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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Morre Miriam Makeba- a voz da África-, o mundo ficará mais triste sem sua presença

Aqui, uma apresentação da cantora sul-africana Miriam Makeba quando esteve no Brasil:


ROMA - A cantora sul-africana Miriam Makeba morreu nesta segunda-feira aos 76 anos na localidade de Castel Volturno, sul da Itália, devido a uma parada cardíaca que ocorreu após um concerto contra o racismo e a máfia em que participava a conhecida como a voz da África.

Makeba, que cantou durante mais de meia hora no concerto organizado pelo escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado de morte pela Camorra, se sentiu mal ao fim do espetáculo e teve que ser levada para a clínica Pineta Grande, onde sofreu nesta madrugada uma crise cardíaca.

Ícone da luta contra o apartheid em seu país, Makeba, marginalizada durante mais de três décadas pelo regime racista sul-africano, sempre esteve comprometida com a luta pelos direitos civis e contra o racismo.

A cantora, conhecida também como a mãe da África, soube levar como ninguém ao palco as tradições e os trajes típicos de sua terra.

Nascida em Johannesburgo em 4 de março de 1932, ela passou a infância em Petrória. Makeba começou a cantar na década de cinqüenta com o grupo Manhattan Brothers, depois fundou sua própria banda, The Skylarks, que misturava jazz com música tradicional sul-africana.

Depois de ver que não poderia desenvolver em seu país a carreira musical que ela queria por seu ativismo comprometido, a cantora viajou para Veneza para então conseguir chegar a Londres, onde conheceu Harry Belafonte, que a ajudou a entrar nos Estados Unidos.

Mas a vigilância do FBI (a polícia federal americana) obrigou Miram e seu marido a transferir sua residência para Guinea Conakry, onde morou até seu regresso à África do Sul em 10 de junho de 1990 após a libertação de Nelson Mandela, que tempos depois lhe ofereceu a participar de seu governo.

Aqui, no show de volta à África do Sul depois de 27 anos de ausência,reparem na beleza dos trajes:



Aqui, a mãe da África, interpretando Chove chuva de Jorge Ben Jor:


E aqui no mesmo show de retorno à África do Sul, depois da libertação de Nelson Mandela, Miriam Makeba canta com Paul Simon:

Entre sua discografia se destacam "Pata Pata", "The many voices of Miriam Makeba" (1962), "Miriam Makeba live in Africa" (1967), "The word of Miriam Makeba" (1968), "Miriam Makeba and Harry Belafonte" (1972), "Sangoma" (1988), "Welela" (1989), "Skylarks" (1992) e "Sing me a song" (1994).

(Informações reproduzidas de Belezas negras)

I have a dream Martin Luther King

Prestem atenção: há 40 anos, neste discurso histórico, King usava o termo nigger, expressão que ao menos no período da guerra civil e no pós- abolição da escravatura (no período da Reconstrução) até os dias atuais era bem mal vista pelos afro-americanos. Há várias charges do período da Reconstrução nas quais há a nítida separação entre nigger como termo pejorativo, como sinônimo de escravo, e black people ou color people para identificar os negros livres. Vejam por exemplo, as charges reproduzidas no volume de 7ª série/8º ano, capítulo da guerra civil nos EUA.

1ª parte- Constituição promissória e o cheque sem fundos aos negros


2ª parte: O sonho

domingo, 9 de novembro de 2008

Obama, lições de uma vitória

Se há algo que precisa ser destacado como elemento central na vitória de Barack Obama é justamente o reconhecimento dos movimentos sociais como atores de enorme importância para a revitalização da esfera pública.

Dois equívocos devem ser evitados quando analisamos a chegada de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos: o triunfalismo pueril e o ceticismo fatalista. Se o primeiro ignora os enormes desafios que esperam o próximo ocupante da Casa Branca, caindo em um voluntarismo inconseqüente, o segundo, aquele que prima pelo discurso do “nada muda, o imperialismo estadunidense continuará da mesma forma", renega a prática política como fator de transformação. Ambos desconhecem a práxis como critério de verdade e caem em um perigoso vazio.

Obama não é “um raio num dia de céu azul". A inflexão ética que representa sua eleição não pode ser vista como algo sem importância. Estamos tratando de um processo eleitoral. E uma eleição nunca deixa de revelar novas subjetividades que se expressam como adesão ao universo simbólico do candidato eleito. Desconsiderar esse ponto é o mesmo que renunciar à compreensão de características que definem os mecanismos de poder existentes em quaisquer sociedades.

Sem dúvida, a crise econômica favoreceu a vitória do candidato democrata, mas terá sido ela o fator decisivo? Há oito anos, o historiador Nicolau Sevcenko afirmava que "esses movimentos que a gente viu tomar as ruas de uma maneira teatral, fortemente simbólica, em Seattle, Toronto, Washington e Praga, são a projeção na praça pública desse grande nexo de pessoas de todo o mundo que convergem para uma crítica que pretende recolocar o homem no centro do processo histórico". As palavras de Sevcenko eram uma correta reflexão sobre o lugar da política no contexto da globalização neoliberal.

Há quem atribua ao ex-presidente Lyndon Johnson, quando assinou a lei dos direitos civis em 1964, a origem mais remota da vitória de Obama. Mas cremos ser mais preciso atribuí-la à massa crítica acumulada desde as manifestações de Seatlle.

O real sentido de seu êxito aponta para uma mudança de ênfase, tons e prioridades da sociedade estadunidense. E, dependendo da agenda que adote, o novo governo pode significar a revalorização da democracia, o desmentido da crença de que os agentes de mercado possuíam uma força econômica tão esmagadora que eram capazes de eliminar a ação política.

Se, de um lado, os fundamentalistas do livre mercado estavam convencidos de que a mundialização do capitalismo era o experimento mais bem-sucedido da humanidade, a ponto de tornar obsoleta a dimensão política, de outro, o discurso da esquerda não conseguia ultrapassar o nível da denúncia contra os estragos provocados nas economias e culturas nacionais. Ou seja, não lograva articular uma narrativa que demonstrasse, com eficácia, que as tendências globalizantes, supostamente criadoras de uma “sociedade mundial", controlada pelo mercado e impermeável a intervenções políticas nacionais, nada mais eram que uma quimera ideológica.

De fato, se há algo que precisa ser destacado como elemento central na vitória de Barack Obama é justamente o reconhecimento dos movimentos sociais como atores de enorme importância para a revitalização da esfera pública. É necessário apreendê-los como formas de organização que reconhecem novos direitos. As lágrimas do pastor Jesse Jackson não evocam apenas o passado, mas, sinuosamente, escorrem para o futuro.

A mesma crise econômica que limita a margem de manobra de Obama, dialeticamente, abre espaço para a imaginação criadora. Há os desafios impostos pelo endividamento das famílias norte-americanas, pelo aumento do desemprego, da desigualdade, e pela pilhagem do meio-ambiente sob o comando das corporações.

A ofensiva internacional de Bush II, formulada antes mesmo da chegada dos republicanos ao poder, precisa ser interrompida o mais rápido possível. A sociedade americana já se deu conta de que o "imperialismo democrático" das lideranças neoconservadoras não é sequer factível. A política externa de George W. Bush foi um desastre sem tamanho. É hora de elaborar nova agenda que contemple um multilateralismo efetivo. Os termos do novo cenário estão contidos em “Nossa Carta a Obama", publicada em Carta Maior.

O presidente que começou vencendo a máquina de seu próprio partido tem que estar ciente que o tempo corre contra ele. A direita já está se articulando com vistas às eleições parlamentares de 2010. E, paradoxalmente, aposta na crise que a apeou do poder. Nesse caso, mantém uma estreita sincronia com sua congênere brasileira. Sem falar da sintonia ética.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Obama por Obama: Yes, we can!

"Olá, Chicago! Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.

É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.

É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.

Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e Estados azuis.

Somos, e sempre seremos, os EUA da América. É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.

Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA. Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.

O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.

Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.

Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.

E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.

Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.

Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.

A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos EUA da América.

A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho. À melhor equipe de campanha formada na história da política.

Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir. Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.

Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.

Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.

Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.

Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.

Esta é a vitória de vocês. Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.

Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.

Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.

Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.

Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.

O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.

Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos. Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.

Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.

O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.

Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.

Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.

Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.

Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.

Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.

Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.

Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.

E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.

E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.

A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.

E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.

Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.

Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.

Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.

Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.

Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.

Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.

Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.

Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.

Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.

O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação. E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar. Podemos.

EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer.

Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?

Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.

Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.

E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.

Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os EUA".

Barack Obama, em 04/11/2008 no Grant Park de Chicago (Illinois) por volta das 23h locais (3h, horário de Brasília) Tradução Terra Magazine

A vitória de Obama por PHA e Rodrigo Vianna



Yes, we can !

05/11/2008 08:48

CARO LEITOR, VOCÊ VIVEU A UM DIA HISTÓRICO. AS PESQUISAS ERRARAM: OBAMA GANHOU DE GOLEADA.

SIM, NÓS PODEMOS ! YES, WE CAN !

Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 2074

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

. A vitória de Obama é espantosa.

. A vitória de Obama é espantosa. . Foi preciso o neoliberalismo de Ronald Reagan-Margaret Thatcher-Pinochet-Fernando Henrique Cardoso ser enterrado na mesma vala em que se depositou o Muro de Berlim.

. Foi preciso que os Estados Unidos perdessem duas guerras – a do Iraque e a do Afeganistão.

. Foi preciso haver um presidente Bush, o mais impopular dos presidentes americanos, que explorou o medo como expediente eleitoral e construiu a coalizão mais reacionária da recente historia política americana.

. Foi preciso fazer a mais profunda intervenção estatal na economia americana para salvar Wall Street.

. Só assim, numa situação-limite, à beira do precipício, a sociedade americana foi capaz de eleger um negro, de esquerda, Presidente dos Estados Unidos.

. De forma esmagadora.

. Obama ganhou nos Estados Unidos inteiro: ele não é apenas um presidente da costa Leste (Nova York) e da costa Oeste (Califórnia).

. Ele É um presidente de todos os americanos.

. Em Nova York, onde foi a festa?

. No Harlem!

. A mensagem de inclusão política e social de Obama derrotou os Republicanos, e também o Establishment democrata, controlado pelo casal Clinton.

. Obama tem dois modelos à frente dele: Franklin Roosevelt e Jimmy Carter.

. Roosevelt assumiu em 1932, com a economia americana em frangalhos e se tornou um dos maiores presidentes americanos.

. Jimmy Carter sucedeu Richard Nixon, 1000 vezes mais inteligente que George Bush, e, mesmo assim, deposto depois do escândalo de Watergate.

. Carter assumiu como se fosse a vassoura que ia limpar Washington.

. Fez um governo medíocre e se tornou melhor ex-presidente do que Presidente, o que o Fernando Henrique Cardoso nem isso conseguiu ser: melhor fora do que dentro.

. Obama vai mostrar logo cedo se é Roosevelt ou Carter.

. Ao assumir no ponto mais profundo da Crise de 29, Roosevelt fechou os bancos por três dias – para ver quem comprava quem – e lançou um agressivo programa de intervenção estatal na economia, uma espécie de PAC + Bolsa Família, multiplicado por 100 – os “Cem Dias”

. Neste momento em que escrevo, 1H30 da manha, Obama vai ter maioria no Senado.

. Não será como o Presidente Lula, que não tem maioria no Senado, é repudiado pelo PiG, e tem que cortejar esse conjunto de mercadores reunidos no PMDB

. Obama tem o PiG ao lado dele (por enquanto ...).

. Pode, portanto, governar, imprimir a marca na Historia.

. Se tem maioria no Senado, pode mudar a inclinação do Supremo Tribunal Federal.

. Os brasileiros começam a se dar conta de que uma das – se não A mais importante – funções do Presidente da Republica é compor o Supremo.

. Num Supremo que, no momento, é presidido pelo Supremo Presidente, o empresário Gilmar Mendes, que, na verdade, reproduz no Supremo as crenças e os interesses econômicos (leia-se Daniel Dantas) de seus patronos – Fernando Henrique Cardoso e Nelson Jobim -, nesse Supremo, o Presidente Lula, por exemplo, teve a chance histórica de escolher 6 ministros em onze e construiu um dos Supremos mais conservadores da Historia da República.

. É bom lembrar que Carlos Alberto Direito não foi para o Supremo por decisão de Garrastazu Médici e seu Ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, mas por Lula e Jobim.

. Obama vai poder refazer a construção conservadora de Bush no Supremo americano.

. No Brasil, só nos resta rezar ...

. Uma palavra final sobre as pesquisas de opinião pública.

. As pesquisas do IBOPE e do Datafolha e a forma como o PiG as analisa são um dos instrumentos do PiG para manipular a opinião publica.

. O simples fato de só haver duas instituições de pesquisa de opinião pública eleitoral - nos Estados Unidos houve mais de 700 !!! nessa campanha - já é uma demonstração da parcialidade do processo – do partido a que as pesquisas servem.

. SÓ, SÓ, SÓ no Brasil se leva pesquisa tão a sério.

. Como SÓ, SÓ, SÓ no Brasil se dá tanta importância à corrida de Fórmula 1 !!!

. É a mesma coisa: como manipular a opinião pública para tomar uma grana.

. As pesquisas e o PiG beneficiam o candidato conservador.

. A F-1 dá uma grana à Globo.

. As pesquisas de opinião pública erraram nos Estados Unidos: não previram a vitória de goleada do Obama.

. Especialmente a vitória ampla e indiscutível, tão cedo, no Colégio Eleitoral.

. Como no primeiro turno de São Paulo: o IBOPE e o Datafolha disseram que a Marta ia ganhar e não ganhou.

. As pesquisas são o que são: um flagrante.

. Duas horas da manhã: OBAMA É O NOVO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS !!!

. Eu Vi!

. Ninguém imaginou que a essa hora, duas horas da manha em Brasília, um negro pudesse ser considerado presidente dos Estados Unidos, tão cedo.

. Eu gostaria de estar no Grant Park, em Chicago, à beiro do lago Michigan onde já corri como pseudo maratonista.

. E re-encontrar Jesse Jackson, em prantos, ele que foi um dos pioneiros dessa batalha dos negros americanos, na geração pós-Martin Luther King Jr.

. E estar ali na multidão e dizer: EU VI!

. Ou entoar aquele canto de inspiração bíblica: Yes! We can!

. Obama não será um Lula.

. Obama não vai se eleger pela esquerda e governar pela direita.

. A proposta de Obama é outra: ele é presidente de TODOS os americanos!

. Hoje, no mundo inteiro, todos votaram em Obama!

. Yes, we can!

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A "FOLHA" ESQUECEU DO OBAMA; VITÓRIA DELE NÃO MUDA O MUNDO!

Rodrigo Vianna do Escrevinhador

quarta-feira, 05 de novembro de 2008 às 22:18

Meu primeiro espanto hoje foi com a "Folha de S. Paulo". Como faço todas as manhãs, caminhei até a garagem de casa e tirei do saco plástico o jornal deixado por ali no final da madrugada.
A vitória de Obama não estava na manchete! A "Folha" esqueceu de atualizar a edição desta quarta-feira?

A edição que segue para Tocantins, Amapá, Minas e até para o Rio não podia trazer a manchete com a vitória, porque é fechada cedo demais, por volta de 21 horas do dia anterior. Mas, eu moro em São Paulo, na zona sul da cidade, a menos de 20 km da redação da "Folha". E a edição que chegou à minha casa não trazia a vitória do Obama na capa. Meu vizinho assina o "Estadão". Fui espiar: ali, a vitória de Obama estava na manchete.

A "Folha" resolveu dormir mais cedo na terça? Será que o exemplar que chegou na casa do Serra também estava desatualizado? Isso vai dar demissão lá na Barão de Limeira...

Mas, meu segundo espanto hoje foi com a comoção geral. Juro que me senti um extra-terrestre. Em casa, na rua, na padaria e no trabalho só se falava de Obama. Com um olhar consternado, uma pessoa muito próxima chegou a me dizer: "eu queria estar em Chicago, ouvir Obama, participar da festa da vitória."
Festa de quem, cara-pálida?

Sinceramente, senti emoção mesmo quando Lula venceu em 2002. Aquilo me tocou, aquilo dizia respeito a mim.
Quanto a Obama, bem... Posso dizer que senti mais emoção com a volta do Corinthians à Série A do que com a vitória dele.
Sou um chato? Um mal-humorado?
Um nacionalista idiota? Talvez...

Deixemos a emoção de lado. E façamos, então, a leitura política dos fatos: a vitória de Obama significa uma virada de página, a derrota definitiva do conservadorismo, do projeto imperial americano, certo?
Não! Claro que não.
Obama derrotou o conservadorismo nas urnas, numericamente. Isso é fato (menos na capa da "Folha").
Mas, a vitória dele não significa que ingressamos numa nova fase.

Não dá pra comparar com a vitória do Exército Vermelho sobre Hitler, por exemplo.
Ou com a sova dos vietnamitas sobre as tropas imperialistas dos Estados Unidos. Muito menos com a queda do Muro de Berlim.

A vitória de Obama é uma vitória parcial. Muito parcial.
Uma vitória liberal. Como a de Carter nos anos 70. A de Clinton nos anos 90.
A diferença é o aspecto simbólico: agora é um negro governando um país racista.
Mas, por baixo do símbolo, há uma virada de página?
Sinceramente, acho que não!

Digo isso baseado nos números.
Vocês deram uma olhada no mapa da votação?
Ok, Obama ganhou na Flórida, no Novo México, no Colorado - territórios republicanos.

Mas, vocês viram qual foi a diferença na Flórida? Menos de 200 mil votos!
E a diferença nacional? Menos de dez milhões de votos!
Eu não li nada disso na capa da "Folha". Mas é fato!

Bush - como se sabe - quebrou os Estados Unidos, horrorizou o mundo, criou a terrível base de Guantánamo, passou por cima da ONU, e é o presidente estadounidense mais desprezado no Mundo nos últimos 50 anos.
McCain, candidato republicano, deveria ter levado uma surra homérica. Deveria ter sido caçado pelo eleitor, feito uma ratazana prenhe - como diria Nelson Rodrigues. No entanto, perdeu por pouco no voto popular.

No Colégio Eleitoral, a vitória de Obama foi esmagadora, isso é fato (menos na capa da "Folha").
Mas, no voto popular, não!
Isso significa o que? Que o conservadorismo republicano está mais vivo que nunca.
Vai se reagrupar.
A direita religiosa, os intervencionistas, os imperialistas, os racistas, a horda de bárbaros que levou Bush ao poder segue firme.
Despreza o que o mundo possa pensar, desconfia dos negros, dos latinos, e vai partir pra cima de Obama assim que se passarem os cem dias tradicionais de trégua no início de governo.

Mas, isso não é o mais grave. Isso é problema deles!

O que interessa a nós é que a máquina de guerra dos Estados Unidos não vai desaparecer.
O Imperialismo assumirá novas faces. Vem aí, de volta, o "soft power".
Clinton visitou o morro da Mangueira, vocês lembram? Obama também deve passar por lá nos próximos anos. Pode dar um pulo até o Haiti, um giro pela África, bater um papo com o Fidel...

Não acredito que a vitória de Obama abra uma nova fase na história mundial.

O Capitalismo não muda porque um negro chegou à presidência dos EUA.
O Capitalismo segue em crise. Os "red necks", que formam a base republicana na América profunda e que votaram de forma esmagadora em McCain, vão perder seus empregos com a crise que seguirá imensa. Mas, não botarão a culpa no legado de Bush. Vão pra cima de Obama, cobrando que ele "Salve a América".

Obama não poderá salvar os Estados Unidos de seus próprios erros...

Ele é apenas um liberal que venceu porque o adversário conservador quebrou o país.
Mas, venceu mesmo? Estou com a "Folha" aqui na mão, e não consigo saber...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Tchau Bush! Bem-vindo presidente OBAMA!

Pensei em muitas coisas pra escrever hoje, mas sequer tive tempo para redigir a crônica prometida da entrega do Jabuti. Entretanto não há como deixar passar em branco a eleição do 44º presidente dos Estados Unidos. Sem sombra de dúvidas o dia 04 de novembro tornar-se-a, ao menos para o mundo, um dia mais especial que o 4 de julho.

Em todo o globo as pessoas celebraram a vitória do primeiro candidato negro que alçou a Casa Branca com uma expressiva margem de vantagem sobre seu concorrente republicano.

Obama não é apenas o primeiro presidente negro dos EUA, é o primeiro estadista contemporâneo com uma visão para além dos EUA. Uma visão que recupera uma tradição de brancos e negros de fins do XVIII e início do XIX que circulavam ao menos entre Europa e África: William Edward Burghardt Du Bois, Thomas Paine. Ser filho de um queniano, com mãe branca estadunidense, ter vivido no Havaí, criado por padrasto indonésio que lhe deu uma irmã asiática possibilitou a este jovem político uma formação multicultural bem diferente da de um estadunidense médio como o era o ex-presidente Bush e seus similares. Obama aprendeu em seu cotidiano, desde o berço, que o mundo é feito de imensas diferenças socioculturais e pode ser interessante nesta diversidade.

Possivelmente sem a crise as chances de Obama teriam sido bem menores, talvez, agora estivéssemos assistindo a subida à presidência da primeira mulher a governar os Estados Unidos.

Porém, a mesma crise que auxiliou Obama a vencer na chapa dos democratas e a arrasar McCain nas urnas será o maior desafio do jovem presidente
. As expectativas do mundo em relação ao democrata liberal que defendeu em sua campanha a mudança e a esperança são gigantescas. Obama não pode falhar, embora seja apenas um homem que terá de lidar com a lógica perversa das corporações.
Moradores do Castro, em São Francisco, comemoram vitória do democrata Barack Obama.

Se ao menos seu país abandonar a lógica da dominação, da espoliação, da ocupação do terrorismo institucionalizado da era Bush, para o restante do mundo já será um imenso avanço.

Boa sorte presidente Obama, daqui do Brasil, uma pátria negra que assim não se enxerga, mando-lhe todas as energias dos orixás para iluminá-lo em seu mandato.

Com os votos de que em seu governo os Estados Unidos iniciem uma nova história privilegiando o verdadeiro respeito entre as etnias, a verdadeira cidadania planetária e que a sua vitória simbolize de fato uma mudança expressiva e positiva do século XXI.

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Selecionei, para nossa reflexão, parte desta expectativa, traduzida em uma celebrada esperança em algumas imagens flagradas pela AP. Selecionei também dois vídeos (um de Obama e outro de McCain após o resultado das urnas), assim como a celebração/mobilização da Avaaz.


O abraço da vitória: Obama e sua mulher Michelle.


Boston: O que mais me chamou a atenção ontem vendo as celebrações em Chicago foram a quantidade de pessoas brancas vibrando genuinamente com a vitória de seu candidato negro. Quando no Brasil teremos algo semelhante? Na foto, em Boston, mulheres vibram e aplaudem o anúncio da vitória do democrata Barack Obama.

Christine King Farris, irmã do líder Martin Luther King, e sua neta choram emocionadas após projeções apontarem vitória do democrata Barack Obama.

A bio política na era pós-racial? O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, comemora vitória em Chicago com sua mulher, Michelle, o vice-presidente Joe Biden e sua esposa Jill.


Quênia: na terra do pai de Barack Obama, queniano comemora vitória do presidente eleito dos EUA. Em toda a África, a população comemorou a vitória do primeiro negro a ocupar a Casa Branca.


Japão: A eleição de Barack Obama foi amplamente comemorada pelos japoneses que acompanharam a apuração pelos telões.

Membros da comunidade negra iraquiana dançam em Basra para celebrar vitória de Barack Obama nos EUA.


Havaí: Andy Winer, diretor da campanha de Barack OBama, vibra durante festa pela vitória do democrata em Honolulu.

Na Índia: escultura na areia de praia em Puri parabeniza vitória do democrata Barack Obama.

Rússia: Em São Petersburgo, na Rússia, simpatizantes celebram vitória de Barack Obama na corrida pela Casa Branca.

Califórnia: Moradores de Oakland, dançam no meio da rua comemorando a vitória de Obama na corrida pela Casa Branca.

Holanda: Slogan de campanha do democrata Barack Obama pintada na vitrine de uma livraria em Amsterdã, na Holanda.

China: Jovem chinesa aplaude vitória de Barack Obama durante festa organizada pela Embaixada dos EUA em Pequim.

Mensagem da Avaaz para Obama:

Prezado Presidente Obama
:

Nós cidadãos do mundo todo gostaríamos de parabenizá-lo pela vitória e celebrar os seguintes compromissos de campanha: um novo tratado global forte para lidar com as mudanças climáticas, o fechamento do presídio de Guantanamo e o fim da tortura, a retirada das tropas do Iraque e a duplicação da assistência de combate à pobreza. Nenhum líder ou país pode vencer estes desafios sozinho, mas trabalhando juntos dentro de um espírito de diálogo e cooperação, nós podemos sim gerar mudanças reais e duradouras.


Se quiser participar da campanha, clique aqui





terça-feira, 4 de novembro de 2008

O CAPITALISMO COMUNITÁRIO E A REPRESSÃO INTELECTUAL

(Luiz Carlos Azenha em seu site)


Estamos ingressando em uma nova fase da economia mundial. Um novo mundo. Você é testemunha. Qual é o nexo entre a fusão dos bancos Itaú e Unibanco, a crise econômica e o governo Lula?

A queda do muro de Berlim pôs fim à hegemonia soviética em um terço do planeta. A queda do muro de Wall Street pôs fim simbólico ao domínio unilateral dos Estados Unidos sobre o mundo.

Porém, a marcha para um super-capitalismo vem ininterrupta desde a ascensão de Ronald Reagan e Margaret Tatcher. O capitalismo dos monopólios e oligopólios que acumulam capital sob proteção estatal e com uma progressiva "flexibilização" dos direitos relativos ao trabalho. É óbvio que o governo Lula não é igual ao governo FHC. Mas a tendência central da precarização do mundo do trabalho segue adiante. Ela se deu nos países ricos e continua firme e forte nos países pobres.

O "socialismo do século 21", de Hugo Chávez; o capitalismo comunitário, na versão de inspiração jesuíta do bispo Fernando Lugo, no Paraguai; o "comunitarianismo" de Barack Obama apontam na mesma direção: o estado terá um papel importante para resolver as demandas entre o capital e o trabalho.

Em crise, haverá mais gente disputando menos recursos. A luta política se agudizará em todo o planeta. A criminalização dos movimentos sociais vai se aprofundar. O Jornalismo como atividade fim está em vias de extinção. Em países como o Brasil isso já está demonstrado: a mídia corporativa se tornou, acima de tudo, instrumento de luta política e comercial.

À repressão física, pura e simples, se juntará a "repressão intelectual". Os assassinatos de caráter são um exemplo extremado do modelo que veremos mais e mais. A condenação ao "ostracismo intelectual" será a pena mais grave imposta a gente que pensa. "Rotular e excluir" será o procedimento operacional padrão.

Usando como instrumento principal a internet, o You Tube e os vídeos capturados através de telefones celulares, os novos ativistas sociais deverão se organizar de forma não hierárquica e não centralizada em torno de plataformas políticas suficientemente amplas para atrair gente de todas as idades e origens ideológicas. Em defesa da liberdade de informação, de pensamento, de organização, de manifestação, contra o controle estatal da informação e pelo aprofundamento da democracia. A briga vai ser boa.

internet, democracia e eleições- Obama o candidato pós-rede

QUEM GANHOU? A INTERNET, DE GOLEADA

(Luiz Carlos Azenha em seu site)

Muitos de vocês, caros leitores, não acreditam quando eu escrevo alguma coisa sobre os Estados Unidos. Normal. Aceitável. Vocês precisam de confirmação externa para cair na real e dizer: pois é, o Viomundo acertou.

Escrevi um texto dizendo que uma vitória de Barack Obama representa a passagem do bastão de uma geração para a seguinte na política dos Estados Unidos. Você imagina o José Serra vendo um vídeo no You Tube? Imagina o Lula lendo os comentários em um blog? É lógico que se ambos não entendem nada de internet, nem de tecnologia, jamais vão tirar proveito real das novas mídias.

Enquanto isso, o mundo mudou. Você, que me lê, não perde a viagem. Se está aqui é por um motivo muito simples: é uma pessoa do seu tempo. Pois, para confirmar o que escrevi, lá vai a tradução de um texto publicado hoje pelo New York Times, na versão digital, já que não leio mais jornal de papel, não ouço rádio, nem assisto televisão:

"Penso que analisaremos esta eleição como uma disputa transformadora", disse Mark McKinnon, um assessor das campanhas do presidente Bush em 2000 e 2004. "O ano em que as campanhas usaram a internet como nunca se imaginou. O ano em que adotamos a velocidade da luz. O ano em que o paradigma foi virado de cabeça para baixo, que a política foi de baixo para cima em vez de cima para baixo".

De uma forma considerável, dizem republicanos e democratas, isso é resultado de como a campanha de Obama buscou entender e tirar proveito da internet (e outras formas da assim chamada nova mídia) para organizar militantes e atingir eleitores que não se informam primariamente através de jornais e da televisão. As plataformas incluem o You Tube, que não existia em 2004, e as mensagens de texto nos celulares que a campanha disparou na segunda-feira lembrando os eleitores de que deveriam comparecer para votar.

"Fizemos algumas coisas inovadoras, inclusive na internet", disse Sara Taylor, que foi diretora política da Casa Branca durante a campanha de reeleição de Bush. "Mas apenas 40% do país tinham internet banda larga então. Agora você tem gente que não tem mais telefone fixo em casa. E Obama fez um ótimo trabalho através da nova mídia".

"Não sei quanto a você, mas eu vejo um anúncio do Obama na internet todo dia. Fiz isso nos últimos seis meses".

Mais crucial ainda para demonstrar como a campanha deste ano transformou a política foi o uso que Obama fez da internet para construir uma grande rede de arrecadação financeira que permitiu a ele acumular dinheiro -- depois de rejeitar o financiamento público da campanha -- para expandir o mapa eleitoral e competir mesmo em estados republicanos tradicionais.

domingo, 2 de novembro de 2008

Cerimônia do Prêmio jabuti: "É nóis na fita mano :)"

É pra vocês professores, que acreditam e dão vida ao nosso trabalho, muito obrigada!


Bem, aqui estão as fotos, prometo, com mais tempo, narrar minhas impressões da festa. Adianto que a grande decepção como sempre foi com os jornalistas. Um jornalista amigo meu anda assustado com o nível dos quadros formados pelos jovens jornalistas: deslumbrados, sem noção do poder que têm e por isso mesmo sem qualquer responsabilidade com o jornalismo social. Eu acrescentaria na lista: mal informados e mal-educados.

Não havia presenciado as grosserias desses indivíduos armados de câmera e microfones na minha primeira premiação, mas desta vez a organização do Prêmio nos posicionou ao lado dos jornalistas e aí pude assistir de camarote várias atitudes que seriam bastante aconselháveis não repeti-las.

Bem, vamos às fotos, clique nelas para ampliá-las:
Carla Miucci e Conceição Oliveira com nossos jabutis :) Como eu profetizei em 2005, no próximo Jabuti estaríamos recebendo juntas o prêmio


Minha family, fiquei muito feliz com a presença de meu pai Carlos Caetano de Oliveira, minha mãe, Terezinha de Jesus Carneiro Oliveira, meu irmão Carlos Caetano Filho e minha irmã Néia. Luiz diz que vem no próximo, familia é assim, sempre aposta na gente :)

Senhor Paschoal e dona Marilena, pais da Carla

O curador do prêmio Jabuti, José Luiz Goldfarb e eu (ao fundo e à esquerda a presidenta da Câmara Brasileira do Livro Rosely Boschini). Goldfarb está na curadoria do prêmio há 18 anos, já é patrimônio do Jabuti, uma simpatia de pessoa.

D. Terezinha Oliveira, mãe da autora Conceição Oliveira, Carla Miucci e seu esposo Jayme de Barros.
Márcia Bueno, minha amiga desde a época do Ensino Médio, obrigada pela presença

Gê, Francine (sogra da Carla), Dona Marilena, e as tias Maria e Clélia

Minha family e amigos: papai, Marina, minha filha, Walter, meu irmão Carlos, Lúcia, Márcia, Bete e seu filho Henrique.

Carla e seu marido Jayme de Barros, orgulhoso do feito da amada.
As autora e os amigos: Carla, Denise Carneiro, eu, Marina, meu irmão Carlos e o historiador Leandro Almeida. Leandro, o próximo estaremos os três recebendo, o que achas?

Carla, professora Claudine, eu e minha irmã Néia, ao fundo o presidente do STF que deu carteirada na hora da entrada...
Agora sem a 'carteirada e com a beleza da Mamá :)

À pequena (que teve a mãe 'roubada' durante a produção da Paratodos e da História em Projetos) este prêmio é dedicado e também aos professores que acreditam no nosso trabalho.

Márcia Bueno, minha amiga de longuíssima data

Martins, esposo da Márcia, papai Carlos, eu, Mamá e Márcia.
Rafael, Carla, seu irmão Marcelo e Marcos


Representando a editora Ática, nossa editora Márcia Takeuchi, as autoras Carla Miucci e Conceição Oliveira recebendo o troféu Jabuti das mãos do secretário da Cultura da prefeitura de São Paulo, professor Carlos Augusto Calil.

A foto cerimonial, professor Calil, representando a SMC, o representante do governo do Estado, eu, Carla, Márcia Takeuchi, a presidente da CBL e o curador do Prêmio Jabuti. Para nossa sorte Kassab e Serra não são afeitos a livros e cerimônias relacionadas à sua produção :)

UM PAPEL PARA OS HUMANISTAS


Extraído do Site VI O MUNDO

Num mundo socialmente construído, somos nós que construímos o mundo.

Immanuel Wallerstein

Defendi no meu recente livro, The End of The World As We Know It: Social Science for the Twenty-first Century, que o sistema-mundo moderno está se aproximando do seu fim e entrando em uma era de transição para algum sistema histórico novo cujos contornos não conhecemos, nem podemos conhecer antecipadamente, mas cuja estrutura podemos ajudar ativamente a moldar.

[...]

Sobre os motivos subjacentes à ruptura:

A primeira decorre da desruralização do mundo, que está muito avançada e que provavelmente estará completa, em grande medida, nos próximos 25 anos. É um processo que aumenta inexoravelmente o custo do trabalho como percentagem do valor total criado. A segunda é a consequência a longo prazo da externalização de custos, que levou a um esgotamente ecológico. Isto está fazendo subir o custo dos materiais como percentagem do valor total criado. E a terceira é a consequência da democratização do mundo, que levou a exigências de despesas públicas cada vez maiores com educação, cuidados de saúde e garantias de renda vitalícia. Isto agrava os custos da tributação como percentagem do valor total criado. A longo prazo, a combinação desses três fatores deprime estruturalmente os lucros da produção e torna o sistema capitalista desvantajoso para os capitalistas.

[...]

Esta é uma questão moral: qual é a sociedade boa? Mas é também uma questão intelectual: que tipo de sociedade é possível construir? Possível? Levando em conta o quê? Uma suposta psicologia humana? Um certo nivel de tecnologia? Todas as grandes questões das ciências sociais nos últimos dois séculos têm por trás essa questão moral: o que é sociedade boa? Não estamos mais perto do consenso do que estávamos em 1989, 1968, 1914-1918, 1848 ou 1789 - para mencionar apenas alguns dos grandes momentos de divisão no sistema-mundo moderno.

[...]

O fascismo era e é, como ideologia, a rejeição das reivindicações intelectuais e morais em nome dos direitos da força. "Sempre que ouço a palavra cultura puxo o revólver", diziam os líderes nazistas. Ainda há quem tenha revólveres e aja desta maneira. As escolhas históricas não são piqueniques no campo.

[...]

Aqueles que desejam manter hierarquia e privilégios no futuro sistema social histórico que iremos criar têm duas grandes vantagens sobre o resto de nós. Primeiro, têm ao seu dispor uma enorme riqueza, o poder existente e a capacidade de comprar a competência de que necessitam. São inteligentes e sofisticados. E conseguem organizar-se de forma mais ou menos centralizada. Os que preferem que o futuro sistema social histórico que iremos criar seja um sistema relativamente democrático e relativamente igualitário estão em desvantagem em ambos os aspectos. Têm menos riqueza e poder. E não podem comandar estruturas centralizadas. Em consequência, sua única hipótese é transformar uma limitação em uma vantagem. Têm de se apoiar na sua diversidade. [...] Não podemos fugir à necessidade de criar uma família mundial de movimentos anti-sistêmicos que não pode ter uma estrutura hierárquica, ou, de qualquer maneira, deve ter uma estrutura apenas muito reduzida. [...]

O resultado da luta é muito incerto. Mas, em eras de transição, ninguém pode dar-se ao luxo de ficar de fora.

Immanuel Wallerstein, O Declínio do Poder Americano, editora Contraponto.