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sábado, 26 de janeiro de 2008

Centenário da imigração nipônica no Brasil

Este ano de 2008 há várias efemérides : 200 anos da chegada da Corte; 30 anos da criação do MNU, 100 anos da chegada dos primeiros imigrantes japoneses em solo brasileiro.

Destacamos aqui um artigo extraído do jornal do Simpro sobre a temática da imigração japonesa.

Edição nº 188 - 24/1/2008
Um lugar chamado liberdade
O Brasil e a imigração japonesa

Por Elisa Marconi e Francisco Bicudo

Nos últimos dias de janeiro de 2007, reproduções de obras do pintor modernista Cândido Portinari grafitadas na passagem subterrânea que liga a avenida Dr. Arnaldo à Avenida Paulista foram pouco a pouco sendo substituídas por gueixas, samurais e sóis nascentes. Trabalhando no maior painel coletivo da cidade de São Paulo, os artistas, com paciência oriental e borrifadas de ousadia, davam início, mais de um ano antes da data precisa, às comemorações oficiais do centenário da imigração japonesa para o Brasil. A idéia foi da prefeitura do município, que entendeu que era hora de chamar a atenção da população da cidade, de um jeito criativo e inusitado, lembrando que uma data para lá de importante estava por chegar.

O Kasato Maru, navio japonês que trouxe a primeira leva de imigrantes japoneses para cá, aportou em Santos em 18 de junho de 1908. Transportava 165 famílias, que vinham para trabalhar nos cafezais da região oeste do estado. Daquele dia até a década de 1940 chegaram mais de 160 mil nipônicos. Fixaram-se principalmente no interior do estado, onde passaram a cultivar mais que café. Pequenas lavouras de arroz, feijão e hortaliças variadas começaram a pipocar; assim, a chamada primeira geração de japoneses começava a se enraizar em solo brasileiro.

A professora aposentada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), Zeila de Brito Fabri Demartini, conta que, apesar de minoritária, houve ainda uma parcela de imigrantes que fixou residência na capital paulista imediatamente. "A população que vivia no interior interagia menos com os brasileiros, mas a troca entre os japoneses que vieram para São Paulo e os paulistanos foi muito importante desde o início e é aí que uma cultura começa a se envolver com a outra". Zeila é pesquisadora do Centro de Estudos Rurais e Urbanos da Universidade de São Paulo (Ceru/USP) e se debruça sobre as questões da imigração há mais de 15 anos, com atenção especial dedicada à contribuição japonesa.

Em seus estudos, calcados na história oral, Zeila entrevistou japoneses que chegaram naquela primeira leva de imigrantes. A maior preocupação da especialista era garantir a diversidade dos depoimentos e testemunhos – por isso procurou pessoas vindas de regiões variadas, moradores de bairros diferentes e trabalhadores em setores diversificados. O resultado foi um painel bem colorido de personagens. "Ouvimos os imigrantes rurais da região de Campinas, ouvimos o morador da periferia e os que habitavam a Liberdade", relata. E o que a pesquisa revelou? "Como o grande objetivo era colher relatos para conhecer os tipos de imigrantes, chegamos a uma grande gama de japoneses, cheios de diversidades, mas cheios de afinidades também".

Unidade

As diferenças, em grande parte, diziam respeito a questões familiares e de trabalho, mas o que saltou mesmo aos olhos da pesquisadora foi o que esses japoneses conseguiram manter em comum, mesmo tendo condições de vida tão distintas. "O primeiro traço de unidade entre eles é a forte convicção de que vieram para o Brasil para melhorar de vida, então que fariam tudo que estivesse ao alcance deles para chegar a esse objetivo. Os rurais faziam isso na lavoura, e os urbanos, no comércio, na indústria e no setor de serviços", explica a professora. Outra característica presente nos imigrantes da primeira geração é o empreendedorismo. "Já se nota um avanço social e econômico entre os japoneses da primeira leva. Eles eram empreendedores. Faziam suas lavouras, abriam seus negócios e melhoravam mesmo de vida". E é com essa cultura que os primeiros nipônicos passam a educar seus filhos, a chamada segunda geração, que veio ainda muito pequena para cá, ou que já nasceu aqui no Brasil. O empenho para conquistar uma vida melhor era tamanho que a segunda geração já tem um perfil bem diferente da anterior. Os pequenos falam português, vão à escola, trabalham com a família e são educados na tentativa de não perderem as tradições japonesas.

Aliás, essa questão da perda ou do esforço para a manutenção de costumes e da assimilação de novos hábitos abrasileirados está no centro dos estudos ligados aos japoneses. A pesquisadora aponta que talvez a maior característica do povo do Japão seja incorporar o novo sem perder, nunca, o que é fundamental para a cultura japonesa. Prova disso é que em São Paulo o número de japoneses e descendentes já passa de um milhão. Mais de 60% dos casamentos já são com brasileiros e, ainda assim, certos valores e tradições – como a alimentação, a filosofia, a religião, o valor da educação e do trabalho – continuam firmes e presentes nos jovens da quarta e da quinta gerações.

Relações internacionais

As pontes que ligam japoneses e brasileiros também são o objeto de estudo do cientista político Alexandre Uehara. Neto de japoneses que chegaram ao país na primeira leva de imigrantes, ele é professor de Relações Internacionais da Universidade São Marcos e da Universidade Rio Branco e pesquisador do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo. Um de seus principais temas de estudo e análise são justamente as relações internacionais que se manifestam entre Brasil e Japão. O Sinpro-SP conversou também com ele sobre os 100 anos da imigração japonesa, as comemorações e os significados da data. Os melhores trechos dessa entrevista você acompanha aqui.

Leia mais

Entrevista com o cientista político Alexandre Uehara


Nipônicos no Samba!

Vila Maria leva para a avenida o centenário da imigração japonesa
Leia mais e assista ao vídeo aqui

Com enredo homenageando o centenário da imigração japonesa, a escola de samba Unidos de Vila Maria fez na noite da última quarta-feira (30) seu último ensaio.

Prometendo levar mais de mil japoneses -- ou descendentes de japoneses -- ao sambódromo do Anhembi, a escola é a única que tem como madrinha de bateria uma japonesa, Yuka Chan.

Assista ao vídeo do ensaio na quadra da escola, na zona norte de São Paulo.

conheça também o samba-enredo e veja álbum de foto do desfile


Extraído Folha de São Paulo 31/01/2008

4 comentários:

Dominique disse...

Olá, é a primeira vez que visito o site e como estudante de História preciso ressaltar que uma das efemérides principais deste ano e que fora não citada é o fato de que o golpe militar que instituiu a ditadura no Brasil faz 40 anos. Esquecer disso é desvalorizar a luta pela liberdade de expressão e a repressão que tentou sufocá-la.

Um abraço a todos e parabéns pelo espaço!

História em Projetos disse...

Oi Dominique gostei do post sobre Tiana, a primeira princesa negra da Disney (já havia me chamado atenção, guardei um doc para a biblioteca virtual para discutir o tema com os professores do 1º ao 5º ano). Gostei também da visita no Blog da HP.
Mas vamos lá: sobre as efemérides, motivo para comemorarmos a temática não temos, né?(talvez até chamar de efemérides (no sentido de comemoração) seria desrespeitoso...) Pensarmos em 1968/2008 a meu ver seria interessante como o "ano que não terminou", como sinal de resistência. Mas a data oficial da 'ditadura militar' é o 31 de março de 1964, e seus 40 anos foi há 4 anos, né?
abraços
Conceição Oliveira

Ensino Criativo - appm disse...

Olá Maria,

Obrigada por ter visitado meu blog. Que bom que você gostou. Visitei o seu hoje e o achei muito interessante. Coloquei seu endereço no meu blog.

Abraços

História em Projetos disse...

Ana, também gostei do seu e estamos ambas linkadas :)

Volte sempre, viu!

A idéia do blog é principalmente auxiliar os professores que adotaram a coleção História em Projetos, mantendo-os atualizados em várias temáticas, fazendo conexões com o que é abordado na coleção, em relação aos temas ligados ao ensino de história e formação dos professores.
beijinhos
Conceição Oliveira