representa uma pequena parte dos palestinos.

Hoje, Israel tem de falar com o Hamás. Imediatamente. Pelo menos, tem de tentar falar com o Hamás.

Também no Hamás há homens prontos a por de lado sonhos de ontem e visões do futuro, em nome de construir um presente melhor.

É hora de libertar os prisioneiros, as centenas de prisioneiros, uns prisioneiros políticos, outros prisioneiros de guerra. Eles também têm de poder manifestar suas esperanças nacionais, hoje.

E também, imediatamente, Israel tem de dizer "Sim" à Síria, imediatamente, antes de que também esse momento propício seja desperdiçado: a paz, em troca das colinas de Golan. Hoje. É possível fazer a paz com a Síria, mediante negociações.

Ao mundo árabe, Israel tem de dizer: queremos discutir a iniciativa saudita.

À comunidade internacional e aos próprios israelenses, Israel deve declarar: erramos; cometemos o pecado de matar, por arrogância, nessa guerra; e pedimos perdão, do fundo do coração. Mas nem isso adiantará, se Israel não mudar, radicalmente, a direção do seu modo de pensar e de operar no mundo.

Precisamente a partir dessa guerra horrenda, Israel pode começar a mudar. A partir do luto, das ruínas, dos feridos. Basta.

Israel já provou seu prodigioso – talvez prodigioso demais – poder militar, inúmeras vezes, prodígio sobre prodígio, e o quanto Israel não tem nenhum poder de autocontenção.

Israel já provou que "o meu é maior", mais violento, mais mortífero. É possível mudar de direção agora, depois dessa guerra terrível, horrenda, tanto quanto, depois da Guerra do Yom Kippur foi possível fazer a paz com o Egito (paz que também poderia ter sido alcançada sem guerra).

Mas Israel sempre se repete: concessões, se alguma, só depois de banhos de sangue.

Levantar o sítio de Gaza, pôr fim ao bloqueio, dialogar com o Hamás, paz com a Síria, aceitar a iniciativa árabe – esses são passos práticos.

Mas, antes disso, tem de acontecer uma mudança de fundo, em Israel. Depois de décadas de demonização e desumanização dos árabes, é tempo, hoje, de reconhecer que são como nós, exatamente como nós, iguais a nós. Têm sentimentos, sonhos e direitos. Essa consciência humana basal é que foi apagada em Israel. Sem ela, Israel fracassará; com ela, tudo voltará a ser muito mais alcançável.

Por anos, a direita israelense banqueteou-se de palavras ocas e nada respondeu à mais simples das perguntas: Então, o que fazer?

Como estarão as coisas daqui a 20, 30 ou 50 anos? Então, os palestinos já serão maioria "entre o rio e o mar".

E a direita de Israel nada tem a dizer ou fazer. Nada, nenhuma resposta que não seja a guerra.

A esquerda tem resposta – que aqui escrevi. E os israelenses da "opinião pública" voltarão a condenar a esquerda ao ostracismo, ridícula esquerda, vão ignorá-la, vão acusá-la de ser "ingênua" ou acusarão a esquerda de "traição".

Que pelo menos ninguém diga que a esquerda de Israel não sabe o que propor, que não vê caminho e que não tenha posto o pé na rua, no caminho que vê – o caminho da paz, não da guerra – completa e sinceramente.


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Israel x Gaza. Como incendiar o mundo muçulmano

Gabriel Kolko, 21/1/2009, Counterpunch


Gabriel Kolko é o mais renomado historiador contemporâneo especialista em história das guerras contemporâneas. É autor dos clássicos Century of War: Politics, Conflicts and Society Since 1914, Another Century of War? e The Age of War: the US Confronts the World . É autor também da melhor história da Guerra do Vietnã, Anatomy of a War: Vietnam, the US and the Modern Historical Experience. Seu livro mais recente é After Socialism.

Como a história falará da guerra contra os palestinos em Gaza? Outro holocausto, dessa vez perpetrado pelos filhos das vítimas do anterior? Um golpe eleitoral, montado por ambiciosos políticos israelenses, para ganhar votos nas eleições do dia 10/2 próximo? Um teste para os novos modelos de armamento fabricados pelos EUA? Ou como uma tentativa de encurralar o novo governo Obama, numa posição anti-Irã? Ou como tentativa para estabelecer a "credibilidade" [aspas no original] do exército de Israel, depois da vergonhosa derrota na guerra contra o Hizbóllah no Líbano em 2006? Tudo isso provavelmente. E muito mais.

Mas uma coisa é certa. Israel matou pelo menos 100 palestinos para cada uma das baixas noticiadas, desproporção tão imensa, que causou horror em quase todo o mundo e criou nova causa que já mobilizou um número praticamente incalculável de pessoas – provavelmente, uma oposição tão forte quanto a que se uniu contra a guerra do Vietnã. Israel autoconverteu-se em nação pária – exceto do ponto de vista dos EUA e de um pequeno grupo de outros países. O mais terrível de tudo: Israel incendiou o mundo muçulmano.

Como Bruce Riedel, um “falcão” que foi alto funcionário da CIA por quase 30 anos e é hoje um dos muitos conselheiros do presidente Obama, escreveu há pouco tempo: “o conflito Israel-Palestina é a principal questão que alimenta a al-Quaeda", e “os muçulmanos tem convicção muito funda quanto ao que, para eles, foi erro: a criação de Israel; essa convicção contamina todos os aspectos do que eles pensam e fazem e é o argumento-chave para convencer a Ummah* da correção da luta da al-Quaeda.” Isso, antes de Gaza. Grande parte do mundo hoje odeia Israel e demorará anos, antes de que as atrocidades praticadas em Gaza sejam esquecidas ou, pelo menos, razoavelmente apagadas. Os extremistas muçulmanos tornar-se-ão muito mais fortes.

Os israelenses estão sendo acusados – e com muitas razões – por crimes de guerra. Muitos dos acusados são filhos de famílias que sofreram nas mãos dos nazistas há mais de 60 anos e vivem hoje de repetir que o Holocausto foi a única tragédia que jamais houve – como se o número de mortos não-judeus, no mundo, depois de 1945 não existisse.

A ONU e grupos de Direitos Humanos já exigem que Israel seja julgada por crimes de guerra, pelo número oficial de 1.300 mortos em Gaza, assassinados por descomunal poder de fogo e com munição, como as bombas de fósforo, proibida e ilegal. Israel já avisou seus principais oficiais para que se preparem para defenderem-se contra a acusação de prática de crime de guerra. O Procurador Geral de Israel, General Menahem Mazuz, disse que o governo já espera "uma onda de processos internacionais."

Daqui em diante, Israel terá de viver com as consequências geopolíticas do que fez, na Região.

É provável que Israel tenha destruído, talvez de modo irreparável, qualquer possibilidade de estabelecer relações tranquilas com seus vizinhos árabes mais próximos e outras nações muçulmanas – o Catar e a Mauritania já suspenderam relações diplomáticas com Israel –, menos porque as camadas governantes dessas nações desejem castigar Israel, mas porque as massas de eleitores, ou, em geral, das populações, exigem que Israel seja punida; e esse desejo popular implica grave risco para a estabilidade dos regimes na Região.

Talvez ainda mais importante: os EUA sempre apoiaram lealmente Israel durante décadas, com um dilúvio de armas moderníssimas e com total proteção diplomática; mas os EUA enfrentam hoje enormíssima crise econômica e precisam do dinheiro árabe (para não falar do petróleo), como jamais antes precisaram. A estabilidade da aliança crucial de EUA e Israel está mais pressionada hoje, do que jamais, no passado.

Desde o início, um culto machista – chamado "autodefesa" – foi traço sempre encontrado no sionismo; apesar da opinião de alguns idealistas, como A. D. Gordon, a tendência dominante em Israel sempre acolheu sem protesto as respostas violentas contra os árabes circunjacentes. Os militares sempre foram glorificados por isso, inclusive esquerdistas de fachada, como David Ben Gurion. De tal modo, que Israel converteu-se numa Esparta regional, armada com armamento moderníssimo e bombas atômicas, o que lhe assegurou um monopólio virtual sobre uma vasta região. Esse monopólio também será inevitavelmente desafiado.

Uri Avnery, importante ativista dos movimentos pela paz, escreveu, há poucos dias, que “centenas de milhões de árabes que cercam Israel nessa parte do mundo verão os combatentes do Hamás como heróis da nação árabe e, além disso, também verão seus próprios governos nacionais em plena nudez, como são: criminosos, venais, corruptos e traiçoeiros. (...) Nos próximos anos, todos verão com clareza a absoluta loucura que foi a guerra de Gaza." (Leia aqui no blog um dos texto do Uri Avnery "O comandante-em-chefe enlouqueceu", 17/1/2009).

Estamos vivendo outra grande tragédia, e as tragédias são insumo básico na história do mundo, há séculos. Dessa vez, as vítimas de ontem e seus filhos são os carrascos de hoje.

Nota: *Ummah- palavra árabe que significa comunidade/união das nações (no caso dos países árabes), no islamismo o termo se refere à diáspora do mundo muçulmano.

Olhe com olhos de ver, indigne-se e não permita que isso se repita



Há alguns dias eu recebi este link AQUI. Após chorar, revoltar-me e sentir raiva de tanta loucura, armazenei o endereço no Delicius.

Hesitei em publicá-lo, porque realmente eu não gostaria que outras pessoas sofressem tanto quanto eu ao ver o dossiê fotográfico que ele traz.

Hoje decidi publicá-lo e de lá reproduzir algumas imagens, pois avaliei que isso não é explorar a morte, isto é tentar fazer com que as pessoas busquem valorizar a vida não permitindo que loucos como os responsáveis por este genocídio fiquem impunes.

Eu não ganho um tostão com isso, não vendo jornais, este blog não tem um único anunciante sequer.

Avaliei que essas fotos são o registro mais cruel de um Estado cínico e criminoso de guerra que não pode continuar a praticar essas ações genocidas. Talvez as histórias registradas nestas imagens tire-nos, por um instante deste conformismo, desta banalização diante da morte e naturalização da violência, talvez ela nos indigne ao ponto de não aceitarmos mais que esse horror se repita.

O Estado sionista de Israel não pode isolar um povo, humilhá-lo, retirar sua humanidade, ceifar a vida que ainda está sendo gestada no ventre das mães palestinas e jogar a fatura no colo do Hamás. Se você ficou indignado, ASSINE A PETIÇÃO para que os crimes de Estado de Israel sejam julgados e seus criminosos recebam a devida punição.
(Caminho alternativo para aderir à campanha: clique AQUI e ao abrir o site escolha campanha, é a campanha 10)

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Sobre as fotos que destaquei a Cora Ronai provavelmente tratará com cinismo ímpar como o fez em seu último texto igualando no mesmo cadinho as estatísticas tão desiguais das baixas entre Gaza e Israel, entre civis e soldados e acusando os palestinos de exploram a morte.

Por isso, não falo para pessoas como a Cora Ronai, na verdade todas as fotos das vítimas de Gaza falam por si: a primeira mostra uma criança incinerada (Israel usou vários tipos de bombas proibidas como tungstênio e fósforo, veja aqui e aqui); a segunda foi a que mais me desumanizou: ver o rombo nas costas deste bebê que teve ceifado o seu direito de nascer, já que a bala atravessou a barriga de sua mãe, fez-me sentir envergonhada de pertencer a espécie humana, capaz de atrocidades como esta.




domingo, 18 de janeiro de 2009

Três idéias simples para acabar com ao apoio político aos crimes israelenses

por Jean Bricmont*
16/Jan/09

Enquanto Israel dá sequência aos bombardeios contra a população palestina e os paramilitares do general Mohamed Dahlan esperam na fronteira egípcia a ordem de entrar em Gaza para massacrar as células do Hamas, a opinião pública européia se sente totalmente impotente. Apesar de sua amplitude, as manifestações contrárias à ofensiva sucedem-se umas às outras sem impacto sobre os responsáveis políticos pelo ataque a Gaza, ou sobre aqueles que poderiam intervir no conflito. O professor Jean Bricmont propõe uma estratégia simples para mudar as relações de força na Europa, e, por fim, abalar as bases de sustentação política em que se ampara o regime de apartheid israelense.

Nós somos provavelmente milhões a assistir, revoltados e impotentes, à destruição de Gaza, ao mesmo tempo em que temos de nos resignar a um discurso mediático que enfoca a ofensiva em Gaza sob o ângulo de "resposta ao terrorismo" e "direito de defesa israelense". Porém, como ressaltou o jornalista inglês Robert Fisk, aqueles que lançam foguetes no sul de Israel são muitas vezes descendentes dos habitantes dessa região que foram expulsos em 1948 [1] . Enquanto esta realidade fundamental não for reconhecida e esta injustiça reparada, nada de sério terá sido feito ou dito em favor da paz.

Mas o que fazer? Organizar novos diálogos entre judeus progressistas e muçulmanos moderados? Esperar por uma nova iniciativa de paz, ou por novas declarações de ministros de países europeus?

Será que todas essas comédias já não duraram o bastante? Aqueles que querem fazer algo se atêm muito frequentemente a exigências irrealistas, como, por exemplo, requerer a criação de um tribunal internacional para julgar os crimes de guerra israelenses, ou uma intervenção eficaz da ONU ou da União Européia no conflito. Todos sabem muito bem que nada disso ocorrerá, porque os tribunais internacionais simplesmente refletem as relações de força no mundo, que estão no momento em favor de Israel. São estas relações de força que é preciso mudar, e isso só pode ser feito de pouco em pouco. É verdade que há urgência quanto a Gaza, mas do mesmo modo é verdade que nada pode ser feito hoje, justamente porque o demorado processo de mudança em vista do qual deveríamos ter agido no passado nunca foi consumado.

Entre as propostas feitas a seguir, duas se situam no plano ideológico e uma no plano prático.

1. Desfazer-se da ilusão segundo a qual Israel é "útil"

Muitas pessoas, sobretudo de esquerda, continuam a pensar que Israel não é senão um peão em uma estratégia norte-americana capitalista ou imperialista de controle do Oriente Médio. Nada poderia ser mais equivocado. Israel não serve praticamente a ninguém, salvo aos seus próprios fantasmas de dominação. Não há petróleo em Israel nem no Líbano. As guerras ditas pelo petróleo, de 1991 e de 2003, foram conduzidas pelos Estados Unidos sem nenhuma ajuda israelense, e, em 1991, com o pedido explícito de que Israel não interviesse, para não pôr em risco a aliança estabelecida com alguns países árabes na formação de uma coalizão contra o Iraque. Como "aliado estratégico", pode-se, por assim dizer, encontrar coisa melhor. Não há dúvida de que as petro-monarquias pró-ocidentais e os regimes árabes "moderados" estão em choque diante do fato de que Israel ocupa incessantemente as terras palestinas e torna assim mais radical e extremista uma boa parte de suas populações. Israel, com suas políticas absurdas, provocou a um só tempo a criação do Hezbollah e do Hamas, e é, em larga medida, indiretamente responsável pelo recrudescimento do "islamismo radical".

É preciso também compreender que os capitalistas, tomados em seu conjunto (que abrange mais do que simplesmente os negociantes de armas...), ganham muito mais com a paz do que com a guerra: basta ver as fortunas obtidas pelos capitalistas ocidentais na China e no Vietnã desde que a paz foi acertada com esses países, em oposição à época de Mao e da guerra do Vietnã. Os capitalistas não estão preocupados em saber de que "povo" Jerusalém é a "eterna capital", e, se a paz aí reinasse, eles se precipitariam sobre a Cisjordânia e Gaza para explorar uma mão de obra qualificada e sem muitos outros meios de sobreviver.

Finalmente, qualquer norte-americano preocupado com a influência de seu país no mundo vê bem que alienar-se de mil milhões de muçulmanos para satisfazer a todos os caprichos de Israel não é exatamente um investimento racional no futuro. [2]

São frequentemente os que se consideram marxistas que não querem ver no apoio a Israel senão uma simples manifestação de fenômenos gerais como o capitalismo ou o imperialismo (mesmo Marx via com mais nuances a questão do reducionismo econômico). Porém, manter tais posições não ajuda o povo palestino - com efeito, o sistema capitalista, que se o ame ou não, é um sistema muito robusto para depender de modo significativo da ocupação da Cisjordânia; esse sistema aliás parece ir bem na África do Sul desde o desmantelamento do apartheid.

2. Liberar a palavra não-judia sobre a Palestina

Se o apoio a Israel não se explica principalmente por interesses econômicos ou estratégicos, por que este silêncio e esta cumplicidade? Poder-se-ia invocar a indiferença com relação ao que se passa "longe de nós". Isso pode ser verdade para a maioria da população, mas não para o meio intelectual dominante, o qual se excede em críticas a Venezuela, Cuba, Sudão, Irã, Hezbollah, Hamas, Síria, Islã, Sérvia, Rússia e China. E, quanto a todos esses assuntos, mesmo os mais grosseiros exageros são correntes e aceitáveis.

Uma outra explicação para a indulgência com relação a Israel é a "culpabilidade" ocidental quanto às perseguições anti-semitas no passado, particularmente os horrores da Segunda Guerra Mundial. A esse respeito, afirma-se vez por outra que os Palestinos não são em nada culpados desses horrores e não devem pagar pelos crimes de outros. Isso é verdade, mas o que não é quase nunca dito e que no entanto é evidente, é que hoje a imensa maioria dos franceses, dos alemães ou dos padres católicos são tão inocentes quanto os palestinos pelo que se passou durante a guerra, devido à simples razão de que eles nasceram depois disso ou eram crianças na época. A noção de culpabilidade coletiva já era muito discutível em 1945, mas a idéia de transmitir essa culpabilidade aos descendentes é quase religiosa.

É aliás curioso que, à época em que a Igreja abandonava a idéia de povo deicida [3] , a da responsabilidade quase universal quanto ao judeocídio começava a se impor. Mas esta "culpabilidade" legitima uma enorme hipocrisia. Supõe-se que todos devemos nos sentir culpados pelos crimes do passado, quanto aos quais, por definição, não se pode nada fazer, mas quase ninguém diz que devemos nos sentir culpados pelos crimes de nossos aliados políticos (Estados Unidos e Israel) que se desenrolam hoje, diante de nossos olhos - crimes com os quais, no mínimo, poderíamos romper claramente qualquer ligação de solidariedade. E, por mais que seja todo o tempo afirmado que a lembrança do holocausto não deve justificar a política israelense, é evidente que é no seio das populações mais culpabilizadas por esta lembrança (alemães, franceses e católicos) que o silêncio é maior (por oposição aos negros, aos árabes e aos britânicos).

O que precede é uma banalidade, mas uma banalidade difícil de se dizer - entretanto, cumpre repeti-la até que ela seja reconhecida como tal caso se queira que os não-judeus cheguem a se exprimir livremente sobre a Palestina. Talvez o melhor slogan para as manifestações contra a ofensiva israelense não seja "Somos todos Palestinos" - slogan bem intencionado, mas que não reflete a realidade da nossa situação e a deles -, mas antes: "Nós não somos culpados do holocausto". Nesse ponto, nós certamente compartilhamos alguma coisa com os palestinos.

Porém, a principal razão do silêncio não pode ser unicamente a culpabilidade, precisamente porque esta é bem artificial, mas o medo. Medo da maledicência, da difamação, ou de processos, nos quais o único ato de acusação é sempre o mesmo: o anti-semitismo. Se isso não é convincente o bastante, podemos tomar o exemplo de um jornalista, um homem político ou um editor: fechemo-nos com ele em um lugar onde se pode verificar que não há câmera nem microfone, e perguntemos-lhe se ele diz publicamente tudo o que realmente pensa sobre Israel, e, se não o diz (em minha opinião, a resposta mais provável), por que se cala? Teme arruinar os interesses dos capitalistas na Cisjordânia? Enfraquecer o imperialismo norte-americano? Ou ainda, afetar o fluxo do petróleo? Ou, ao contrário, tem medo das organizações sionistas, de suas perseguições e de suas calúnias?

Parece-me evidente, após muitas discussões com pessoas de origem não-judia, que a boa resposta é a última. As pessoas calam o que pensam do auto-proclamado "Estado judeu" por medo de serem tratadas como anti-semitas. Esse sentimento é ainda reforçado pelo fato de que a maioria das pessoas que se vêem chocadas pela política israelense têm realmente horror do que se passou na Segunda Guerra Mundial e são realmente hostis ao anti-semitismo. Por causa disso, quase todos interiorizaram a idéia de que o discurso sobre Israel, e, mais ainda, sobre as organizações sionistas, continua um tabu que não se deve violar, e desse modo permanece um clima de medo generalizado. Pode-se mesmo notar que, em geral, são os que dão, em particular, "conselhos de amigo" (preste atenção, não ponha no mesmo saco todos os seus antagonistas políticos, não cometa exageros: islamismo..., extrema-direita..., Dieudonné [4] ) os primeiros a declarar em público que não temem nada e que as pressões não existem. Evidentemente, reconhecer o medo seria o melhor meio de começar a livrar-se dele.

Consequentemente, a primeira coisa a fazer é combater esse medo. Nem sempre os militantes da causa palestina compreendem tal necessidade, já que, através de suas ações, eles demonstram não temer nada. São frequentemente pessoas muito devotadas e que não aspiram a nenhuma posição de poder na sociedade. Entretanto, deveriam imaginar-se no lugar daqueles que ocupam ou esperam ocupar tais posições (e que, portanto, têm mais meios de afetar as decisões políticas) e que são, precisamente por causa de suas ambições, vulneráveis à intimidação. O único modo de proceder é criar um clima de "desintimidação", de foma que se apoie cada homem político, cada jornalista, cada escritor que ousar escrever uma frase, uma palavra, uma vírgula que critique Israel. É preciso fazê-lo em todas as direções, sem limitar tal apoio a pessoas que têm posições "corretas" sobre outros assuntos (segundo o eixo esquerda-direita), ou que têm posições "perfeitas" sobre o conflito.

Finalmente, antes de se falar em "apoio" à causa palestina, como muitas organizações o fazem, apoio que não obterá jamais, por mais lamentável que o seja, a adesão da maioria das pessoas dos países europeus, dever-se-ia apresentar a questão palestina sob o ângulo dos interesses da Europa. Com efeito, a Europa não tem nenhuma razão para se alienar do mundo árabe-muçulmano ou para ver aumentar a raiva contra o Ocidente, e é catastrófico para os países europeus criar um conflito a mais com a parte da população "saída da imigração" que, frequentemente, se simpatiza com os palestinos. Notemos, com relação a isso, que não foi por preconizar um apoio indefectível a Israel que os sionistas venceram, mas antes por um lento trabalho de identificação entre a defesa do Ocidente (em matéria de provisão petrolífera ou de luta contra o islamismo) e a de Israel (é aliás lamentável que muitos discursos de esquerda sobre a utilidade de Israel para o controle do petróleo, assim como discursos laicos sobre o Islã, reforcem esta identificação).

3. As iniciativas práticas possíveis resumem-se a três letras: BDS (Boicotes, desinvestimentos, sanções)

As organizações pró-palestinas continuam a exigir sanções [5] a Israel, mas como tal tipo de medida é prerrogativa dos Estados, todos sabem que isso não ocorrerá a curto prazo. Quanto às medidas de desinvestimento, ou são tomadas por organizações que têm dinheiro para investir (sindicatos, Igrejas) e tal decisão depende de seus membros, ou por empresas que estabeleceram uma colaboração estreita com Israel e que não mudarão de política se não sofrerem ações de boicote, o que nos leva, por fim, a esta forma de ação, que visa não somente os produtos israelenses, mas também as instituições culturais e acadêmicas deste Estado [6] .

Notemos que esta tática foi utilizada contra a África do Sul e que as duas situações são parecidas: o regime de apartheid e Israel são (ou eram) as "legs" [7] do colonialismo europeu, e têm muita dificuldade em aceitar (contrariamente à maior parte da opinião pública na Europa) o fato de que esta forma de dominação deve acabar. As ideologias racistas que servem de base aos dois projetos os tornam insuportáveis aos olhos da maioria da humanidade e criam ódios e conflitos sem fim. Poder-se-ia mesmo dizer que Israel não é senão uma outra África do Sul, mas, desta vez, com o acréscimo do holocausto.

No caso do boicote cultural e acadêmico, levanta-se às vezes a objeção segundo a qual uma tal prática atinge pessoas inocentes, bem intencionadas, que querem a paz, etc., argumento já utilizado, aliás, na época da África do Sul (e o mesmo argumento poderia ser aduzido no caso das pessoas que trabalham em empresas vítimas de boicote econômico). No entanto, embora o Estado de Israel reconheça que há vítimas inocentes em Gaza, isso não o impede de matá-las. Nós não propomos matar ninguém. A ação de boicote é perfeitamente cidadã e não-violenta; entretanto, mesmo uma tal ação pode provocar danos colaterais - vitimaria também os artistas e cientistas bem intencionados.

Este tipo de ação é comparável à objeção de consciência quando do alistamento militar [8] ou às ações de desobediência civil - o Estado de Israel não respeita nenhuma das resoluções da ONU que lhe concernem, e os governantes europeus, longe de contribuir para que tais medidas se cumpram, não fazem senão reforçar suas ligações com Israel -; nós temos o direito, enquanto cidadãos (cuja opinião, embora inaudível, é provavelmente majoritária e o seria certamente se um debate aberto pudesse ocorrer), de dizer NÃO.

O importante nas sanções, particularmente no nível cultural, é precisamente sua função simbólica (e não puramente econômica). Trata-se de dizer a nossos governantes que não aceitaremos sua política de colaboração e, in fine, dizer a Israel que o país é o que escolheu ser, um Estado fora-da-lei internacional.

Um outro argumento frequente contra o boicote assenta-se no fato de que ele é rejeitado por israelenses progressistas e por certo número de palestinos "moderados" (embora seja sustentado pela maioria da sociedade civil palestina). Contudo, mais do que saber o que eles querem, importa saber que política externa nós queremos para nossos próprios países. O conflito árabe-israelense ultrapassa em muito o âmbito local e já tomou proporções mundiais; além disso, levanta a questão fundamental do respeito ao direito internacional. Nós, ocidentais, podemos perfeitamente querer nos integrar ao resto do mundo que rejeita a barbárie israelense, e isso é já uma razão suficiente para encorajar o boicote.


[1] "Remettre dans son contexte le tir de représailles sur Najd (Sderot)" , por Um Khalil, The International Solidarity Movement, 15 de novembro de 2006.
[2] Para uma discussão mais detalhada sobre as verdadeiras razões da ajuda norte-americana a Israel, ver John J. Mearsheimer, Stephen M. Walt, "Le lobby pro-israélien et la politique étrangère américaine", La Découverte, 2007.
[3] Deicida é aquele que matou Deus; os cristãos podem empregar essa palavra como epíteto para judeu. [N. do T.]
[4] Dieudonné M'bala M'bala, humorista francês cujos discursos acerca dos judeus provocaram inúmeras reações, perseguições judiciais e condenações por anti-semitismo. [N. do T.]
[5] "Cessons de tergiverser : il faut boycotter Israël, tout de suite!", por Virginia Tilley; "Aucun État n'a le droit d'exister comme État raciste" , entrevista com Omar Barghouti; Réseau Voltaire, 6 de setembro de 2006 ; 6 de dezembro de 2007.
[6] Para uma boa resposta às principais objeções levantadas contra essa tática, ver Naomi Klein, "Israel : Boycott, Divest, Sanction" (The Nation, 26 de janeiro de 2009).
[7] Pernas. Em inglês no original. [N. do T.]
[8] A expressão objeção de consciência aplica-se à situação em que o indivíduo reclama o direito de não se alistar nas Forças Armadas alegando que o serviço militar fere seus princípios religiosos, morais ou éticos. [N. do T.]


[*] Professor de física teórica na Universidade de Louvaina (Bélgica). Publicou recentemente Impérialisme humanitaire: droits de l'homme, droit d'ingérence, droit du plus fort?
Tradução: Fernanda Correia de Oliveira

O original encontra-se em Voltaire Net
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