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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Documentário: A Escola das Américas

Documentário “Escola das Américas”, dirigido por John Smilhula


A partir de entrevistas com diversas autoridades, o cineasta Smilhula revela o funcionamento do centro de treinamento, por onde passaram mais de 62 mil oficiais militares latino-americanos, entre os quais torturadores que violaram direitos humanos em países como Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.

O filme conta a história desse centro de especialização de técnicas de tortura, desde sua criação no Panamá, em 1946, até a transferência, em 1977, para o Fort Benning, na Geórgia, onde recebeu a denominação de Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica.


O documentário traz também comentários de Noam Chomsky, Eduardo Galeano, Michael Parenti e outros, sobre a política externa americana na América do Sul e América Latina, abordando a militarização, globalização, segurança nacional e o chamado terrorismo internacional.

Apresenta depoimentos pessoais de vítimas da violência e da repressão na América Latina e levanta questões e preocupações referentes aos verdadeiros objetivos da política externa americana na América do Sul e Latina.

Co-produzido por Andrés Thomas Conteris que por mais de 25 anos viaja através das Américas do Sul e Central em luta pela proteção de Direitos Humanos na região e contra as estratégias americanas de desestabilização política da região. Em Janeiro de 2005, recebeu o prêmio de Direitos Humanos pelas organizações de Honduras pelo seu trabalho denunciando o envolvimento de oficiais e políticos americanos nos esquadrões da morte em Honduras.

Em 2007, Conteris compareceu a Reunião do Senado americano para protestar contra a confirmação de John Negroponte como vice-Secretário de Estado. John Negroponte era no referido período Vice-Secretário de Estado, o segundo no comando de Condoleezza Rice no Departamento de Estado ds EUA. Seu cargo anterior no governo Bush havia sido o de Diretor de Inteligência Americana.

A participação de Negroponte na América do Sul e Central está diretamente ligada as atividades dos esquadrões do chamado Projeto Condor, responsável pelo assassinato de centenas de participantes de movimentos de esquerda na região. Também ligado a Escola da Américas, onde são treinados paramilitares envolvidos na tortura e assassinato de dissidentes. Recentemente a Escola das Amíricas mudou seu nome para “The Western Hemisphere Institute for Security Cooperation”.

Contribuição de Telma Alencar (Canadá).

Fonte Blog Controvérsias e Tita Ferreira

Leia também no site da Tita: Brasileiros graduados em tortura pela Escola da Américas

sábado, 24 de janeiro de 2009

Um debate de qualidade: Mia Couto responde à Heloisa Pires Lima




Sobre o texto crítico
"E se Obama fosse brasileiro?" que a antropóloga Heloisa Pires Lima escreveu sobre o artigo de Mia Couto, intitulado "E se Obama fosse africano?", Mia treplicou. Eis a resposta do escritor moçambicano:


Querida Heloisa

Muito obrigado pelo artigo (que muito apreciei) e pela atenção de mo fazer chegar às mãos (melhor, aos olhos). Concordo consigo sobre os riscos em que incorre um texto jornalístico como o meu.


Existem várias Africas e eu salvaguardo as excepções. Sou de uma África que, felizmente, mora do lado das excepções. O meu propósito no texto foi atacar o cinismo com que algumas elites lidam com a questão da raça e da africanidade e sugerir que se pense na ideia de identidade e lealdade fundada na cor da pele. O nosso “irmão” Obama passará muito cedo à categoria de “traidor” quando se pronunciar sobre a questão do Zimbabwe, por exemplo. Condolleeza Rice foi chamada de “escrava aos serviço dos brancos” por Mugabe que saudou Obama como “um irmão africano”. A defesa de solidariedade racial é uma das principais armas de que se servem as elites predadoras de Africa assim como a construção de falsas bipolaridades do tipo “Ocidente” versus “Africa” ou “Democracia” versus “regimes autenticamente africanos”. A fobia contra a homossexualidade assume, muitas vezes, proporções inimagináveis. É ainda absolutamente dominante a passividade e complacência para com crimes cometidos para com regimes ditatoriais. Evidentemente, isto não tem nada a ver com um destino marcado ou com a “natureza” particular dos africanos. Esses fenómenos ocorrem nos outros continentes. Muito do que se pensa ser maleita africana é também brasileira, americana, em suma, humana. A diferença é que na Europa e na América as possibilidades sociais e políticas de contrariar esta voracidade são mais fortes e mais antigas. A diferença esta na História e não na genética. Faço parte deste processo de iniciar no meu país o embrião de uma sociedade civil que possa pressionar governos futuros e obrigar as futuras administrações a prestarem contas pelo que fazem. Mas mesmo em Moçambique (caso de excepção em África) esse processo está ainda no princípio. E posso assegurar-lhe que, mesmo em Moçambique, que tem uma história exemplar tudo o que é processo de envolvimento democrático é frágil como uma pluma.


Um abraço amigo

Mia Couto