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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Galeano e a reflexão sobre publicidade

Na sexta passada Carta Maior publicou um texto de Eduardo Galeano falando sobre publicidade. Domingo, aqui no blog da HP, o tema foi consumismo exagerado e a linguagem publicitária neste processo, vejam aqui: Surplus

Acho que o texto de Eduardo Galeano complementa as questões propostas no documentário Surplus, avaliem:

Eduardo Galeano: a palavra e a publicidade

Se você busca a verdade, beba a cerveja Heineken. Quer autenticidade? Fume cigarros Winston. Busca a rebeldia? Compre uma máquina Canon. Está inconformado com a situação do mundo? Coma um hambúrguer da Burger King. Deseja afirmar sua personalidade? Use um cartão Visa. Quer defender o meio ambiente? Espelhe-se no exemplo da Shell. Hoje em dia, a publicidade tem a seu cargo o dicionário da linguagem universal. Se ela, a publicidade, fosse Pinóquio, seu nariz daria várias voltas ao mundo. O texto é de Eduardo Galeano.

Hoje em dia, a publicidade tem a seu cargo o dicionário da linguagem universal. Se ela, a publicidade, fosse Pinóquio, seu nariz daria várias voltas ao mundo.

“Busque a verdade”: a verdade está na cerveja Heineken.

“Você deve apreciar a autenticidade em todas suas formas”: a autenticidade fumega nos cigarros Winston.

Os tênis Converse são solidários e a nova câmara fotográfica da Canon se chama Rebelde: “Para que você mostre do que é capaz”.

No novo universo da computação, a empresa Oracle proclama a revolução: “A revolução está em nosso destino”. A Microsoft convida ao heroísmo: “Podemos ser heróis”. A Apple propõe a liberdade: “Pense diferente”.

Comendo hambúrgueres Burger King, você pode manifestar seu inconformismo: “Às vezes é preciso rasgar as regras”.

Contra a inibição, Kodak, que “fotografa sem limites”.

A resposta está nos cartões de crédito Diner's: “A resposta correta em qualquer idioma”. Os cartões Visa afirmam a personalidade: “Eu posso”.

Os automóveis Rover permitem que “você expresse sua potência”, e a empresa Ford gostaria que “a vida estivesse tão bem feita” quanto seu último modelo.

Não há melhor amiga da natureza do que a empresa petrolífera Shell: “Nossa prioridade é a proteção do meio ambiente”.

Os perfumes Givenchy dão eternidade; os perfumes dão eternidade; os perfumes Dior, evasão; os lenços Hermès, sonhos e lendas.

Que não sabe que a chispa da vida se acende para quem bebe Coca-Cola?

Se você quer saber, fotocópias Xerox, “para compartilhar o conhecimento”.

Contra a dúvida, os desodorantes Gillette: “Para você se sentir seguro de si mesmo”.

domingo, 12 de julho de 2009

Documentário SURPLUS, terrorismo de consumo

Destaco um trecho do documentário Surplus, terrorismo de consumo, 2003, dirigido por Erik Gandini.

Gravado nos EUA, Índia, China, Itália, Suécia, Hungria, Canadá e Cuba durante três anos, usando a linguagem midiática, dinâmica do videoclip, o documentário Surplus desvela a insustentabilidade de um sistema baseado no consumismo desenfreado para a geração de lucro às grandes corporações e sem contudo preencher o vazio existencial da sociedade de consumo.

Cenas de ativistas anti-capitalistas, do comércio de bonecas infláveis, da monotonia e alienação do trabalho, da crise existencial de um jovem milionário da New Economy, e ainda George Bush, Tony Blair, Silvio Berlusconi e outros governantes símbolos de uma era de estímulo à guerra, ao consumo e à intolerância vão sendo apresentadas ao espectador como um chocante videoclip. Nem a Cuba de Fidel Castro é poupada: os discursos anti-capitalista e anti-comunista também são uma forma de propaganda. Qual nossa alternativa diante do modelo hegemônico ada sociedade de mercado?

O documentário conta ainda com a participação especial e voluntária do filósofo Jonh Zerzan um dos críticos mais radicais do pensamento contemporâneo que tem influenciado decisivamente a prática de ativistas por todo mundo contra a alienação da sociedade de consumo. Atentem para Steve Balmer CEO, palestrante motivador da Microsoft, que faz uma ponta e nos dá uma aula de amor à empre$a.





Para assistir na íntegra o documentário legendado, clique aqui