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sábado, 16 de maio de 2009

Sob o signo da Justiça: documentário sobre a implementação de cotas na UNB

É imperdível este documentário que conta o processo de implementação de cotas na Universidade de Brasília.


"Sob o Signo da Justiça - A luta pelas cotas na Universidade de Brasília" de Carlos Henrique Romão de Siqueira e Ernesto Ignacio de Carvalho. 20min. Brasília, 2005.

No Brasil é comum dizer que as ações afirmativas nas universidades foram "impostas de cima pra baixo" a partir do Governo Federal ou do Legislativo. Mas a verdade é que elas são uma demanda histórica do movimento negro. Este documentário conta um pouco do processo interno de discussão na UnB que levou à conquista das cotas para estudantes negros, desde a primeira apresentação pública da proposta, em 1999, até a sua aprovação, em 2003. Realizado com prêmio de comunicação da Fundação Palmares. Traz falas de algumas das pessoas que mobilizaram essa luta.

In Memoriam: Jocimar de Oliveira Araújo.


O documentário está dividido em três partes, assista, vale a pena:

PARTE I



PARTE II



PARTE III

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

As lições de preconceitos e péssimo jornalismo da Globo

Replico aqui uma postagem do meu blog pessoal por entender que ela é exemplar sobre a importância da formação leitora para formarmos jovens efetivamente críticos a uma mídia cada dia mais danosa à cidadania. Segue na íntegra:

Dois presos, duas medidas: a discriminação social e racial no jornalismo global nos ensina como os preconceitos se perpetuam e como é cada vez mais necessário a formação de leitores do mundo.
As coberturas nos dois casos são uma aula de péssimo jornalismo e ao mesmo tempo de como se reafirma com uma constância assustadora o racismo em nosso país.

Sabemos que todo camburão tem um pouco de navio negreiro: os pretos pobres do Haiti das favelas e morros das grandes cidades brasileiras seguem neles. Nos carros da PF, que são pickups e não camburões, seguem outros tipos de presos. Com um detalhe que se não fosse sórdido lembraria-nos o Casseta & Planeta e a 'voz de pato'. Mas no caso do jornalismo da Globo é a cara de nuvem.

Reparem nos vídeos expostos pelo Mello: os presos loiros, brancos e de classe média alta com nuvens nos rostos que desfocam a imagem e protegem a identidade dos presos que são literalmente tratados como 'vítimas' pela
Sandra Annenberg , que comovida diz com todas as letras que eles são jovens recrutados!

Do outro lado do asfalto, no morro, vemos só negros, podemos ver seus rostos e tudo mais em foco, nítido e claro. Só ouvimos a voz da polícia, uma única versão, dizendo que a "ordem natural" das coisas voltou ao lugar
.

Aqui em Sampa na Casa Grande & Senzala de Paraisópolis também está tudo nos conformes...


Para assistir as aulas de mau jornalismo e preconceito acesse o blog do Mello, AQUI:

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Relatório das Desigualdades Raciais no Brasil 2007-2008

Professor/a não deixe de copiar, ler e guardar para futuras consultas o Relatório das Desigualdades Raciais no Brasil 2007-2008.

Organizado pelo economista Marcelo Paixão, o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil é um estudo que tem por eixo fundamental o tema das desigualdades raciais e sua mensuração através de indicadores econômicos, sociais e demográficos. Visa sistematizar os avanços e recuos existentes no Brasil em termos da equidade racial em seus diversos aspectos.

O Relatório tem por missão:

* Sistematizar e refletir sobre os avanços e recuos da eqüidade racial e de gênero no país, em seus diversos aspectos;
* Constituir uma referência para estudiosos e militantes do tema;
* Contribuir para a formulação, aplicação e avaliação de políticas públicas, sejam as sociais em geral, sejam as de promoção da eqüidade dos grupos de cor ou raça;
* Servir como meio de divulgação das condições de vida da população brasileira, desagregada pelas desigualdades de cor ou raça e;
* Formular denúncias e alertas, visando reverter situações de sofrimento e privação enfrentadas pelos afro-descendentes brasileiros.
A primeira edição do Relatório é dividida em oito capítulos:

Capítulo 1 – Apresentação

Apresenta, sob a forma de um jogo de perguntas e respostas, os principais objetivos do Relatório, qual a natureza dos dados utilizados e sua relevância para discussão da equidade racial no Brasil.

Capítulo 2 – Evolução Demográfica Recente da População Brasileira segundo a cor ou raça.

Analisa o movimento dos principais indicadores demográficos da população brasileira desagregada pelos contingentes de cor ou raça no interregno 1995-2006.

Capítulo 3 – Perfil da Mortalidade da População Brasileira.

Apresenta um panorama do perfil da mortalidade desagregada pelos grupos de cor ou raça.

Capítulo 4 – Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino.

Evolução dos indicadores educacionais da população brasileira desagregado pelos grupos de cor ou raça dentro do período 1995-2006.

Capítulo 5 – Desigualdades na Dinâmica do Mercado de Trabalho.

Analisa os movimentos recentes da dinâmica do mercado de trabalho brasileiro e seus efeitos sobre as assimetrias de cor ou raça no período de onze anos compreendido entre 1995 e 2006.

Capítulo 6 – Condições Materiais de Vida dos Grupos de Cor ou Raça.

Analisa diversos aspectos da qualidade de vida no plano material. Prioriza a análise quanto ao rendimento domiciliar e as medidas de concentração de renda e indicadores de carência material (pobreza e indigência) assim como o efeito dos programas governamentais de transferência de rendimentos nesses indicadores.

Capítulo 7Acesso ao Poder Institucional, Políticas públicas e Marcos Legais.

Analisa o grau de acessibilidade da população negra aos espaços decisórios de poder, bem como aos demais mecanismos de reforço de suas condições políticas de atuação no espaço público.

São abordados temas tais como: a cor do poder político e institucional no Brasil; comunidades remanescentes de quilombos; orçamento da União em políticas de ação afirmativa e de eqüidade racial; produção de bases de dados contendo a variável cor ou raça; dimensões simbólicas das desigualdades: feriados e bens tombados e resultados dos julgamentos dos casos de racismo no Brasil nos tribunais de segunda instância.

Capítulo 8 – Conclusão Geral do Relatório.
Apresenta um apanhado geral de todo estudo desenvolvido no Relatório, pontuando os indicadores mais relevantes de cada capítulo.
O Relatório, além dos seus oito capítulos temáticos, igualmente contém 83 gráficos, 90 tabelas, 37 boxes, 10 quadros e 13 mapas temáticos, se constituindo em um dos maiores esforços realizados até o momento em nosso país de sistematização e estudo da evolução de indicadores sociais, de diversas fontes, dentro do tema das relações e desigualdades sócio-raciais.

Referencial obrigatório para estudiosos no tema, ativistas do movimento negro e dos movimentos sociais de múltiplas frentes, formuladores de políticas públicas e todos e todas preocupados com assuntos que digam respeito à realidade social da população brasileira e de seus grupos constitutivos.

Você também pode fazer um Relatório das Desigualdades Raciais adequado ao seu estado ou local de residência. A maior parte dos indicadores que fazem parte deste trabalho podem ser acessados no portal do LAESER. Se cadastre no Fichário Eletrônico das Desigualdades Raciais, e busque os indicadores sociais de seu interesse, todos passíveis de desagregação pelos grupos de cor ou raça e sexo. Se inspire para gerar, através de seu próprio olhar, as análises e propostas de políticas referentes à sua realidade mais próxima.

Negros entram antes e saem mais tarde do mercado de trabalho, aponta pesquisa

Resultados da pesquisa "Retrato" serão apresentados amanhã, em Brasília

Publicado em: 08/09/2008 15:53

Foto: Reprodução
Negros entram antes e saem mais tarde do mercado de trabalho, aponta pesquisa
Destaque também: população negra sofre com média de anos de estudo inferior

A SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres), o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e o Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) apresentam amanhã, às 10h30, no auditório do Ipea, em Brasília, os primeiros resultados da terceira edição da pesquisa "Retrato das desigualdades de gênero e raça", que compara microdados das Pnads 1996 e 2006. O estudo é feito desde 2005.

Entre outros destaques, a pesquisa "Retrato" aponta que cresce a proporção de mulheres chefiando famílias formadas por casais com filhos; que a população negra sofre com uma média de anos de estudo inferior à da população branca; que os negros entram antes e saem mais tarde do mercado de trabalho e ainda aposentam com pensões menores; que o trabalho doméstico é persistente e majoritariamente feminino, negro e informal (sem carteira assinada) e que, apesar da melhora da renda média de negros e mulheres, o homem branco - que perdeu renda na última década - ainda ganha mais.

A pesquisa completa estará disponível no site do Ipea logo após a entrevista coletiva de lançamento.

Veja abaixo, alguns destaques da pesquisa.

Chefia de família
· Aumento na proporção de famílias chefiadas por mulheres;
· Crescimento do número de famílias monoparentais masculinas;
· crescimento das famílias formadas por casais com filhos chefiadas por mulheres;

Educação
· os negros e negras estão menos presentes nas escolas, apresentam médias de anos de estudo inferiores e taxas de analfabetismo bastante superiores;

Previdência e assistência social
· a cobertura é maior para homens idosos brancos e menor para mulheres negras
· A grande maioria dos domicílios que recebem benefícios assistenciais é chefiada por negros;

Mercado de trabalho
· Mulheres ocupadas são mais escolarizadas que os homens ocupados
· Negros trabalham mais e nas piores ocupações. Entram mais cedo no mercado e saem mais tarde.
· Meninos negros são as maiores vítimas do trabalho infantil
· Trabalho doméstico remunerado é, ainda, persistente e majoritariamente feminino, negro e informal (sem carteira assinada);

Habitação e saneamento · Domicílios chefiados por negros aqueles que se encontram sempre em piores condições, têm menos água encanada, esgoto e coleta de lixo

Desigualdades de rendimento entre brancos e negros cai no Brasil

Apesar de melhora, brancos ganham 93,3% a mais do que negros no Brasil.

As diferenças entre os rendimentos mensais entre negros e brancos diminuíram na última década, aponta o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, divulgado nesta quarta-feira pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segundo o estudo, em 2006, o rendimento mensal médio dos homens brancos era de R$ 1.164,00, valor 98,5% superior ao rendimento médio mensal de homens pretos e pardos, que estava na casa de R$ 586,26.

Apesar da grande diferença registrada, o número é inferior ao registrado em 1995, quando a diferença salarial média entre homens brancos e negros era de 120,1%.

O relatório também aponta uma diminuição nas desigualdades entre os rendimentos entre mulheres brancas e negras, que caiu de 107,8% para 91,9%.

Quando analisados dados de ambos os sexos, a assimetria entre os rendimentos médios mensais de brancos e negros caiu de 113,9% para 93,3% entre 1995 e 2006.

Mesmo com a diminuição das desigualdades nos rendimentos, segundo o estudo, brancos e negros brasileiros têm diferenças sociais que fazem com que eles vivam como se estivessem em países distintos.

Segundo o estudo, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, criado pela ONU para aferir a qualidade de vida das populações) de pretos e pardos no Brasil é de 0,753, comparável a países como o Irã e o Paraguai, que são considerados pela ONU como países de médio Desenvolvimento Humano.

Já os brancos brasileiros vivem em condições que correspondem a um IDH de 0,838, comparável ao de Cuba, considerado pelas Nações Unidas um país de alto Desenvolvimento Humano.

Atualmente, o Brasil como um todo tem um IDH de 0,800 e é considerado pela ONU um país de alto Desenvolvimento Humano. A escala do IDH vai de 0 a 1, sendo os países com índices mais próximos de 1 aqueles que possuem maior nível de desenvolvimento humano.

Educação

O estudo também aponta que entre 2002 e 2006 houve um aumento no contingente de pessoas que se declaram pretas ou pardas nas universidades brasileiras.

Houve no período um aumento de 31,4% de negros e pardos matriculados em universidades públicas e de 124,5% em instituições privadas.

No mesmo período, o número de brancos em universidades públicas cresceu 17,4% e em faculdades particulares 31,1%.

Apesar da melhora, em 2006, um em cada cinco brancos em idade esperada para ingressar no ensino superior estava matriculada em universidades, enquanto 93,7% dos pretos e pardos na mesma faixa etária estava fora do ensino superior.

A situação é melhor entre crianças entre sete e 14 anos de idade, onde as desigualdades raciais no ensino praticamente terminaram no período entre 1995 e 2006.

Nesta faixa de idade, a cobertura do sistema de ensino passou de 94,6% para 98,8%, no caso de crianças brancas, e de 88,2% para 97,7% no caso de crianças pretas ou pardas.

Tecnologia

Os brancos ainda são o grupo populacional que possui mais acesso a tecnologias como computador, acesso à internet e telefones celulares.

Em 2006, 30,8% dos domicílios cujo chefe de família era branco possuíam computadores, 24,3% tinham acesso à internet e 70,4% tinham telefones celulares.

Nos domicílios referenciados por brancos ou pardos, apenas 12,2% tinha computadores, 8,3% tinham acesso à internet e 55,8% tinham telefones celulares.

Violência

Os negros continuam sendo as maiores vítimas da violência no país e a situação chegou a piorar no período entre 1999 e 2005.

Neste período, o peso relativo de pretos ou pardos na população que morreu assassinada cresceu de 46% para 60,2%.

Entre 1999 e 2005, o número total de homicídios em todo o país passou de cerca de 40,8 mil por ano para cerca de 45,7 mil pessoas. O número de homicídios de pretos ou pardos cresceu cerca de 46,3%, enquanto entre os brancos este número ficou praticamente estável.

População

O relatório indica que no período entre 1995 e 2006, o peso relativo da população branca diminuiu. Em 1995, 55, 4% dos brasileiros se dizia branco, enquanto em 2006, 49,7% dizia ser desta cor.

Já o número dos que se declararam pretos ou pardos passou de 45% da população total para 49,5%.

Segundo a pesquisa, esta diferença se deve em grande parte à mudanças na forma como as pessoas declaram sua cor, além da redução nas assimetrias entre brancos e negros nos índices de fecundidade, mortalidade infantil e esperança de vida ao nascer.

Representatividade

Apesar disso, os negros continuam sub-representados no poder Legislativo federal.

No levantamento realizado pelos pesquisadores, entre os 513 deputados federais eleitos em 2006, havia apenas 11 de raça ou cor preta, sendo 10 homens e uma mulher.

Como pardos foram identificados 35, sendo 33 homens e duas mulheres. Em termos relativos, apenas 2,1% dos deputados eleitos eram pretos e 6,8% pardos. Juntos, os dois grupos representam 9% da Câmara.

No Senado a desigualdade é ainda maior. Em 2007, 76 dos 81 senadores (93,8%) eram brancos, enquanto somente quatro eram pardos e um preto, totalizando apenas 6,2% da casa.

Da BBC Brasil - 15/10/2008 02:07

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

IDH no Brasil aumenta, mas o de negros é apenas médio, diz Paixão

Links correlacionados:
educação para igualdade étnico-racial
fontes para implementação da 10639/03

Consulte também o diretório Biblioteca do Professor; pasta Educação para a Igualdade racial na Biblioteca Virtual da História em Projetos

No volume de 8a série/ 9º ano Unidade 5;
Capítulo 20: "Os jovens brasileiros e sua participação na consolidação da democracia no século XXI", p. 265, discutimos a situação social do país a partir de um mapa da Exclusão social do Brasil de 2004 de acordo com o IDH.

A Afropress noticia em primeira mão (8/12/2007) dados do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2007-2008 que informam que, apesar do IDH Brasil ter aumentado o IDH, da população negra é apenas mediano.




Professor Marcelo Paixão analisando os gráficos do IDH 2007/2008.

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Leia a matéria a seguir reproduzida na íntegra e problematize com seus alunos os novos dados do IDH da população brasileira, discutindo aspectos da desigualdade econômica e desigualdade étnico-racial.

IDH Brasil é alto, mas o de negros é apenas médio, diz Paixão

Rio - Embora o governo tenha comemorado o fato de o Brasil ter entrado para o grupo de países com alto desenvolvimento humano (IDH), a população negra brasileira não saiu da situação de desvantagem histórica. Apesar da melhora em alguns indicadores como, por exemplo, os educacionais, o IDH branco é elevado e o dos negros continua sendo apenas médio.

Em alguns casos, como no rendimento domiciliar per capita, a desvantagem, inclusive, aumentou: passou de 15,7% para 17,8% favoravelmente aos brancos, no período de 10 anos – de 1.995 a 2005.

As conclusões são do professor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e constarão do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2007-2008, a ser divulgado, e foram adiantadas com exclusividade para a Afropress. “Comparando com os indicadores analisados no ano 2000, no qual o hiato em termos de posições era de 60 posições, podemos considerar que ocorreu uma redução de 16 posições, o que é um fato positivo, especialmente por vir se dando dentro de um contexto de debate sobre o tema das ações afirmativas e de políticas de promoção da igualdade racial. Todavia, as distâncias nos respectivos IDHs permanecem pronunciadas”, ressaltou.

O IDH é um ranking do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e é utilizado para medir o nível de desenvolvimento humano dos países a partir de indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula) longevidade (expectativa de vida ao nascer) e renda (PIB per capita). Seus valores variam de 0 (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento humano total). Países com IDH até 0,499 são considerados de desenvolvimento humano baixo; com índices entre 0,500 e 0,799 são considerados de desenvolvimento humano médio; e com índices maiores que 0,800 são considerados de desenvolvimento humano alto.

Pela primeira vez, o Brasil entrou para o grupo de países de "alto desenvolvimento humano", atingindo IDH de 0,800.

Silenciamento
Segundo Paixão, que é economista e coordena o Observatório Afro-Brasileiro, no contexto anterior de silenciamento absoluto sobre o tema, os indicadores das assimetrias raciais brasileiras raramente apresentavam reduções relativas. Entre 1995 e 2005, o IDH dos brancos brasileiros avançou 6,2% (de 0,798 para 0,847) ao passo que dos negros avançou 10,6% (de 0,691 para 0,764).

Assim, em 2005, o IDH branco o situaria na 47ª posição (melhor que o Brasil como um todo em 23 posições), entre a Croácia e a Costa Rica, ao passo que o IDH negro se situaria na 92ª posição, entre a Tunísia e as Ilhas Fidji (pior que o Brasil em 22 posições). “Como se pode constatar, o IDH branco é elevado, ao passo que o negro é apenas médio. Lido por outro ângulo, o IDH dos negros, em 2005, era inferior ao IDH dos brancos dez anos antes”, acrescenta.

O professor da UFRJ explica que aconteceu uma redução das assimetrias (diferenças) em termos de esperança de vida ao nascer cujas diferenças relativas se reduziram de 8,6% favoravelmente aos brancos em, 1.995, para 4,5%, em 2.005. Também em relação aos dados educacionais (analfabetismo e taxa bruta de escolaridade), as distâncias também se reduziram no período. “A taxa de alfabetização dos brancos acima de 15 anos de idade passou de 90%, em 1.995, para 93%, em 2.005. Já entre os negros a taxa de alfabetização de adultos passou de 76%, em 1.995, para 85%, em 2.005. A taxa bruta de escolaridade dos brancos entre 1.995 e 2.005 passou de 78% para 91%, e dos negros, no mesmo período de 68% para 84%.